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Espetáculo 'em trânsito'

Novo show de Lenine é uma ode ao processo de criação da canção

Cantor e compositor se apresenta no próximo sábado, no Teatro Ópera de Arame, e deu entrevista ao Bem Paraná
Novo show de Lenine é uma ode ao processo de criação da canção
Lenine: “Só me vem à mente memórias queridas de Curitiba” (Foto: Flora Pimentel)

Em sua nova construção, ‘Em Trânsito’, Lenine ressignifica a pergunta retórica formulada originalmente em Chão (2011). Ressignifica, sim, pois estando em novas circunstâncias passa a ser uma nova pergunta - o tal “sempre outro rio a passar” que Heráclito ensinou a Quintana*. E talvez seja sua própria resposta: canção é processo, vem de muitos ondes, vai para outros tantos. Em Trânsito é uma ode ao processo. Não à toa, subverte a ordem que se nos impuseram (disco de estúdio / show / disco ao vivo). Tudo do avesso porque é tudo processo. É livre de obrigações, desemoldurado. Esse novo Lenine, já consagrado como cantor e compositor, mas sempre inquieto com as novidades, aporta nos palcos curitibanos neste sábado (23), com a nova turnê, que leva o nome do último álbum. Em uma conversa com o Bem Paraná, ele contou sobre as novidades que permeiam o novo lançamento. 

Bem Paraná — O “Em Trânsito” foi realizado de maneira diferente do usual: você gravou o álbum diretamente ao vivo, quando o comum é o artista lançar um CD de estúdio e só depois, o registro ao vivo. Como surgiu essa ideia?
Lenine —
Como o álbum fala essencialmente sobre mudanças, foi uma opção a utilização desse esquema, para servir como representação de um período de transições. A princípio, eu não queria gravar um álbum de estúdio, estava em busca de um estímulo diferente. Foi quando me falaram da minha alegria em estar no palco, tocando nos shows. Isso serviu para eu começar a desenrolar a ideia. No início do ano, foi realizado um show no Imperator, no Rio, apenas para pessoas íntimas, não-aberto ao público. Diante desse show inicial, nós fomos adaptando o produto para atender todos os meios da comunicação: show, CD, DVD, documentário. E me pareceu natural inverter o processo. Afinal, estamos em constante mudança, e a minha proposta era justamente essa: fugir do lugar comum.

Bem Paraná — Em agosto, o álbum vai ganhar versões em LP e DVD. Você pode adiantar se o material será o mesmo, ou algumas novidades podem surgir?
Lenine —
Além do lançamento do LP, DVD e do documentário, vamos pegar canções inéditas do show, e gravá-las em estúdio, para lançamento nos serviços de streaming. Como um dos pilares desse novo álbum é o movimento, nada será estático no trabalho, buscaremos sempre inserir alguma novidade. Posso dizer que a narrativa, o show em si, é a versão sem cortes do diretor (risos). Com toda a liberdade que isso ocasiona.

Bem Paraná — Uma coisa que fica clara durante a audição do álbum é de que se trata de uma criação coletiva. As parcerias influenciaram no rumo do trabalho? Você tinha alguma ideia e ela mudou por causa do trabalho em grupo?
Lenine —
Minha carreira, desde o início, foi pautada e impulsionada pelo trabalho coletivo. Ao longo dos anos, essa dinâmica foi se aperfeiçoando, então nunca é um trabalho de um homem só. A compreensão do foco sempre passa pelo trabalho familiar, dentro dessa construção coletiva. E eu sempre realizo meus projetos com as pessoas mais íntimas, por uma questão de agilidade também. Falta tempo para realizar um aprimoramento do trabalho, em se tratando de outros nomes, então esse esforço coletivo com as pessoas mais próximas facilita e muito todo o processo.

Bem Paraná — O álbum possui uma atmosfera desesperançosa em algumas letras. Até qual ponto os últimos acontecimentos te influenciaram nas composições?
Lenine —
Influenciou, com certeza. Nós vivemos um momento distópico. O meu objetivo foi abordar o pessimismo para reforçar a delicadeza. Afinal, isso sim, é uma conduta, é o que podemos chamar de prefácio.

Bem Paraná — Nesse trabalho, você deixou um pouco de lado o trabalho com o violão. Foi uma escolha valorizar o seu lado intérprete, ou isso surgiu após o desenrolar do trabalho?
Lenine —
O ‘Em Trânsito’ conta com 40% de participação do meu violão, não o evitei por completo. O que foi intencional foi a procura por uma extensão corporal. Eu não queria repetir trabalhos anteriores. Então escolhi esse caminho de valorizar voz, palavras, a melodia vocal.

Bem Paraná — Você sempre passa por Curitiba com suas turnês. Como é a sua relação com os fãs curitibanos?
Lenine —
A melhor possível. A plateia sempre foi muito respeitosa com o meu trabalho. Em toda a minha trajetória, só me vem à mente memórias queridas de Curitiba.

Bem Paraná — Para finalizar: seja em Curitiba, ou em outro local, há alguma canção que não pode ficar de fora do repertório?
Lenine —
Ah, sempre tem canções que ficam de fora, eu sempre retiro algumas (risos). Mas não deixamos o público carente: no bis devemos aparecer com quatro ou cinco canções queridas pelo público. Sem cortes (risos)

Serviço
Lenine com show ‘Em Trânsito’
Quando: 23 de junho (sábado), às 21h30
Onde: Ópera de Arame (João Gava s/nº, Abranches)
Quanto: R$ 40 a R$ 80 à venda no diskingresso

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