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Entrevista com o diretor do filme ‘Turma da Mônica: Laços’

‘Nosso termômetro foi o brilho no olhar de Mauricio de Sousa’, diz Daniel Rezende

Cascão (Gabriel Moreira), a Mônica (Giulia Benite), Cebolinha (Kevin Vechiatto) e Magali (Laura Rauseo): amigos no filme e na vida real durante as filmagens
Cascão (Gabriel Moreira), a Mônica (Giulia Benite), Cebolinha (Kevin Vechiatto) e Magali (Laura Rauseo): amigos no filme e na vida real durante as filmagens (Foto: Divulgação)

Difícil encontrar algum brasileiro que não conheça a Turma da Mõnica, desenhada e criada pelo cartunista Mauricio de Sousa. E não é para menos, a história desta turma está na vida dos brasileiros há 60 anos. Foi em 1959 que Mauricio de Sousa conseguiu emplacar a sua primeira tirinha , do cãozinho Bidu, em um jornal de São Paulo. Depois vieram Cebolinha, em 1960, Cascão, em 1961, e a Mõnica, inspirada na filha de Mauricio, em 1963, quando nem o criador imaginava que a baixinha, dentuça e brava seria a dona de uma rua no bairro do Limoeiro, e muitos outros personagens. Por tudo isso, o projeto de levar a turma para o cinema em live-action é mais que audaciosa, afinal é mexer com o imaginário de várias gerações de uma vez só. O filme ‘Turma da Mônica: Laços’ estreia na próxima quinta (27) nos cinemas do Brasil. 

Quem topou o desafio de fazer o filme foi o diretor Daniel Rezende, que ganhou um Bafta e uma indicação ao Oscar pelo filme ‘Cidade de Deus’. E ele confessa que, apesar da vontade e do sonho de fazer parte desta transposição dos quadrinhos para a telona, teve muito medo até encontrar uma maneira de enfrentar o desafio. “Primeiro eu tive medo, afinal de contas todos os brasileiros têm no imaginário coletivo essa turminha. Foi quando eu adotei uma estratégia: em vez de querer de agradar todos os brasileiros, nós focamos em agradar uma única pessoa que é o Mauricio de Sousa. O nosso termômetro sempre foi se o olho dele estiver brilhando durante todo o processo, estamos no caminho certo”, contou Rezende, em entrevista ao Bem Paraná, pouco antes da pré-estreia do filme no cinema UCI, no Shopping Estação, em Curitiba, na última quinta-feira (20).

“E o olho de Maurício brilhou com o roteiro, com a escolha do elenco, principalmente, e em todas as adaptações que tivemos que fazer ao retratar o bairro do Limoeiro, as vestimentas, os objetos e brilhou muito quando ele viu o filme pronto”, contou o diretor, que até postou nas redes sociais um vídeo que mostra Mauricio de Sousa chorando após a exibição do filme. “E nem era a primeira vez que ele estava vendo o filme, era a quarta vez. Ver o criador depois de 60 anos ainda se emocionar foi um sinal de que cumprimos o nosso dever”. De acordo com ele, toda a produção do filme envolveu cerca de 500 pessoas que se dedicaram muito ao longo de quase dois anos. “E foi muito especial porque todos os envolvidos eram fãs da Turma da Mõnica. Isso imprimiu na tela e principalmente nas quatro crianças maravilhosas, que estrelam o longa”, diz ele, se referindo a Giulia Benite, a Mônica; Kevin Vechiatto, o Cebolinha; Gabriel Moreira, o Cascão; e Laura Rauseo, a Magali.
No filme, Floquinho, o cachorro de estimação do Cebolinha, desaparece, e a turma toda sai à procura do cãozinho, provando que a amizade é um dos valores mais importantes para unir as pessoas. “Uma mensagem muito legal para adultos e crianças, principalmente neste tempos. Tem aventura, comédia, suspense, diversão e principalmente muita emoção. É um longa para crianças e os adultos também. Tem nostalgia, mas tem coisa nova. Está cheio de easter eggs para os fãs”, avisou o diretor, que já promete continuação para alegria dos fãs.

