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Milhões participam de greve em apoio às mulheres na Espanha

DIOGO BERCITO MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - Em extensas manifestações pelo Dia Internacional da Mulher, a Espanha foi parcialmente paralisada nesta quinta-feira (8). Uma greve de duas horas teve adesão de 5,3 milhões de pessoas, segundo os sindicatos, incluindo homens e mulheres. O país tem 46 milhões de habitantes. O lema do dia era de que “se nós paramos, o mundo é parado”. Houve passeatas em diversas regiões do país, com o apoio dos principais veículos de imprensa. Repórteres do jornal El País, por exemplo, se uniram à greve durante todo o dia —incluindo a filial brasileira sediada em São Paulo— e a cobertura ao vivo do El Mundo foi interrompida durante essas duas horas de protesto. Já os programas matutinos de televisão apresentados por mulheres foram excepcionalmente capitaneados por homens. Jornalistas se reuniram na praça de Callao, em Madri, e leram um manifesto exigindo o fim do machismo nas Redações. Apesar de a maior parte das equipes ser composta por mulheres, “as capas continuam a ser decididas por homens”, diz o texto. Uma das razões para a greve foi apontada por uma pesquisa recente da empresa Metroscopia. Uma de cada três mulheres já se sentiu assediada sexualmente ao menos uma vez na Espanha, segundo o levantamento. Entre os 18 e 34 anos, essa cifra vai a 47% --justamente a idade em que entram no mercado de trabalho. Segundo a Fundação de Estudos de Economia Aplicada, as mulheres ganham 13% menos do que os homens em tarefas semelhantes no país. Elas representam 73% dos contratos de meio período e, em geral, aceitam mais vagas temporárias. Por esses motivos, 82% da população espanhola acredita que há razões o suficiente para a greve de quinta-feira, segundo a Metroscopia, em dados publicados pelo jornal El País. Entre as mulheres, o número nessa mesma sondagem chega a 88%. Em uma manifestação oficial, o premiê espanhol, Mariano Rajoy, disse que seu governo “trabalha pela igualdade real”. “Contamos com a colaboração de todos para chegar à plena participação das mulheres na sociedade nas mesmas condições dos homens”, afirmou o líder do conservador Partido Popular.
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