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'Houve certo endeusamento do pré-sal', diz presidente da Petrobras

RENATA AGOSTINI E MARIANA CARNEIRO SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente da Petrobras, Pedro Parente, afirmou nesta sexta (30) que ocorreu no país uma expectativa exagerada em relação ao pré-sal, o petróleo localizado em águas profundas. "Houve um certo endeusamento do pré-sal, quando temos em outras áreas da empresa campos excelentes, como na Bacia de Campos", disse durante evento promovido pela revista "Exame" em São Paulo. Parente afirmou que boa parte dos investimentos que fizeram a dívida da estatal explodir foram inúteis ou prejudiciais à companhia. "É importante mencionar que esse endividamento não gera qualquer retorno para a empresa", afirmou o presidente da Petrobras. "Existe uma parte de investimentos no pré-sal que traz resultados, mas a maior parte não", afirmou. Ele voltou a destacar a meta da companhia de reduzir de forma drástica o endividamento até 2018. Para isso, a empresa irá cortar custos e espera levantar mais de US$ 15 bilhões com a venda de ativos. "Chegamos a pagar 3,1% de juros em 2013. Hoje está acima de 8,5%", disse. "Ter uma alavancagem desse tamanho no Brasil é muito complicado." APARELHAMENTO Segundo Parente, a Petrobras foi afetada pelos efeitos dos esquemas de corrupção desvendados pela Lava Jato e pelo uso da petroleira para "atividades que não tinham nada a ver". "O que aconteceu na Petrobras foi o aparelhamento de uma empresa. Mas ela também foi usada para outros fins", afirmou. Ele citou a política de preços praticada pelo governo petista, que obrigou a petroleira a vender gasolina abaixo do preço internacional, e a programação de grandes empreendimentos sem o planejamento adequado. "Como uma empresa decide fazer uma refinaria no Maranhão, outra em Pernambuco e outra no Ceará? Não é a racionalidade econômica. É uma empresa que foi submetida a um processo em que seus objetivos foram secundários no processo decisório", disse. CONTEÚDO LOCAL O presidente da Petrobras afirmou que é a favor da política de conteúdo local, que exige a compra de bens produzidos no país, mas não com as regras atualmente vigentes. "Não pode ser baseado na punição. Tivemos recentemente o cancelamento de licitação de uma plataforma. Ela deveria custar US$ 800 mil por dia. Veio um número 60% acima. É racional? Mas qual seria a multa se descumprisse o conteúdo local? A bagatela de US$ 500 milhões. Não pode ser por aí", afirmou.

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