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Economia

Líder de protestos contra Wall Street lança universidade

NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - ‚Há sete anos, diante de um Estados Unidos que lutava para sair da pior crise desde a grande depressão de 1929, ele ajudou a parar o país com um ácido discurso contra o "poder corrosivo" dos bancos e da elite financeira, acusados de mergulhar a economia americana no caos.

Em 2018, Micah White, 36, cofundador do movimento Occupy Wall Street, tem planos não menos ambiciosos.

Em agosto, ele lançou uma universidade de ativismo online, com a missão de formar manifestantes e estimular "novas maneiras de pensar o ativismo e protestos inovadores".

"É uma escola de ativistas para ativistas. As aulas vão ser filmadas no Bard College, que fica a duas horas de Nova York. Os ativistas podem assistir para se tornar melhores", diz, à reportagem.

Para janeiro já está marcado o segundo curso, sobre ativismo e justiça habitacional.

No caso dele, o ativismo começou cedo, aos 13 anos.

"Eu via os desabrigados, pessoas vivendo sem dinheiro e outras passando por elas e indiferentes a isso. Pensei que tinha algo muito errado", diz.

Além de White, outros nomes ligados ao ativismo americano dão peso à iniciativa. Um deles é Alicia Garza, cofundadora do movimento #BlackLivesMatter ("Vidas Negras Importam") e que foi convidada para falar sobre o tema.

Lenora Fulani, a primeira mulher e a primeira afroamericana a aparecer como candidata presidencial em uma disputa nos 50 estados, é outra palestrante.

Para promover a graduação, White realizou um simpósio, no último dia 17 de agosto, com o tema "Por que os protestos fracassam?".

No caso do Occupy Wall Street, são vários os motivos identificados.

"Éramos muito idealistas. Achamos que, sentando democraticamente no chão, as coisas ficariam melhores", diz White. "Nossas reuniões eram disfuncionais. A estrutura do movimento não era adequada para a ideia que tivemos."

Para ele, a falta de maturidade dos integrantes contribuiu para minar o movimento. "Mas tivemos algumas sabotagens dentro do movimento também."

O Occupy começou formalmente em 17 de setembro de 2011, no Zuccotti Park, em Nova York.

Sob o mote "nós somos os outros 99%", em referência ao 1% dos mais ricos que provocou o caos financeiro que abateu o restante da população, eles ocupavam ruas, bancos e sedes de empresas.

O objetivo era protestar contra a desigualdade de renda e econômica nos EUA.

"Havia muita raiva contra Wall Street. Estávamos tentando diminuir o poder do dinheiro na cultura e mudar o que é o parâmetro para sucesso ou fracasso", diz.

Mas o movimento, para ele, foi bem-sucedido ao disseminar a ideia de igualdade, mesmo que não tenha dado "poder para os 99%."

O Occupy também foi um dos primeiros a usar a seu favor as redes sociais. No caso, a mídia escolhida foi o Twitter, com a hashtag #OccupyWallStreet sendo usada para convocar manifestantes e organizar os atos.

Era comum, na época, encontrar manifestantes usando máscaras de Guy Fawkes, o soldado católico que tentou explodir o Parlamento da Inglaterra na Conspiração da Pólvora.

No auge, em novembro de 2011, cerca de 1.500 cidades em 82 países registraram protestos coordenados.

Em meio a isso, o grupo ativista hacker Anonymous ganhou renome, com vídeos em que estimulava as pessoas a participarem dos atos.

Mas, em maio de 2012, seis meses depois, o movimento perdeu força até ficar completamente desidratado.

Segundo White, a pressão política do presidente Barack Obama e do então prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, pesou.

Bloomberg chegou a acusar o movimento de destruir empregos em Wall Street, enquanto Obama adotou a estratégia de não confrontar o Occupy.

Para o ativista, se o então presidente fosse o republicano Donald Trump, talvez o movimento não tivesse sido tão fugaz.

"Eu não sei como ele reagiria. Seria interessante ver. Em algumas maneiras, ele seria simpático, porque ele também se posicionou contra o establishment", diz.

"Por outro lado, Obama ignorou o movimento, o que contribuiu para que perdesse força. Trump tentaria fazer piada, teria tomado decisões impulsivas. O movimento poderia crescer, porque ele poderia ter inflamado o Occupy", afirma.

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