Sonho e realização

Morador da Grande Curitiba junta latinhas na rua para construir casa para família

"Ariel e o montante de latinhas recolhidas numa das etapas do seu projeto: dedica\u00e7\u00e3o de segunda a segunda para realizar sonho da fam\u00edlia "
"Ariel e o montante de latinhas recolhidas numa das etapas do seu projeto: dedica\u00e7\u00e3o de segunda a segunda para realizar sonho da fam\u00edlia " (Foto: Canal da Cidade)

Há nove anos o servente de pedreiro Ariel Lisboa, de 51 anos, mora com a família numa humilde casa de madeira na Lapa, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), numa estrada que vai para a comunidade do Piripau. O tempo, contudo, foi cruel e a residência deteriou-se. Agora, ele trabalha dia e noite juntando latinhas nas ruas com o intuito de revender o material para conseguir construir uma moradia digna para a família.

Quando se mudou para a residência em que mora, Ariel conta que a família era menor: ele, a esposa Eliane e a filha Dayane. Há três anos, porém, cresceu com o nascimento das duas netas, que são gêmeas. Com o seu salário, de aproximadamente R$ 1,2 mil, garante o sustento dos cinco. Mas pouco sobra para tornar o sonho da casa nova uma realidade.

“Está caindo (a casa). Homem do céu... De noite não durmo pensando nos meus dois anjos.O cupim comeu tudo”, relata ele. “Sou muito humilde e um cara honesto. Por mim eu moro aqui, tudo bem. Mas penso nas netas, minha filha, minha esposa. Tenho medo de um dia chegar em casa e ter caído tudo”, desabafa.

Para conseguir realizar seu projeto, há cerca um ano Ariel começou a juntar latinhas, ideia que lhe surgiu após reparar o quanto de lixo era jogado na rua. Assim, todos os dias, de segunda a sexta-feira, sai de casa às 5h30 e caminha até o trabalho juntando as latinhas que encontra pelo caminho. Às 17 horas, quando encerra o expediente, retoma a caminhada e uma vez mais aproveita para juntar o material de alumínio.

É nos finais de semana, contudo, que concentram-se a maior parte dos esforços de Ariel. Como não trabalha no sábado nem no domingo, já sai de casa na sexta de noite para juntar latinhas e amanhece na rua. “Vou nos postos de gasolina e nos lugares de movimento e fico catando as latinhas que estão no chão ou no lixo. Fico o dia inteiro fora. Só fico um pouco a noite em casa (nos finais de semana), mas bem pouco”, diz.

Em um ano, conseguiu juntar mais de 40 mil latinhas, num total de 510 quilos, sendo que cada quilo é vendido por algo entre R$ 3,50 e R$ 4,00. No início deste mês, vendeu o material e conseguiu R$ 2 mil, dinheiro que usou para comprar tijolos e outros materiais de construção. Com a ajuda de dois vizinhos, que são pedreiros e estão o ajudando gratuitamente, deu início ao sonho de construir a nova casa.

Pedido de ajuda para terminar a obra
Ariel estima que seria necessário juntar pelo menos mais 80 mil latinhas para terminar a obra. Com o que já conseguiu vendendo o material e algumas doações que recebeu, construiu o alicerce e levantou algumas fileiras de tijolos (cerca de 1 metro). A nova casa será simples, com dois quartos, banheiro e uma sala pequena. Mas já será muito melhor e mais segura do que a atual casa da família Lisboa.

Para conseguir erguer a residência mais rapidamente, então, ele pede a ajuda da população. “Pode ajudar com dois, cinco, dez reais. Preciso também de madeira, telha, ripa, mais tijolo”, afirma ele. Ele abriu uma conta no Bradesco, onde recebe doações (agência 0954 e conta 0072174). Mas diz aceitar qualquer tipo de contribuição e doação - quem quiser entrar em contato, pode conversar com a esposa de Ariel, Eliane, por meio do telefone (41) 99805-4295.

“Se o pessoal mandar esse dinheiro na minha conta, eu compraria o material aqui. Doação de material (para quem mora longe, como em Curitiba) é complicado, porque tenho de pagar caminhão para trazer”, explica Ariel. “Móveis usados também aceito. Não tenho nem televisão nessa casa, só uma velha para as meninas assistirem”, diz o servente de pedreiro.

Nem o preconceito conseguiu parar o servente de pedreiro
Quando começou a trabalhar juntando latinhas nas ruas da Lapa, Ariel conta que foi vítima de muito preconceito. “Já fui humilhado. No começo as pessoas olhavam e falavam ‘olha o mendigo passando na rua. Não tem nem o que comer em casa.’ Elas davam risada, fingiam que eu nem existia. Eu passava por elas e não dizia nada. Sempre peço licença antes de pegar as latinhas.” Depois que sua história apareceu num jornal da cidade (chamado o Canal da Cidade), contudo, as coisas começaram a mudar. “Tem muitas pessoas que ajudam, colaboram. Agora estão respeitando, já até chamam pelo meu nome. Estou conhecido na cidade. Pessoas de carrão chegam com latinhas e me dão. Só posso agradecer. Faço tudo pela minha família.”