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Copa 2018

Japão arranca empate em 2 a 2 com o Senegal e lidera grupo na Copa

IEKATERINBURGO, RÚSSIA (FOLHAPRESS) - O determinismo biológico do técnico japonês Akira Nishino acabou provado na prática neste domingo (24), em Iekaterinburgo. Em uma partida bem disputada em campo e eletrizante na arquibancada, o futebol de força física de Senegal esbarrou na velocidade do Japão, e o time asiático empatou com o africano em 2 a 2 após ficar duas vezes atrás do placar.

Com isso, ambos os times chegam aos 4 pontos, com o mesmo saldo de gols (1) e número de gols marcados (4), mas os japoneses lideram o Grupo H por terem levado dois cartões amarelos a menos do que os senegaleses (5 a 3).

À espera do resultado o jogo entre Colômbia e Polônia, às 15h em Kazan, a chave, que começou com japoneses e senegaleses emergindo como zebras, pode a ficar embolada.

Quem chegar em primeiro enfrentará o perdedor do embate pela liderança do grupo G, Inglaterra ou Bélgica, que se enfrentam na quinta (28).

Na véspera da partida, Nishino havia alertado que se houvesse muito contato físico, seu time perderia o jogo. Lembrou do clichê sobre times asiáticos rápidos e leves, contra africanos fortes - só que, no caso senegalês, técnicos também. "Temos de usar o cérebro", afirmou. Foi o que o time fez após um início de partida arrasador para os africanos.

Empurrado pelo batuque interminável de sua torcida, a equipe do treinador Aliou Cissé pressionou a saída de bola japonesa. O astro da equipe, Sadio Mané, fez jus à fama e aproveitou uma bola espirrada de forma atrapalhada pelo goleiro Kawashima aos 11min.

Sadio chamou a atenção por repetir a comemoração que costuma fazer nos jogos do Liverpool (ING), time que defende com outra estrela muçulmana, o egípcio Mohamed Salah. Ajoelhou-se e tocou a cabeça no solo, o símbolo da submissão a Deus no islamismo.

Nos minutos seguintes, parecia que a ajuda continuaria a vir do alto para os africanos, que estão em sua segunda Copa --Cissé era o capitão de um time surpreendente em 2002, que chegou às quartas de final.

O temor de Nishino se confirmava. Os senegaleses, mais altos e fortes, tinham domínio físico no campo. Foram sete faltas dos africanos, contra três dos asiáticos na primeira etapa, fora inúmeros encontrões que davam vantagem a Senegal.

Foi assim até que o time de Nishino começou a se soltar e tocar mais rapidamente a bola, evitando o tal contato. O resultado veio aos 34min, quando Nagatomo, que passara o jogo sendo bloqueado por Sarr, conseguiu deixar uma bola para Inui bater forte - 1 a 1.

No segundo tempo, Senegal voltou com mais força. Literalmente: Niang tirou sangue do nariz de Hasebe e, minutos depois, levou um cartão amarelo num esbarrão que pareceu menos intencional em Shoji. Criou algumas oportunidades, mas o Japão manteve o padrão de velocidade.

Aos 19min, Inui quase marcou novamente, acertando a trave de Ndiaye. O mesmo Inui teve seu momento senegalês a seguir, quando derrubou um Sadio Mané que avançava velozmente pela direita rumo ao gol de Kawashima.

Com jogadas rápidas de lado a lado, a emoção em campo e o ritmo ensurdecedor das torcidas encobriram o fato de que o jogo não foi exatamente um primor de técnica. Os africanos, em particular, cometiam muitos erros defensivos. Senegal se impôs com Wague aos 26min, abrindo vantagem novamente. Apenas sete minutos depois, numa falha do goleiro senegalês em cruzamento, Honda marcou e empatou novamente.

O jogo ainda teve algumas chances para ambos os times, mas ao fim prevaleceu o equilíbrio entre fundamentos desiguais. O Japão teve um pouco mais de posse de bola (53% a 47%), e Senegal ampliou seu repertório de faltas: acabou a partida com 14, contra 8 dos nipônicos.

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