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Governo vê em discurso de Alckmin sinalização de apoio à reforma

DANIEL CARVALHO E MARIANA CARNEIRO BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Palácio do Planalto viu no discurso do novo presidente do PSDB, o governador Geraldo Alckmin (SP), uma sinalização de apoio do partido, que tem 46 deputados federais, à reforma da Previdência. Na convenção nacional neste sábado (9), Alckmin adotou discurso mais enfático em apoio à agenda econômica do governo Michel Temer e defendeu que deputados tucanos fechem questão no apoio às mudanças nas regras previdenciárias. "Queremos ver e estamos acreditando que o PSDB manterá coerência com a sua própria biografia e vai votar a favor da Previdência. O governador Alckmin sinalizou nesta linha de intenção e, mais ainda, que há uma possibilidade de fechamento de questão, disse o ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral) à reportagem neste domingo (10). Até o momento, apenas PMDB, PTB e PPS fecharam questão, ou seja, determinaram que todos os seus deputados votem em consenso favoravelmente à reforma, sob pena de punição. Juntos esses partidos somam 53 deputados. Para aprovar a reforma na Câmara, o governo precisa conseguir 308 votos favoráveis em cada um dos dois turnos de votação. Feito isso, o texto ainda precisa passar pelo Senado, onde o governo também precisa do apoio de dois terços da Casa. A contagem mais recente indicava que, na Câmara, são 270 os votos a favor da reforma. Alckmin disse que o PSDB "reitera sua disposição no âmbito do Congresso à aprovação de reformas necessárias ao nosso país" e apontou que a reestruturação da Previdência visa a combater privilégios. "É necessária para não termos brasileiros de duas classes", discursou. Uma reunião para discutir o assunto está prevista para esta semana. Em seu discurso, Alckmin mudou o tom que vinha adotando e fez um aceno ao governo Michel Temer (PMDB), em um esforço para manter canais abertos para uma aliança em torno de sua candidatura ao Palácio do Planalto em 2018. Questionado sobre esta sinalização e a possibilidade de uma aliança em 2018, Moreira Franco se esquivou. "Vencida esta etapa [de votação da reforma da Previdência], aí vamos ver o resto", afirmou. "Acreditamos no diálogo. Conversa e caldo de galinha não fazem mal a ninguém", afirmou o ministro. Ao se posicionar favoravelmente ao Palácio do Planalto na agenda econômica, Alckmin faz frente ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (Fazenda), que trabalha para se viabilizar como o candidato do governo à Presidência em 2018 e chegou a dizer, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, que o tucano não seria o candidato do governo. O entorno de Temer se incomodou com o tucano, que diversas vezes disse que, se dependesse dele, o PSDB nunca teria embarcado na administração federal. Dois dos quatro ministros tucanos deixaram a Esplanada antes da convenção de sábado, mas não evitaram a deterioração da relação do governo com o PSDB. O ministro Eliseu Padilha (Casa Civil), inclusive, disse que o PSDB não era mais da base, antes de qualquer anúncio oficial tucano. Os acenos de Alckmin de que se empenhará para garantir votos do PSDB para aprovar a reforma da Previdência responde inclusive a uma ala do próprio partido, que trabalha pela aproximação com o PMDB de Temer com vistas à eleição de 2018. ESTRATÉGIA Após reunião entre Temer, auxiliares e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ficou definida uma antecipação do calendário da reforma da Previdência na Casa. A discussão do assunto em plenário está prevista para começar nesta quinta-feira (14) para que o início da votação propriamente dita possa se dar na segunda-feira seguinte (18). A intenção do governo é forçar líderes da base aliada a falar a favor da reforma. Com isso, a expectativa é aumentar o número de votos e contestar informações da oposição, que segundo Moreira, "está faltando com a verdade" ao negar a necessidade da reforma. Na visão do ministro, o início dos debates nesta semana vai permitir que se explique as alterações para deputados que ainda não entenderam o que muda. "Acho que esclarece sobre a verdade de uma questão que é essencial para o Brasil", afirmou o ministro. "Sem a reforma, toda a recuperação da economia que estamos vendo vai acabar".

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