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Frustrado com NBA, Marcelinho Huertas mira volta à seleção

FÁBIO ALEIXO MOSCOU, RÚSSIA (FOLHAPRESS) - Marcelinho Huertas, 34, não vê a hora de voltar a jogar na seleção brasileira de basquete. Sem defender o país desde a Rio-2016, o armador conta as horas para chegarem as janelas de junho e setembro das eliminatórias para a Copa do Mundo. Um litígio entre a Fiba (Federação Internacional de Basquete) e a Euroliga -principal liga interclubes da Europa- o impediu de se apresentar à seleção nos jogos de novembro de 2017 e nos dois deste mês de fevereiro. Na quinta (22), quando o Brasil venceu a Colômbia por 84 a 49, Huertas estava em Moscou defendendo o espanhol Baskonia contra o CSKA pelo campeonato europeu. "Estou com saudade. Falo muito com o pessoal, acompanho os jogos, falo sobre os treinos com os meninos, dá saudade. É um lugar onde me sinto bem e realmente é um sentimento único poder vestir aquela camisa", disse o armador à reportagem. Além do longo tempo, o que também faz Huertas querer jogar pela seleção é a chance de trabalhar com o técnico Aleksandar Petrovic, que assumiu o cargo em 2017. Huertas também falou sobre a felicidade de voltar a um clube europeu depois de não ter sucesso em duas temporadas na NBA, defendendo os Los Angeles Lakers. "Talvez meu lugar na NBA fosse em um time melhor, com outras prioridades", disse o atleta, que chegou ao Baskonia no ano passado e possui contrato até 2019." PERGUNTA - Como se sente na Europa depois de uma passagem sem tanto sucesso pela NBA? MARCELINHO HUERTAS - É bom voltar ao lugar em que passei tantos anos da minha carreira, aqui na liga espanhola, jogando também a Euroliga. É onde tive uma experiência vitoriosa. Eu não poderia estar num lugar em que me sentisse mais à vontade. P - A NBA é um muito diferente do que você imaginava? MH - Tem muitas coisas que são iguais. É um mundo inimaginável, onde tudo funciona com perfeição. Mas, como jogador, você não tem poder, e as coisas não acontecem como você espera. Muitas vezes elas não são justas. Há muito dinheiro envolvido. Nos Lakers, as oportunidades não foram as que eu merecia. Independentemente do que eu fizesse, não ia importar para meus minutos aumentarem . Iam jogar os jovens que estavam escolhidos e em quem apostavam. P - Você estava no lugar errado na hora errada? MH - Talvez meu lugar fosse em um time de estrutura melhor, lutando para jogar o playoff e que se importasse com os resultados. Nos Lakers, quanto mais derrotas, melhor. Isso ajudava no draft. Muitos jogadores não perdem nada, então para eles tanto faz. Mas para mim era difícil. Na Europa, a cada derrota você tem a corda no pescoço. Estar em time sem aspiração afetou meu jogo. P - Seu primeiro ano foi o da aposentadoria de Kobe Bryant. Houve muito oba-oba? MH - O primeiro ano foi de muitos contratempos. Isso fez cada jogo ser uma despedida. Parece que era o que mais importava. Como as expectativas não eram as melhores, as despedidas foram merecidas por tudo que ele fez nos 20 anos de Lakers. Ter essa convivência com ele foi algo espetacular. Tento ficar com as coisas positivas da passagem pela NBA, e esta foi a melhor delas. P - Você foi para o Houston, mas nunca jogou lá. Como foi? MH - Você ser trocado e nem saber. Estava no avião indo jogar em Oklahoma e fui trocado no ar. Meu agente disse que o Houston não sabia se ficaria comigo, mas veriam um voo para eu voltar a Los Angeles e acertar minha vida. É muito louco. Você é mercadoria e não tem poder nenhum. P - Você quer voltar a jogar no Brasil antes de se aposentar MH - Falta muito tempo ainda. O mundo dá muitas voltas, e tem que ter pé no chão. Quando chegar a hora de tomar uma decisão, verei para onde vou. P - Leandrinho e Varejão voltaram. O NBB é uma boa opção? MH - Isso demonstra que nossos jogadores valorizam o que se faz no Brasil e que o NBB vem melhorando. Há dez anos ninguém imaginaria isso. Diriam que você estava louco de pensar nestes caras jogando lá. Os dois fizeram bem, pois estavam em situação complicada. P - É frustrante não poder defender a seleção brasileira? MH - Conversei com o Petrovic e com o Renato . Falo com pessoal da CBB. Tenho conversado com quem joga na Euroliga para formarmos um grupo e termos mais força na hora de conseguir a liberação. No meio do ano poderemos jogar. Estou com saudade. Falo muito com o pessoal, acompanho os jogos, falo sobre os treinos com os meninos, dá saudade. É um lugar onde me sinto bem e realmente é um sentimento único poder vestir aquela camisa. P - Está com vontade de trabalhar com o Petrovic? MH - Já o conhecia antes de sua chegada à seleção, mas não tive a oportunidade de trabalhar junto. Sei que ele tem conceitos muito interessantes. As conversas que tivemos me inspiraram a estar na quadra trabalhando para ele. P -Havia desgaste no trabalho do antecessor, Rubén Magnano? MH - Tudo na vida são ciclos, e no dele jogamos muitos torneios em alto nível. Mas ficamos curtos em resultados, apesar de termos feito quartas de final de olimpíadas e oitavas e quartas em Mundiais. Ficamos na porta de ganhar medalhas, mas não podemos culpá-lo, pois ele nos deu todas as ferramentas e trabalhou muito para isso. Temos de olhar também para nossos erros como jogadores. Foi um ciclo muito bom e bonito para o basquete brasileiro. Só tenho a agradecer ao Rubén. P - O que pensa da aposentadoria do Tiago Splitter? MH - Falo quase todo dia com o Tiago. Já era de se esperar. Ele tinha tomado a decisão há muito tempo. Ele me dizia que por causa do problema nem conseguia mais correr. É uma pena que tenha de deixar de jogar tão cedo . Ele tinha muito chão. Se não fossem as lesões, poderia estar conosco em mais um ciclo olímpico. Fico triste por vê-lo fora da quadra, mas feliz de ter um amigo como ele.
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