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Em São Bernardo do Campo

Lula diz que Bolsonaro não foi eleito para governar "pros milicianos", detona a Lava Jato e manda recado: "Eu estou de volta"

(Foto: WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO)

Após mais de 580 dias de cárcere, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou ontem (07 de novembro) a prisão em que ficou encarcerago no prédio da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, no bairro Santa Cândida. E neste sábado (08 de novembro), já tratou de iniciar o que, ao tudo indica, será uma nova caminhada muito ativa na vida política brasileira. Em São Bernardo do Campo, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos - mesmo palco onde ocorrera sua prisão, em 7 de abril do ano passado -, o petista fez um discurso forte, com críticas ao governo Bolsonaro, à Força-Tarefa da Operação Lava Jato e um recado aos adversários políticos: "Eu estou de volta e pronto para percorrer este país."

Logo no início de sua fala, Lula comentou que passou "580 dias numa solitária", e relatou como era a rotina de visitar - com rodízio entre advogados e familiares, toda quarta e quinta-feira, duas horas por dia (das 10 às 11 e das 16 às 17 horas). Em seguida, relembrou sobre a sua prisão há mais de um ano e meio.

"Vocês sabem que muitos de vocês não queriam que eu fosse preso no dia 7 de abril do ano passado. Lembro que precisei explicar para vocês o papel que eu tinha de cumprir. Quando o ser humano tem clareza do que quer na vida, do que representa, e tem clareza de que os seus algozes estão mentindo, tomei a decisão de ir para a PF. Poderia ter ido a uma embaixada, a um outro país, mas tomei a decisão de ir lá, porque eu preciso provar que o juiz Moro não era juiz, era um canalha que estava me julgando. Eu precisava provar que o Dallagnol não representa o Ministerio Público, que é uma instituição séria. O Dallagnol montou uma quadrilha com a Força-tarefa da Lava Jato para roubar dinheiro da Petrobras e das empreiteiras. Poderia ter fugido como refugiado político, mas fiquei para ir lá pertinho deles e desmontar a farsa".

O petista afirmou ainda que durante o período em que ficou preso se "preparou espiritualmente" para "não ter ódio, não ter sede de vingança, não odiar meus algozes".

"Cá estou eu, livre como um passarinho, e durmo com a consciência tranquila dos justos e dos honestos. Eu duvido que o Moro ou o Dallagnol durmam com a consciência tranquia que eu durmo. Aliás, eu duvido que o Bolsonaro durma com a consciência tranquila que eu durmo. E eu quero dizer para eles: eu estou de volta", bradou o ex-presidente. "Fiquei 580 dias sem ter com quem falar. Eu agora quero falar", disse na sequência, após uma interrupção no discurso por falhas no microfone.

De acordo com Lula, seu objetivo agora, como cidadão livre (embora ainda condenado), será "reconstruir esse ppaís com a mesma alegria que nós construímos enquanto governamos". Garantiu, ainda, estar com mais coragem de lutar para tentar recuperar o orgulho de ser brasileiro. "Lutar para tentar recuperar o orgulho da gente ser brasileiro. Lutar para que o trabalhador possa ter emprego com carteira assinada e leve dinheiro para garantir o sustento de sua família, ir ao cinema, ao teatro, ter um carro, um computador, um celular, ir num restaurante, e de poder todo final de semana reunir a família, fazer um puta de um churrasco, tomar uma puta duma cerveja gelada."

Política econômica e Paulo Guedes

"Nós só iremos salvar esse país se tivermos coragem de fazer um pouco mais. Estamos vendo o que está acontecendo no Chile. O Chile é o modelo de país que o Guedes quer construir. O modelo de Previdência que o GUedes apovou é o modelo que tem lá. E o povo lá está indo na rua, porque o governo que é eleito não é eleito para destruir, é eleito para governar. "

Derrubar Bolsonaro? Impeachment?

