Recorde

Janeiro de 2022 já é o mês com mais casos de Covid-19 no Paraná desde o início da pandemia

Efeito Ômicron é determinante nas estatísticas
Efeito Ômicron é determinante nas estatísticas (Foto: SESA)

O ano de 2022 começou com uma verdadeira explosão nos diagnósticos de Covid-19 no Brasil, num surto provocado pela circulação da variante ômicron, a mais contagiosa das cepas do coronavírus conhecidas até aqui. E o Paraná não tem sido uma exceção no país, tanto que o mês de janeiro, em 25 dias, já registra o recorde de casos novos da doença pandêmica no estado desde o início da pandemia.

O levantamento, feito pelo Bem Paraná com base nos Informes Epidemiológicos divulgados diariamente pela Secretaria da Saúde do Paraná (Sesa-PR), considera a data de divulgação dos registros. E em janeiro, até ontem, o estado já havia anunciado a confirmação de 271.099 casos novos de Covid-19, número 1.317% superior aos 19.132 diagnósticos que haviam sido divulgados no mês imediatamente anterior, em dezembro de 2021.

Até então, o Paraná jamais havia registrado mais de 200 mil casos de Covid-19 em um único mês. Desde o início da pandemia, o mês com maior número de diagnósticos havia sido março de 2021, com 197.303 registros. Os dados parciais de janeiro, contudo, já superam em 37,4% o recorde anterior.

Anteriormente, os casos novos de Covid-19 registraram quedas consecutivas ao longo do segundo semestre do ano passado, período no qual o número de óbitos provocados pela doença pandêmica também despencou, passando de 4.505 registros em julho para 90 em dezembro, uma queda de 98%.

Com a explosão de diagnósticos recentemente, no entanto, o número de mortes causadas pela Covid-19 também voltou a subir. Já são 174 falecimentos no primeiro mês de 2022, valor que supera em 93,3% os 90 registros de dezembro.

Ainda assim — e graças à vacinação contra o coronavírus —, o número de óbitos pode ser considerado pequeno, especialmente tendo em conta que no pico anterior de casos, em março do ano passado, foram registrados mais de 5 mil mortes (5.019, mais especificamente) causadas pela doença pandêmica.

Ômicron
Assim como acontece no resto do mundo e no País, a escalada de novos casos está relacionada com a variante Ômicron, mas contagiosa que as anteriores. No Paraná, a confirmação da predominância de circulação da variante vem de meados deste mês, o Instituto Carlos Chagas, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Paraná, confirmou a predominância.

A Sesa havia confirmado a circulação da variante Ômicron ainda no dia 12 de janeiro, com um caso confirmado em Curitiba após sequenciamento genômico da Fiocruz do Rio de Janeiro. O secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, já alertava para a possibilidade de predominância da nova variante no Paraná, inicialmente detectada na África do Sul. “Quando tivemos a confirmação do primeiro caso, já falamos que existia transmissão comunitária da variante no Paraná”.

Número de pacientes em UTIs Covid salta 235% no ano

O surto de contaminações pelo novo coronavírus já pressiona o sistema público de saúde do Paraná. E uma prova disso é que desde o início do ano o número de pacientes com quadro graves de Covid-19, demandando cuidados intensivos, teve um crescimento de 235%.

No dia 1º de janeiro, quando o estado contava com 427 Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) para pacientes suspeitos ou confirmados Covid-19, um total de 121 pessoas estavam internadas no estado, com tais leitos apresentando uma taxa de ocupação e 28%. Ontem, já eram 604 leitos disponíveis, mas mesmo com a ativação de mais UTIs a taxa de ocupação subiu para 67%, com um total de 405 pacientes demandando cuidados intensivos.

Nas enfermarias, a situação também piorou consideravelmente. No primeiro dia do ano, 152 dos 389 leitos clínicos disponíveis estavam ocupados (taxa de 39%). Ontem, 516 dos 1.113 leitos disponíveis já estavam ocupados, o que dá uma taxa de ocupação de 46%.

Evolução da pandemia no Paraná, mês a mês
(conforme o mês de divulgação dos registros)
Mês Ano Casos Mortes
Março 2020 179 3
Abril 2020 1.228 83
Maio 2020 3.280 96
Junho 2020 17.936 454
Julho 2020 52.677 1.263
Agosto 2020 55.200 1.352
Setembro 2020 46.507 1.190
Outubro 2020 34.238 724
Novembro 2020 66.179 934
Dezembro 2020 135.988 1.813
Janeiro 2021 131.775 2.038
Fevereiro 2021 97.241 1.633
Março 2021 197.303 5.019
Abril 2021 102.310 5.654
Maio 2021 145.558 4.018
Junho 2021 190.455 4.267
Julho 2021 94.336 4.505
Agosto 2021 78.956 2.238
Setembro 2021 54.094 1.597
Outubro 2021 43.653 1.412
Novembro 2021 23.625 285
Dezembro 2021 19.132 90
Janeiro* 2022 271.099 174
TOTAL 2020 413.412 7.912
TOTAL 2021 1.178.438 32.756
TOTAL 2022 271.099 174

Estado reativa mais 152 leitos para atender demanda da Covid e H3N2

Ontem, mais 152 leitos para atendimento preferencial à Covid-19 e H3N2 foram reativados pelo Governo do Estado. São 142 enfermarias e 10 Unidades de Terapia Intensiva (UTI), que se somam aos já reabertos desde sábado, totalizando agora 609 UTI’s e 948 enfermarias. Desde o início do processo de reabertura de novos leitos, a capacidade de internamentos quase dobrou, passado de 515 para 948.

Os novos leitos foram distribuídos nos municípios de Londrina (15 enfermarias e 5 UTI’s), Maringá (20 enfermarias), Umuarama (10 enfermarias), Laranjeiras do Sul (10 enfermarias), Prudentópolis (10 enfermarias), Palmas (5 UTI’s e 6 enfermarias), Chopinzinho (6 enfermarias), Coronel Vivida (6 enfermarias), Mangueirinha (6 enfermarias), Pato Branco (12 enfermarias), Clevelândia (6 enfermarias) e Curitiba (25 enfermarias e 10 UTI’s).

“Não estamos medindo esforços para atender quem precisa, neste momento, em que todos os dias os casos de Covid e Influenza aumentam no Paraná. Vale ressaltar que também estamos colocando nossas equipes de prontidão para continuar a vacinação.” disse o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto.

Ontem, Secretaria de Saúde ambém iniciou a distribuição para as regionais de 634 mil unidades de testes rápidos de antígeno para detecção do SARS-CoV e 355.988 vacinas contra a Covid-19.

“São quase um milhão de unidades em material para o enfrentamento à Covid-19. Referente aos testes, somos o Estado que mais testou proporcionalmente sua população e continuamos a fazê-lo. É uma estratégia importante para controle nesse momento em que a circulação aumentou, com a variante Ômicron”, disse o secretário.