Publicidade
Entrevista

Lava Jato encontrou amparo enquanto teve PT como principal alvo, admite procurador

Lava Jato encontrou amparo enquanto teve PT como principal alvo, admite procurador
(Foto: Reprodução / Escola da Magistratura)

Ao deixar a Força Tarefa Lava Jato em Curitiba, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima rebate a crítica de que a operação foi seletiva, mas admite que a investigação encontrou mais amparo enquanto tinha o Partido dos Trabalhadores (PT) como principal alvo. Em entrevista exclusiva à jornalista Lenise Aubrift Klenk, da rádio BandNews FM, ele critica a mudança de postura do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela libertação de vários investigados.

Considerado um estrategista na operação, Santos Lima pediu afastamento da força tarefa para aguardar a aposentadoria, que deve sair em março do ano que vem. O procurador define a Lava Jato como uma investigação de combate a um sistema de corrupção na política.

Segundo ele, uma percepção equivocada de que era dirigida exclusivamente ao Partido dos Trabalhadores chegou até a favorecer a operação. O procurador diz que o ministro Gilmar Mendes abandonou uma postura histórica depois do impeachment da presidente Dilma Rousseff, do PT.

"A percepção de que você ao investigar o governo do PT atendia aos ideias dessa parcela da população gerou essa vinculação. É uma vinculação que aconteceu, nunca foi estimulada por nós e acho que esta própria percepção equivocada que parte da população teve também nos salvou em alguns momentos porque até o impeachment de Dilma, por exemplo, o ministro Gilmar Mendes tinha uma posição bastante favorável à Lava Jato. Ele muda depois. Talvez ele tenha tido a percepção equivocada também de que a Lava Jato só iria até determinado ponto", disse. 

Santos Lima reconhece que alguns segmentos da sociedade se apropriam do discurso da Lava Jato por motivações políticas. Segundo ele, há candidatos envolvidos na investigação que usam o combate à corrupção como mote de campanha.

"Tem muita gente envolvida na Lava Jato fazendo discurso de combate à corrupção, devolução de dinheiro para os cofres públicos e tal. (...) Nós não vamos entrar nesse bate-boca. Agora campanha das novas medidas contra corrupção nós sempre enfatizamos que a solução é democrática. Tanto que a nova campanha, um dos pilares dela, é 'apoie quem tem compromisso com a democracia'. Nosso compromisso é com a democracia, está na Constituição, e isso nós não abrimos mão", pontua. 

Com 54 anos, Carlos Fernando dos Santos Lima era o mais experiente da equipe de 13 procuradores da Força Tarefa Lava Jato. Ele se emociona ao falar dos amigos com quem agora deixa de conviver diariamente.

Leia a matéria completa e ouça os áudios no site da BandNews FM Curitiba.

 

DESTAQUES DOS EDITORES