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Lava Jato

MPF denuncia primo de Richa e contador da família

Fernando e Beto Richa: compra de imóveis suspeita
Fernando e Beto Richa: compra de imóveis suspeita (Foto: Vagner Rosário)

A força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal (MPF) denunciou ontem à Justiça o primo do ex-governador Beto Richa (PSDB), Luiz Abi Antoun e o contador da família, Dirceu Pupo por participação em organização criminosa e corrupção passiva. Os dois são acusados pelo MPF de atuarem como “operadores financeiros” de um esquema de recebimento de propina de concessionárias do pedágio em favor do grupo político do tucano. De acordo com a denúncia, Pupo operacionalizou o recebimento de pelo menos R$ 2,7 milhões, utilizados na aquisição de imóveis em nome da empresa Ocaporã, pertencente à família Richa.
O contador está preso desde o último dia 25, acusado de tentar obstruir as investigações. Luiz Abi deixou o Brasil em setembro de 2018, após ter sido solto por uma liminar concedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes no âmbito da Operação Rádio Patrulha, do Ministério Público do Paraná (MP/PR), que investiga um esquema de fraude em licitações para obras em estradas rurais do programa Patrulha do Campo. O primo do ex-governador também foi alvo de um mandado de prisão temporária na 58.ª fase da Lava Jato, mas segue até hoje no Líbano.
A denúncia é um desdobramento da Operação Integração II, que tornou réus no final de janeiro o ex-governador; seu irmão, Jose Pepe Richa Filho, ex-secretário de Infraestrutura e Logística do Estado; a esposa do tucano, Fernanda Richa e o contador; além de vários outros agentes públicos e privados envolvidos no esquema.
Caixa geral - Segundo as investigações, Luiz Abi atuava como o “caixa geral de propinas” arrecadadas em diversos setores do governo do Estado em favor do ex-governador. Já Dirceu Pupo tinha a função de promover a “lavagem” do dinheiro arrecadado com as propinas recebidas por Antoun em nome de Beto Richa, através da aquisição de imóveis.
De acordo com a denúncia, os valores utilizados por Dirceu Pupo para as aquisições dissimuladas de imóveis em favor da empresa da família Richa tinham como origem as propinas recebidas em espécie por Luiz Abi e Pepe Richa em nome do ex-governador, posteriormente, repassadas ao contador. Segundo o MPF, Luiz Abi administrava o caixa das propinas e Pepe Richa arrecadava o dinheiro das empresa que mantinham contratos com a Secretaria de Infraestrutura e Logística, incluindo as concessionárias de pedágio.
Chefe - Através de dados de celulares e registros do DER, os investigadores dizem ter identificado diversos encontros de Dirceu Pupo com Luiz Abi e Pepe Richa. Além disso, mensagens identificadas no celular do contador revelaram que ele, juntamente com Ricardo Rached, gerenciavam o pagamento de despesas pessoais de Beto Richa. Nas mensagens, Rached e Pupo referiam-se ao ex-governador como “chefe”. Já em outras mensagens identificadas, Beto Richa, apesar de não ter qualquer vínculo formal, convocava Pupo para que comparecesse em reuniões no Palácio Iguaçu e em sua casa.
No caso de Luiz Abi, os encontros com Pupo e Pepe Richa, segundo o MPF, eram encobertos com formas atípicas de registro do primo do ex-governador no prédio do DER, sem que constassem o número de sua identidade e o funcionário que visitaria. De acordo com as investigações, há evidências de que esses encontros foram utilizados para promover o repasse de recursos de propina arrecadados por Luiz Abi das concessionárias de pedágio.

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