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Descanso

Incentivo à leitura vale até mesmo nas férias

(Foto: Divulgação)

O incentivo à leitura deve ser praticado ao longo do ano letivo, tanto na escola como em casa com a família. Uma pesquisa realizada em 2018 pelo NationalLiteracyTrust, no Reino Unido, apontou que apenas 30% dos pais leem para seus filhos, o que corresponde a 3 em cada 10 responsáveis.
Foram entrevistados mil pais, dentre os quais 97% enxergam a importância da leitura. Além disso, 58% deles afirmaram que ler histórias para os pequenos antes de dormir pode fortalecer o vínculo parental. Entretanto, apenas 30% mantêm esse hábito diariamente.
Para a bibliotecária do Colégio Salesiano Santa Teresinha, Silvana Stacco, com crianças cada vez mais conectadas, a leitura, estimulada ainda na infância, pode ser um hábito importante na adolescência, “tanto para o desenvolvimento cognitivo, quanto para a apropriação de uma linguagem mais rica, com interpretações e argumentações importantes para períodos de vestibular ou participação ativa na vida social”, explica. Aproveitando o período de férias, Silvana indica cinco leituras para crianças e adolescentes.

Sugestões de livros
Para crianças:

Férias na Antártica — Marininha Klink - Editora: Peiropolis
Três irmãs, idades diferentes, três visões de mundo, todas no mesmo barco, de férias na Antártica. Conheça neste livro o delicado equilíbrio do planeta e, de quebra, o divertido jeito de encarar o mundo das jovens Laura, Tamara e Marininha, filhas do navegador Amyr Klink e da fotógrafa Marina Bandeira Klink. Nos relatos de viagem, estão as lembranças de cinco expedições em família ao continente antártico, onde focas, pinguins, baleias e muitos outros animais especiais passam o verão. Com ainda pouca vivência, elas já sabem e entendem que nosso planeta precisa de cuidados e que, onde quer que a gente viva, nossas atitudes refletem em lugares muito distantes daqui.

De Cabeça pra Baixo — Ricardo da Cunha Lima - Editora: Companhia das letras
Um livro de poemas que ensina o que é poesia e que estimula o leitor a escrever seus próprios poemas. Essa é, em linhas gerais, a proposta que Ricardo Cunha Lima desenvolve em De cabeça para baixo. O autor lida com a linguagem de uma maneira extremamente lúdica: brinca com as palavras e com o modo de ver o mundo. Um de seus poemas nos fala, por exemplo, de um aspirador de pó... alérgico a pó: “Toda vez que era ligado, / Já ficava todo inchado, / Inteirinho empelotado”. E Ricardo, que quer levar o leitor aos “bastidores” do mundo poético, ensina que esse poema é um “vilancico”, uma forma típica da poesia espanhola da Idade Média. Rima, métrica, aliteração, soneto e antítese são outros conceitos explicados pelo autor, neste livro de poemas que é também um manual para aprender a ler poesia. Prêmio Jabuti 2001 de Melhor Livro Infanto-Juvenil.
Para pré-adolescentes e adolescentes:

Sete Desafios para Ser Rei — Jan Terlouw. Editora: Ática
Katoren é o fantástico país dos dragões e das árvores com frutos explosivos. Lá vive Stach, um garoto pobre que precisa vencer sete grandes desafios para realizar seu sonho: ser rei.

O Visconde Partido ao Meio — Ítalo Calvino. Editora: Companhia das Letras
O Visconde Partido ao Meio, publicado originalmente em 1952, veio a compor com O cavaleiro inexistente e O barão nas árvores, ambos publicados pela Companhia das Letras, uma trilogia a que Italo Calvino (1923-85) chamou de Os nossos antepassados, uma espécie de árvore genealógica do homem contemporâneo, alienado, dividido, incompleto. É a história de Medardo di Terralba, o voluntarioso visconde que, na defesa da cristandade contra os turcos, leva um tiro de canhão no peito, mas sobrevive, ficando absurdamente partido ao meio, a metade direita atormentada pela maldade e a esquerda, pela bondade. “Ainda bem que a bala de canhão o dividiu apenas em dois”, comentam aliviadas suas vítimas.

Capitães da Areia — Jorge Amado. Editora: Companhia das Letras
Desde o seu lançamento, em 1937, Capitães da Areia causou escândalo: inúmeros exemplares do livro foram queimados em praça pública, por determinação do Estado Novo. Ao longo de sete décadas a narrativa não perdeu viço nem atualidade, pelo contrário: a vida urbana dos meninos pobres e infratores ganhou contornos trágicos e urgentes. Várias gerações de brasileiros sofreram o impacto e a sedução desses meninos que moram num trapiche abandonado no areal do cais de Salvador, vivendo à margem das convenções sociais.
Verdadeiro romance de formação, o livro nos torna íntimos de suas pequenas criaturas, cada uma delas com suas carências e suas ambições: do líder Pedro Bala ao religioso Pirulito, do ressentido e cruel Sem-Pernas ao aprendiz de cafetão Gato, do sensato Professor ao rústico sertanejo Volta Seca. Com a força envolvente da sua prosa, Jorge Amado nos aproxima desses garotos e nos contagia com seu intenso desejo de liberdade.

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