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Gang 90 interrompe hiato de 30 anos e faz dois shows em São Paulo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após 30 anos fora de cena, a Gang 90 -primeira banda de sucesso do rock nacional dos anos 1980- volta aos palcos em dois shows que acontecem neste sábado (23) e domingo (24), no Sesc Pompeia, em São Paulo.

Liderada inicialmente pelo jornalista, poeta, compositor e agitador cultural Júlio Barroso, morto em 1984, a banda começou a amealhar público a partir do festival MPB Shell, em 1981, da Rede Globo, com a música "Perdidos na Selva", de Barroso, Márcio Vaccari e Guilherme Arantes.

Segundo a cantora e compositora Taciana Barros, a parceria com Guilherme Arantes era escondida. "O refrão é dele [Arantes], mas não foi assinado para que ele pudesse competir no festival com 'Planeta Água'. Só podia entrar com uma música", contou à reportagem a artista que passou a integrar a Gang a partir da segunda formação do grupo.

Barroso enfrentava problemas com drogas e alcoolismo quando morreu ao cair da janela do 11º andar de seu apartamento, em São Paulo.

A hipótese de suicídio não é totalmente descartada por Taciana Barros, que acredita ter sido a queda um acidente estranho: "Tanto que ele [Barroso] ficou pendurado pedindo ajuda. O vizinho de baixo tentou arrombar a porta para ajudar, mas o Júlio despencou levando pedaços da janela com ele. Acho que quem se joga não fica pedindo ajuda".

Ao lado do contrabaixista Paulo Lepetit, Barros é idealizadora e diretora do espetáculo "A Nossa Onda de Amor não Há Quem Corte" que traz a Gang 90 à ativa, com a participação de músicos consagrados. Entre eles, os guitarristas Edgard Scandurra (Ira), Lúcio Maia (Nação Zumbi) e o cantor Felipe Catto. "A Gang 90 é um ponto fora da curva, de autenticidade e singularidade no pop e no rock brasileiro. Sou um grande fã das músicas da banda e das letras do Júlio com uma poética completamente urbana", disse Felipe Catto, que no show canta "Do Fundo do Coração", "Perdidos na Selva" e "Eu Sei, Mas Eu Não Sei".

Para Scandurra, que também toca bateria no show, Barroso trouxe para a cena brasileira dos anos 1980 "a estética de um novo rock e de uma nova atitude, muito importantes para todas as bandas daquela e de outras gerações". Lúcio Maia encara o retorno da Gang 90, como "um clima de celebração absoluta, em memória ao Júlio Barroso, um grande letrista".

As cantoras Eloiza Paixão e Bianca Jordhão, o cantor Rodrigo Carneiro, juntos com Taciana Barros (voz e piano), Herman Torres (voz e guitarra), Paulo Lepetit (baixo), Gilvan Gomes (guitarra), Beto Firmino (teclados e voz) e Tamima Brasil (bateria) garantem a massa de som que deve envolver, além da inédita "Quero Sonhar com Você", de Barros e Lepetit, hits como "Nosso Louco Amor", de Torres e Barroso do disco "Essa tal de Gang 90 e as Absurdettes" (1983), e outros dos álbuns "Rosas & Tigres" (1985) e "Pedra 90" (1987).

A plaquete (livro em formato artesanal de revista) "Wave - A Nossa Onda de Amor não Há Quem Corte" (selo Demônio Negro), organizada pela poeta Natalia Barros (Grupo Luni), traz poemas, textos e ilustrações inéditas de Júlio Barroso e será vendida nos shows por R$ 30.

Entre os poemas inéditos da publicação, "Estourou este Amor" e "Itália" fazem parte dos momentos de intervenção poética do espetáculo. "O Júlio falava de tudo misturado; quando falava de música incluía negritude, índio, pop e zen entre outras mil coisas", adiantou Natalia Barros.

Para quem pensa que o evento limita-se apenas ao resgate da banda, Taciana Barros avisa que tem planos de lançar um vinil. "Quero mostrar para as novas gerações, quem foi esse cara [Júlio Barroso] que com sua obra transformou o rock brasileiro."

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