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Papo Reto

O 5 a 1 do STF contra o Brasil

A seleção brasileira enfrenta hoje o terceiro e último jogo da primeira fase da Copa do Mundo da Rússia. Precisando de no mínimo um empate, o Brasil enfrenta a Sérvia às 15h. Neste horário já saberemos a posição da Alemanha no grupo F que pode ser o nosso próximo adversário nas oitavas de final. 
Você caro leitor, assim como quase todos os brasileiros, deve relembrar rapidamente da vitória dos alemães por 7 a 1 contra o Brasil na Copa de 2014. De fato este resultado marcou a história da seleção e por diversas gerações seremos relembrados quando Brasil e Alemanha se enfrentarem.
Mas enquanto as atenções se voltam para a Copa do Mundo, nós brasileiros vamos acumulando outras derrotas. A 2º turma do Supremo Tribunal Federal (STF) nos aplicou uma goleada ontem. Sofremos um revés de 5 a 1 – quase o mesmo placar contra os alemães. E neste caso os “gols” foram marcados por aqueles que são os guardiões da nossa defesa. 
Vossas excelências os ministros Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Gilmar Mendes resolveram abrir a porteira e provocar uma cascata de decisões que beneficiam – todas elas – pessoas envolvidas com escândalo de corrupção.  
Listo aqui as cinco derrotas que foram impostas pelos ministros Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Gilmar Mendes contra nós brasileiros: decisão pela soltura do ex-ministro José Dirceu e João Cláudio Genu – ambos presos pela Operação Lava Jato. No caso de Dirceu, o trio de “atacantes da 2º turma” resolveu desconsiderar o entendimento do pleno da Suprema Corte com relação ao início do cumprimento da pena após decisão de segunda instância. 
Outros dois personagens da Lava Jato também foram beneficiados ontem pelo STF. Os três ministros, repito, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, acolheram o pedido de Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo, este último foi preso pela Polícia Federal, e anulou provas recolhidas na busca realizada no apartamento funcional dela, no âmbito da Operação Custo Brasil – um desdobramento da Lava Jato. 
Os outros dois gols que nós brasileiros levamos foi o trancamento da ação penal contra Fernando Capez, envolvido com máfia da merenda em São Paulo e por último, não menos dolorido, a soltura de Milton Lyra preso pela PF na Operação Rizoma apontado como lobista ligado ao MDB. Lyra foi detido por supostos desvios nos fundos de pensão Postalis, dos Correios, e Serpros, do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro).
Não é somente a Copa do Mundo da Rússia que inflou a coragem de parte dos ministros da 2º turma em “liberar geral”. Há pouco mais de duas semanas houve uma importante mudança no colegiado da turma. Lewandowski foi escolhido para presidir a turma substituindo assim o ministro Edson Fachin – que aliás foi vencido em todas as cinco votações elencadas acima. Dentro das quatro linhas, Fachin mais parecia o zagueiro David Luiz após a acachapante derrota de 7 a 1. Só faltaram as lágrimas.    
O subprocurador Carlos Alberto Carvalho de Vilhena representante da Procuradoria Geral da República (PGR) na 2º turma do STF, chegou a reclamar com Lewandowski relatando o atropelo dos ministros nas votações de suma importância para o país. Ouviu de Lewandowski que que a reclamação não faz sentido, que a PGR teve possibilidade de se manifestar. 
O que se viu ontem na sessão da 2º Turma foi, literalmente, um atropelo. Parecia um Barcelona x Prudentópolis, sem nenhuma ofensa ao time que disputa a quarta divisão do Brasileirão – que inclusive já venceu o Campeonato Paranaense. Como bem narrou Galvão Bueno “virou passeio”. 
Provavelmente, uma eventual derrota e desclassificação da seleção brasileira hoje na Copa do Mundo da Rússia vai entristecer muito a população brasileira. Carente de praticamente tudo, o futebol há anos é uma fuga que os brasileiros têm para encarar os desmandos e a corrupção que assola o país. Só que mais do que a desclassificação, a derrota que nos foi imposta pelos ministros Lewandowski, Dias Toffoli e Gilmar Mendes deveria doer muito mais. 
É um duro golpe na longínqua e nos parece infrutífera tentativa que o país trava para ao menos minimizar os escândalos de corrupção. Assim como o 7 a 1 da Copa do Mundo do Brasil em 2014, o 5 a 1 do STF ontem foi tão ou mais dolorido para os brasileiros. Pena que a enorme maioria deles não perceba isso. 
Pena que nós brasileiros não temos acesso ao sistema de vídeo-arbitragem VAR (sigla em inglês de video assistant referee ou árbitro assistente de vídeo), disponível na Copa do Mundo de 2018, para rever as desastrosas decisões da 2º turma. Com certeza, impediríamos esta vergonhosa goleada. 

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