Menina abusada pelo padrasto é submetida a aborto no Recife
Menos de doze horas após ser internada no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), localizado no bairro da Encruzilhada, zona norte do Recife (PE), a menina de 10 anos, que ficou grávida após ser abusada sexualmente pelo padrasto deu, na manhã deste sábado, os primeiros sinais do início do processo de abortamento legal a que foi submetida, com o consentimento da mãe. De acordo com os médicos, o procedimento deve ser concluído neste domingo e a criança pode ter alta na segunda-feira.
O estado de saúde da menina, que vinha sendo vítima de abuso há mais de dois anos, é bom. Segundo a diretora do Cisam, Fátima Maia, a menor estava com 16 semanas e três dias de gestação, aproximadamente. Interrupções de gestações podem ocorrer até por volta da 20ª semana de gravidez, segundo os médicos. O processo foi iniciado por volta das 18h de ontem (09) por meio de uma medicação endovaginal de Misoprostol. A menor vem sendo acompanhada por uma equipe multidisciplinar que inclui psicólogos e assistentes sociais.
Diferentemente do que ocorreu há cerca de um ano, quando outra menina, de nove anos, também vítima de abuso sexual, passou pelo mesmo procedimento na unidade de saúde, não houve polêmica envolvendo as lideranças religiosas da Igreja Católica em Pernambuco. Na ocasião, o então arcebispo dom José Cardoso quis evitar a interrupção da gravidez, excomungou médicos do Cisam e a mãe da vítima.
Sucessor de dom José, o atual arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, declarou-se "triste com a situação" horas antes da internação e ainda sem ter sido oficialmente informado sobre o início do procedimento. "A decisão é dos pais, que têm toda a liberdade para agir da maneira que acharem mais conveniente. Se há um consenso médico de que a vida da mãe corre risco, o aborto é algo a ser considerado. Porém, a Igreja é contrária ao procedimento. Defendemos a preservação da vida, de todas as vidas", declarou o religioso.
O acusado pelo abuso está preso no Centro de Triagem (Cotel). A delegada que investiga o caso, Mariana Vilasboas, espera concluir o inquérito na próxima semana.