Grêmio e Santos iniciam duelo de tricampeões nas quartas de final da Libertadores

Grêmio e Santos iniciam nesta quarta-feira, às 19h15, em Porto Alegre, um confronto de tricampeões nas quartas de final da Copa Libertadores. E o time gaúcho, em grande fase na temporada, defenderá a sua invencibilidade de quase dois meses exatamente contra o último adversário a derrotá-lo.

O Grêmio faturou os seus títulos continentais em 1983, 1995 e 2017, enquanto o Santos levou a taça em 1962, 1963 e 2011. E o confronto, além de assegurar a presença de ao menos um brasileiro nas semifinais da Libertadores, deixará o seu vencedor da série a três jogos da possibilidade de se isolar como time do País com mais taças da competição - o São Paulo é o outro tricampeão, mas caiu na fase de grupos.

O Santos tem a vantagem de decidir a série em casa por ter feito campanha superior na fase de grupos - 16 pontos a 11 -, mas o momento do Grêmio é melhor. O time gaúcho avançou de fase com triunfos por 2 a 0 sobre o paraguaio Guaraní, enquanto a equipe paulista só tirou a LDU pelo critério de desempate dos gols fora de casa. Além disso, está à frente no Brasileirão - 40 a 38 pontos - e invicto há 16 jogos.

A última derrota, porém, foi para o Santos, em 11 de outubro, por 2 a 1, na Vila Belmiro, palco do duelo de volta das quartas de final na próxima semana. De lá para cá, porém, o Grêmio evoluiu e tem se consolidado como um dos protagonistas do futebol nacional e sul-americano.

"Quarta começa uma partida de 180 minutos. Eles nos venceram no último encontro com lances bem interessantes. Mas passou. O Santos tem nosso respeito, como sei que o Santos respeita o Grêmio", afirmou Renato Gaúcho, que só deverá repetir quatro titulares daquela derrota: Vanderlei, Luiz Fernando, Pepê e Diego Souza.

O confronto também deve ficar marcado por um duelo de estilos. O Grêmio, na sua ascensão na temporada, tem ficado marcado pela defesa sólida e pela construção ofensiva a partir da valorização de posse de bola. E isso tem passado pela boa fase do meia Jean Pyerre.

O problema é que ele sentiu um desconforto muscular no primeiro tempo do duelo da semana passada com o Guaraní, sendo substituído. E permaneceu no banco de reservas diante do Vasco, aumentando a indefinição sobre sua presença em campo nesta quarta-feira, ainda mais que Renato Gaúcho instruiu o clube a não repassar informações sobre a condição física dos jogadores. A situação também é parecida para o zagueiro Kannemann. Mas ambos devem atuar na Arena do Grêmio.

O Santos, por sua vez, tem apostado na velocidade e na vocação ofensiva, vista, por exemplo, na escalação do atacante venezuelano Soteldo como meia. É ele quem deve municiar Marinho, ex-Grêmio e que tem liderado o time em campo, e Kaio Jorge, liberado da seleção brasileira sub-20, após negociação com a CBF. Já Lucas Braga pode perder a sua vaga para Jean Mota, com Cuca escalando um time mais cauteloso em Porto Alegre.

A equipe também sofre com um problema extracampo. Insatisfeito com a negativa para a proposta do Benfica, o zagueiro Lucas Veríssimo chegou a se recusar a treinar, mas viajou a Porto Alegre e deve ser convencido a entrar em campo mesmo com o seu futuro incerto. Isso é ainda mais fundamental para o Santos nesse momento porque Luiz Felipe, o primeiro reserva da zaga, está suspenso.

"Chegamos fortes porque temos uma base sólida de jogo. Terça-feira perdemos para a LDU, mas não era jogo para perder. Era jogo para ter feito dois ou três. Perdemos muitos gols, gerou uma instabilidade na equipe. Mas num geral fomos melhores, então temos confiança, não é um empate com o Palmeiras que vai nos tirar, até porque jogamos bem", afirmou Cuca.

Santos e Grêmio já se enfrentaram em uma mata-mata da Libertadores, nas semifinais de 2007, quando o time gaúcho avançou. Agora, quem se classificar, terá pela frente Racing, Internacional ou Boca Juniors em uma nova semifinal.