O ex-presidente, então, passou a comentar sobre a possibilidade de o PT ou partidos de esquerdas tentarem um impeachment, a derrubada do governo Bolsonaro.

"A única coisa que eu tô pedindo para vocês é o seguinte: vejo os companheiros reclamar que está difícil levar o povo pra rua, tem gente que fala que precisa derrubar o Bolsonaro, fala em impeachment Esse cidadão foi eleito, tem mandato de quatro anos. Democraticamente nós respeitamos a eleição", ressaltou o ex-presidente, que em seguida partiu ao ataque contra o atual presidente do Brasil.

"Mas ele (Bolsonaro) foi eleito para governar para o povo brasileiro, e não para os milicianos do Rio de Janeiro. É preciso que haja uma perícia séria para que a gente saiba definiticamente quem foi que matou a nossa guerreira chamada Marielle, grande vereadora do Rio de jneiro, grande defensora dos direitos humanos e das mulheres. Ele tem de explicar aonde está o Queiroz. Aonde construiu um patrimônio de 17 casas. Eu fui deputado e fui presidente. Se me virarem com a bunda para baixo não cai uma moeda do bolso. Quero saber como é que eles (Bolsonaros) juntaram tanto dinheiro", cobrou.

"Não podemos permitir que os milicianos acabem com o país"

Lula recordou-se do período em que foi presidente para relembrar, também, a atuação de Bolsonaro durante seus mandatos. "Ele nunca fez um discurso que prestasse, só sabe ofender as mulheres, ofender os negros, os LGBTs, as pessoas mais frágeis e vulneráveis. Eu quero saber porque esse cidadão que se aposentou tão jovem resolveu aumentar o tempo de serviço pro povo brasileiro. Por que estão apresentando um projeto econômico que vai empobrecer ainda mais a sociedade brasileira."

Apesar do cenário negativo na economia desenhado nos últimos anos (com o início dos problemas ainda nos governos do PT, inclusive) e os indícios de uma escalada autoritária na política, Lula disse aos presentes para não ficarem com medo. "Esse país é de 217 milhões, e não podemos permitir qu os milicianos acabem com o país que nós construímos, esse país que era respeitado no mundo inteiro. Ele (Bolsonaro) foi na Arábia e falou que toda mulher gostaria de estar com um príncipe. A ONU já afirmou: esse príncipe matou, esquartejou e fez carne moída de um jornalista. Esse é o príncipe com quem ele vai conversar", criticou o petista. "Enquanto o Bolsonaro quer distribuir armas, nós vamos distribuir livros, nos vamos distribuir emprego, nós vamos distribuir cultura."

"Em 2022, a esquerda vai derrotar a ultra-direita"

Lula também comentou estar disposto a voltar a andar pelo Brasil, a percorrer pelo país para combater a desigualdade social. "O que nós queremos é gente formada no meio do povo brasileiro, gente que conheça como é que mora o pessoal numa palafita, numa favela, nos bairros mais empobrecidos desse país. E quando a gente tiver esse governante, vamos poder consertar o país", declarou.

Sobre sua saúde e capacidade de lutar, de fazer política, garantiu estar ainda jovem. "Estou com 74 anos de idade, energia de 30 e tesão de mais ou menos uns 20 anos. Estou de bem com a vida e vou lutar por esse país. A única coisa que me motiva é que nós já provamos que é possível governar pro povo mais necessitado. Provamos que é possível colocar o povo nas uniersidades, nas escolas técnicas. Provamos que é possível melhorar a educação básica. Provamos que é possível criar 22 milhões de empregos com carteira assinada", disse o ex-presidente. "Em 2022, a chamada esquerda de quem o Bolsonaro tanto tem medo vai derrotar a ultra-direita que nós tanto queremos derrotar. Esse país não merece o governo que tem. Não merece um governo que manda os filhos contar mentira todo dia através de fake news."

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