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Exterior

Mulher diz ter sofrido estupro coletivo em festa com juiz indicado por Trump

WASHINGTON E NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - Uma mulher acusa o juiz Brett Kavanaugh, indicado pelo presidente Donald Trump à Suprema Corte, de ter participado de uma festa em 1982 onde ela foi vítima de estupro coletivo. Na época, ele tinha 17 anos.

Julie Swetnick, de Washington, teve a identidade revelada nesta quarta (26) e é a terceira mulher a acusar o magistrado de crime ou delito sexual.

O juiz negou o relato. "Isso é ridículo e fantasioso", disse em nota emitida pela Casa Branca. "Não sei quem é essa pessoa, e isso nunca aconteceu."

Antes de Swetnick, Christine Blasey Ford acusou Kavanaugh de tê-la atacado sexualmente em uma festa de estudantes nos anos 1980, e Deborah Ramirez, colega de faculdade do juiz, disse ter sido forçada a tocar em seu pênis.

A nova vítima não disse que Kavanaugh participou do estupro. Ela afirma que, durante o ato, estava sob o efeito de drogas sedativas que teriam sido colocadas em sua bebida.

Swetnick diz ainda que testemunhou Kavanaugh, então adolescente, beber excessivamente em festas e demonstrar comportamentos abusivos e fisicamente agressivos contra garotas. Ela alega que o juiz e amigos tentavam embebedar meninas para que pudessem ser estupradas pelo grupo.

Nesta quinta (27), Kavanaugh e Ford serão ouvidos no Senado sobre as acusações como parte do processo de confirmação do juiz. O Comitê do Judiciário afirmou que a audiência está mantida. "Já estamos olhando isso [as acusações]", disse o presidente do comitê, Chuck Grassley.

Na audiência, Kavanaugh deve dizer que, "embora não seja perfeito", não é culpado.

"Eu bebia com meus amigos, geralmente aos fins de semana. Às vezes, eu bebia demais", diz um trecho do depoimento divulgado nesta quarta. "Disse e fiz coisas no ensino médio que me envergonham hoje."

O juiz também deve reiterar que "nunca fez nada remotamente parecido" com o que Ford alega e que agressões sexuais são "moralmente erradas" e contrariam seus valores católicos.

Trump, que vem defendendo o juiz nos últimos dias, disse que seu indicado é alvo de "falsas acusações" e que o advogado de Swetnick, Michael Avenatti, "é um advogado de terceira muito bom em fazer acusações falsas, como fez comigo" -Avenatti representa a atriz pornô Stormy Daniels, que alega ter tido um caso com o presidente e ter recebido dinheiro para se calar.

Mais tarde, porém, Trump afirmou em entrevista coletiva em Nova York, onde está para a Assembleia-Geral da ONU, que pode mudar de ideia a respeito da nomeação após ouvir os depoimentos das supostas vítimas.

"Elas terão a chance de falar amanhã [quinta], creio. Estão dando às mulheres uma grande chance de falar", afirmou na entrevista. "Elas podem dizer que mudaram de ideia. Eu posso ser persuadido. Elas podem ser convincentes."

O republicano, porém, disse que no momento acredita que é tudo falso e que o que fizeram a Kavanaugh não é justo. "Destruíram a reputação de um homem e querem mais. [Vejam] o que fizeram com a família, com as belas crianças dele, com a mulher."

Trump questionou por que as mulheres demoraram tantos anos para vir a público. "Por que não trouxeram isso desde o começo?"

A sucessão de acusações tem atrasado o processo de nomeação de Kavanaugh, o segundo juiz que Trump indica para a máxima instância judicial do país. O primeiro foi Neil Gorsuch, um conservador moderado, indicado após o processo de preenchimento de outra vaga iniciado por Barack Obama ser atrasado pela bancada republicana.

Com Kavanaugh e Gorsuch, Trump consegue mudar o equilíbrio do Supremo, que passa a ter quatro progressistas e cinco conversadores.

Mas se Kavanaugh for rejeitado ou substituído, e as eleições legislativas de novembro resultarem em maioria democrata, o processo deve se alongar até a nova legislatura assumir, em 2019, dificultando a ascensão de um radical.

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