Na história, Floquinho desaparece de repente e a turma toda se reúne para procurar o cachorro do Cebolinha em uma aventura que vai muito além do bairro do Limoeiro. Com diversas locações no interior de São Paulo e também em Minas Gerais, o longa foi rodado em sete semanas, mas o desenvolvimento começou muito antes disso: “A gente teve vários meses de preparação porque as crianças não leram um roteiro. Todas as cenas a gente foi criando a partir de improvisação”, explicou.
Rezende parece ter levado para a vida a tática de enxergar o sucesso de um filme no brilho dos olhos das pessoas. Ele ficou escondido no canto do cinema de Curitiba durante os primeiros 20 minutos de exibição do filme, mas não estava olhando para a tela, mas sim para o público, provavelmente observando o brilho nos olhos. Deve ter saído feliz, porque tinham muitos olhos brilhando naquela sala de cinema, já nas primeiras cenas, inclusive os meus.

Atores parecem amigos desde berço

Quem conversa com os quatro atores-mirins que fazem o filme ‘Turma da Mônica: Laços’ acontecer na telona tem a sensação de que eles são amigos desde o berço, assim como a Mõnica, o Cebolinha, a Magali e o Cascão. São cúmplices nas respostas, nos olhares, nas risadas e sabem até as respostas do outro para as perguntas.

A atriz Giulia Benite, 10 anos, que interpreta a Monica conta que a amizade começou já na preparação do elenco, que durou uns 40 dias. “Ali a gente ficou bem junto, todos os dias, viramos uma família. Quando fomos filmar já estávamos amigos de verdade, como é até hoje”, contou ela, em entrevista ao Bem Paraná. Como as cenas eram feitas no improviso, havia muita risada antes e depois das filmagens. “A gente seguia o texto claro, mas com as nossas palavras, tudo ficava bem natural, viramos uma turma de verdade”, lembrou Kevin Vechiatto, o Cebolinha, de 12 anos.

O fato de as histórias da Turma da Mõnica não serem uma novidade para o quarteto de atores mirins também ajudou a criar o clima de naturalidade que permeia todo o longa. “Eu leio gibis da Turma da Mõnica desde quando estava aprendendo a ler na escolas. As professoras usam muito na sala de aula. Não era algo novo, mas nem por isso menos mágico”, conta a atriz Laura Rauseo, 10 anos, que interpreta a faminta e meiga Magali.

Foram mais de 100 crianças inscritas para os testes de elenco. “Eu fiquei muito na expectativa nos testes, mas sempre tentando manter o pé no chão. Eu dizia para mim mesmo se eu não passar tudo bem, é só um trabalho. Tem que ser legal Mas por ser a Turma da Mônica foi difícil ficar calmo”, contou Kevin. “Quando eu soube que passei foi muito emoção, até porque foi o próprio Maurício de Sousa que nos contou. Chorei muito”, contou Giulia. “Eu fiquei emocionado, mas só consegui gritar: Caracaaa”, lembrou Gabriel Moreira, 10 anos, que faz o Cascão.

O anúncio dos escolhidos, aliás, foi um capítulo emocionante do filme ‘Turma da Mônica: Laços’. A produção chamou as quatro crianças selecionadas com a desculpa de que era a segunda fase do teste. Giulia lembrou que o diretor Daniel Rezende disse que estava cheio de pessoas da imprensa e que queriam saber como o quarteto reagiria à situação. “Daí eu vi minha mãe chorando muito. Eu pensei: ué, o que tá acontecendo? Resolvi virar. Foi quando eu vi o Maurício Sousa e a Mônica Sousa”, lembrou Kevin. “Eles falaram um monte de coisa, mas eu só lembro quando disseram: ‘vocês passaram’. Daí chorei muito”, confessou Laura.

A história é uma adaptação direta da graphic novel de mesmo nome lançada pelos irmãos Lu e Vitor Cafaggi em 2013, parte da linha que entrega os personagens de Mauricio para outros autores, a Graphic MSP.

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