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Em Brasília

Fortalecido no Congresso, governo quer selar paz na relação com Renan

BRASÍLIA, DF, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A eleição de Davi Alcolumbre (DEM-AP) para presidente do Senado representou uma vitória de Jair Bolsonaro, sobretudo do ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil), mas fez o Planalto ganhar um adversário influente: Renan Calheiros (MDB-AL).

A avaliação tem sido feita em caráter reservado por assessores presidenciais, para os quais caberá agora a Bolsonaro atuar pessoalmente para tentar reconstruir a relação com Renan e reduzir danos causados pelo envolvimento do ministro na seara legislativa.

Em seu quarto mandato como senador, o alagoano tem interlocução tanto com a direita quanto com a esquerda e é tido como articulador hábil. Para o Planalto, é preocupante tê-lo como adversário, sobretudo no momento em que o governo elegeu a reforma previdenciária como sua prioridade em início de gestão.

A estratégia que tem sido defendida pelo entorno do presidente é que ele convide Renan para um encontro reservado assim que voltar a Brasília.

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Santos Cruz, afirmou à Folha de S.Paulo que agora, passada a eleição, começa o trabalho político de conversar com as diferentes bancadas.

"Não tenho dúvidas que o governo federal terá um bom diálogo com o Congresso Nacional. E a reforma previdenciária todo mundo sabe que é necessária", disse.

Santos Cruz ressaltou que todos os deputados e senadores são relevantes no processo político, não importando o partido. "Todo mundo é importante, e ele [Renan] continua sendo um parlamentar importante como qualquer outro", observou.

Uma sinalização do Planalto a Renan mira a pavimentação para a reforma da Previdência. Em campanha, Renan passou a fazer gestos de simpatia ao governo e mudou de posicionamento sobre a reforma, à qual tecia críticas no governo Michel Temer (MDB).

Alguns assessores governistas também calculam que Davi não terá condições de entregar com a mesma velocidade que Renan a aprovação de projetos prioritários por ter pouca experiência em articulação.

Ao afirmarem isso, apontam a dificuldade que o novo presidente do Senado teve para conduzir a sessão de sexta (1º), antes da eleição interna, encerrada sem resultado.

O diagnóstico é que, apesar da vitória, Onyx errou ao ter se posicionado como adversário direto de Renan, o que o inviabiliza como interlocutor em tentativa de reconstruir a relação do governo com o alagoano e seus aliados, todos escolados operadores políticos.

O desentendimento entre eles não é de hoje. Quando presidia o Senado, em 2016, o senador do MDB zombou publicamente do sobrenome do então deputado, dizendo que era fácil confundir "Lorenzoni" com "Lorenzetti", que é uma marca de chuveiros.

Em resposta, Onyx chamou o emedebista de "bandido" e recorreu ao STF (Supremo Tribunal Federal) contra Renan por injúria e difamação sobre acusações de caixa dois.

Para assessores presidenciais, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente, também tomou atitude equivocada. A opinião é que ele deveria ter sido discreto e não exibido seu voto em Davi, o que acabou dando à escolha do amapaense a chancela do governo.

Como o MDB tem a maior bancada, o receio do Planalto é que, caso as pontes com Renan não sejam refeitas, ele vire o presidente da Comissão de Constituição e Justiça e dificulte a tramitação de pautas.

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