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Incerteza econômica adia investimentos no país, diz presidente do BC

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta quinta-feira (16) que o Brasil ainda não conseguiu se livrar das incertezas econômicas, o que explica o adiamento das decisões de investimento no país.

As declarações foram feitas em audiência na comissão mista do Orçamento, no Congresso Nacional.

Segundo ele, após a eleição de Jair Bolsonaro (PSL), houve um princípio de otimismo com a economia, mas, a seguir, os agentes do mercado entenderam que o país não tinha uma trajetória fiscal compatível. "Não existe país com inflação baixa e juros baixos e inflação ancorada com fiscal ruim", disse.

"Viemos de um mundo de grandes incertezas no passado, mas não conseguimos nos livrar das incertezas. As incertezas continuam no ar. E acho que isso explica um pouco esse adiamento da decisão de investir", disse.

"Acho que, quanto mais nós formos capazes de sinalizar aos investidores que estamos falando sério sobre a disciplina fiscal e que vamos resolver esse problema, mais rápido eles sentem confiança para investir."

Na avaliação de Campos Neto, isso vai acontecer quando o governo conseguir aprovar e implementar as reformas fiscais, como a da Previdência, tributária e outras que melhorem o ambiente de negócios para poder investir.

"A frustração das expectativas com as reformas e os ajustes podem afetar os prêmios de risco e a trajetória de inflação", disse.

O presidente do BC reconheceu ter ficado decepcionado com o crescimento econômico do primeiro trimestre, embora acredite em uma retomada. O recuo nos três primeiros meses já foi sinalizado na ata da última reunião do Copom (comitê de política monetária do BC), que manteve os juros em 6,5% ao ano.

Na quarta-feira (15), o indicador de atividade econômica do Banco Central recuou 0,68% nos três primeiros meses do ano, o que levou analistas a revisarem as projeções de crescimento econômico para este ano.

Na comissão, Campos Neto voltou a defender o projeto de autonomia do Banco Central. Para ele, se aprovada no Congresso, a medida reduziria as incertezas econômicas e poderia ajudar a reduzir os juros no país.

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