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Sala de Aula

Meio Ambiente e Saúde Pública

Até meados de 1930 a assistência brasileira à saúde esteve em torno de algumas poucas ações, com políticas voltadas essencialmente ao apoio das áreas agrárias e exportadoras, e apenas ao final da Segunda Guerra o Estado assume algumas obrigações financeiras para ampliar a assistência de saúde à população como um todo.
Desde 1988, com a promulgação da atual Constituição, as políticas públicas de saúde orientam-se pelos princípios de equidade e universalidade no acesso às ações e serviços, porém, infelizmente arrastamos ainda uma enorme precariedade nestas tarefas de interesse comunitário, estando sempre deficitários quanto à promoção, proteção e recuperação da saúde da coletividade, embora algumas áreas profissionais estejam na vanguarda em questões de sustentabilidade e atendimento mais efetivo à população, como é o caso, por exemplo, de uma das mais importantes profissões da área de Saúde, a Enfermagem. Esta começou a ser estruturada como a conhecemos em meados do século XIX, através em grande parte das ações de Florence Nightingale, não esquecendo a participação essencial de Ana Nery em nosso país; pois antes delas o tratamento de doentes estava a cargo apenas de médicos, barbeiros(!) e religiosos, destacadas as freiras que proporcionavam aos feridos e enfermos o conforto possível a suas habilidades e orações.

As noções de higiene e assepsia eram mínimas ou inexistentes: o elementar ato de lavar as mãos antes e depois de tocar no paciente era tido como ofensivo, nem se considerando a manutenção de limpeza constante em ferimentos. Florence, dotada de grande senso de percepção e humanidade, registrou em suas atividades durante a guerra da Crimeia a importância dos cuidados pessoais e ambientais para o tratamento de doentes. Pontuou a grande importância da higiene dos locais em relação a água, esgotos, pureza do ar, iluminação, limpeza. Mais de cem anos antes de se falar em meio ambiente e poluição, esta mulher pragmática e firme enxergou o que hoje quase todos nós sabemos, estabelecendo as bases da Teoria Ambientalista. Esta é focada na assistência humanizada e, dizemos hoje, multifacetada, do paciente, com atenção ao ambiente que o rodeia nos aspectos físicos e psicológicos.

Profissionais desta atividade adquirem cada vez mais prestígio e respeito, e são aqueles mais indicados para a implantação e preservação de boas práticas sustentáveis, por serem talvez os maiores conhecedores dos locais e regiões em que atuam. A sustentabilidade hospitalar é tema sensível, a própria Organização Mundial da Saúde afirma que os hospitais e clínicas consomem quase 5% de toda a energia elétrica produzida no país, além do consumo de água e da geração de esgoto sanitário e de lixo hospitalar e comum.

É imperativo que se adotem compostagem e reciclagem do lixo, tratamento correto dos resíduos hospitalares, descarte adequado de material radiológico usado, uso de produtos biodegradáveis para limpeza, recolhimento correto de óleos de cozinha. Mesmo os alimentos servidos a pacientes, visitantes e profissionais podem ser tratados de modo sustentável, com aproveitamento de cascas e sobras de frutas e verduras para adubar hortas orgânicas do próprio hospital. Com efeito, o nobre ato de “cuidar”, palavra chave da Enfermagem, não pode ser dissociado da atenção com tudo que importa à saúde e bem-estar das pessoas; nisso inclui-se além do ambiente hígido e sustentável, a equidade em todos seus aspectos com destaque ao social.

Justiça Social fundamenta-se nos preceitos políticos e, principalmente, morais relacionados à igualdade de direitos, à garantia de direitos básicos e à solidariedade coletiva. Aplica-se prioritariamente à obtenção da melhoria das condições de vida dos mais pobres e vulneráveis, mas é essencial para toda a sociedade. É lamentável que bons profissionais não possam contar com o auxílio valioso de políticas públicas adequadas a todas as suas necessidades.

Wanda Camargo – educadora e assessora da presidência do Complexo de Ensino Superior do Brasil – UniBrasil.

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