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Moro diz que hackers de juízes não vão interferir na sua missão

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro Sergio Moro (Justiça) afirmou em rede social que o episódio envolvendo o vazamento de troca de mensagens entre ele e o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Operação Lava Jato, não vai interferir na missão de sua gestão, incluindo a aprovação do projeto anticrime no Congresso.

"Hackers de juízes, procuradores, jornalistas e talvez de parlamentares, bem como suas linhas auxiliares ou escândalos falsos não vão interferir na missão", disse em publicação nesta quarta-feira (12).

Moro postou dados do Sinesp (Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública) que, segundo ele, mostram uma queda de 23% de homicídios em relação ao primeiro bimestre de 2018.

"Muitos fatores influenciam a queda, o mérito não é só do governo federal, mas também dos estaduais e distrital", escreveu. "E mesmo com a redução, os números ainda são altos, precisamos trabalhar muito mais", acrescentou.

Em meio às repercussões da troca de mensagens da época em que era juiz da Lava Jato, Moro foi recebido nesta quarta-feira pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL). Foi o segundo dia consecutivo em que eles se reuniram.

O encontro, que não estava previsto nas agendas, teve a participação também do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo. Os três se reuniram no Palácio do Planalto a pedido de Bolsonaro, segundo a assessoria da Presidência. Não foi informado o assunto tratado por eles.

Na terça (11), segundo o Ministério da Justiça, o ministro e o presidente tiveram uma conversa "tranquila" sobre "a invasão criminosa" de celulares de juízes, procuradores e jornalistas. "O ministro fez todas as ponderações ao presidente, que entendeu as questões que envolvem o caso", afirmou a equipe de comunicação de Moro em nota.

A crise em torno da conduta de Moro como ex-juiz da Lava Jato veio à tona no último domingo (9), quando o site The Intercept Brasil publicou conversas entre ele e Dallagnol que mostram que os dois trocavam avaliações sobre a operação quando o ministro ainda era magistrado do caso.

Moro foi o juiz responsável pela operação em Curitiba. Ele deixou a função ao aceitar o convite do presidente, em novembro, após a eleição.

Sob desgaste, o ministro se ofereceu para ir à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado na próxima quarta (19) para prestar esclarecimentos ao Congresso.

Com essa iniciativa, o ministro busca amenizar o clima para uma eventual criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar possíveis irregularidades em seu comportamento como juiz da Lava Jato.

No Senado, Moro conta com o apoio da bancada do PSL. Já na Câmara a situação do ministro da Justiça é preocupante --nem todos os deputados do partido estão dispostos a defendê-lo publicamente.

Já Bolsonaro tem adotado cautela e ainda não comentou o caso publicamente, chegando a encerrar uma entrevista de forma abrupta ao ser questionado sobre Moro.

Na segunda-feira (10), o porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, disse disse apenas que o governo "jamais" discutiu a demissão do ministro.

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