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Fundação Oswaldo Cruz

Coronavírus e gripe juntos: Paraná está a dois meses de um pico de síndromes respiratórias

Com 1.271 casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus e 77 mortes decorrentes da Covid-19, o Paraná terá um grande desafio nos próximos meses. De acordo com o Ministério da Saúde, estados da região sul e sudeste devem registrar, de forma concomitante, o pico de casos de coronavírus e de gripe/influenza. E isso, segundo mostra o histórico do InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz), deve acontecer daqui a dois meses, aproximadamente.

Para descobrir quando costuma haver um maior número de internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), o Bem Paraná levantou os dados do InfoGripe semana a semana, de 2010 até hoje. Esses registros mostram que, entre 2010 e 2019, foi entre as semanas 26 e 28, entre o final de junho e o começo de julho, que o estado teve uma concentração mais significativa de hospitalizações por SRAG.

Por ano, o Paraná registra, em média, 3.076 internações por SRAG. A fase mais intensa de hospitalizações relacionadas a problemas respiratórios costuma se iniciar na semana 19, ou seja, a próxima semana (3 de maio a 9 de maio), e só se encerra depois da semana 29 (que neste ano cairá entre os dias 12 e 18 de julho). Dentro desse intervalo, o período com mais internações acontece entre as semanas 26 e 28 (21 de junho a 11 de julho), que costumam registrar 13,45% do total de internações por SRAG num único ano.

Os casos de SRAG são de notificação obrigatórios em todo o país e incluem hospitalizações de pacientes que apresentaram sintomas como febre, tosse ou dor de garganta e dificuldade de respirar e óbitos de pessoas que apresentaram esses sintomas, mesmo que não tenham sido hospitalizados. Este quadro pode ser resultado de vírus respiratórios, como o vírus da influenza e, mais recentemente, o novo coronavírus.

Antes de deixar o Ministério da Saúde, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta chegou a comentar sobre o assunto em uma de suas últimas entrevistas coletivas, no dia 15 de abril. Na ocasião, destacou que o Brasil teria um “desafio a mais” do que outros países.

“Os outros países tiveram primeiro a temporada de gripe deles, de influenza. Quando saíram dessa temporada de influenza, tiveram a de corona. É o caso de Nova Iorque. Eles já tinham terminado o inverno, estão na primavera e estão tendo corona. O nosso, não. Nós estamos no outono, entrando no inverno. E vamos ter a nossa sazonalidade de influenza junto, sobreposta com a de corona”, comentou Mandetta.

Na região Sul do país, destacou ainda o ex-ministro, a situação seria mais preocupante pelo fato de a população idosa ser mais significativa dentro do total da população, na comparação com outras regiões. No Paraná, por exemplo, a estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é que haja uma população de 11,52 milhões de pessoas, das quais 1,78 milhão (15,5% do total) tenham mais de 60 anos, população considerada de maior risco para a Covid-19 e também para a gripe sazonal.

“Nos preocupa muito as SRAG em estados do Sul, por conta da faixa etária da população. [Em pessoas] Acima de 60 anos o coronavírus começa a ter uma letalidade maior e um número muito grande de hospitalizações”, afirmou ainda Mandetta.

No ano, internações estão 380% acima da média histórica

Até o momento, o Paraná teve um total de 2.525 casos já reportados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no ano. Para se ter noção do que isso representa, a média histórica para esse período é que tivéssemos um total de 526 casos. Ou seja, as internações por SRAG estão 380% acima da média histórica.

O índice de hospitalizações no estado começou a aumentar de forma mais significativa a partir da semana 11, entre os dias 8 e 14 de março, coincidindo com o início da circulação do novo coronavírus em território paranaense. Desde então foram registradas pelo menos 2.134 internações por SRAG no Paraná e, embora a tendência de alta nas últimas semanas seja menos acentuada do que as observadas nas semanas anteriores, a Fiocruz aponta que os dados ainda não indicam estabilização e exigem cautela.

“O atraso nas notificações dos casos, que precisam ser registrados no banco de dados pelas unidades de saúde, pode interferir nos resultados, que são calculados por estimativas que depois confirmadas pelos os dados consolidados”, aponta a Fundação.

No país, mortes por SRAG crescem mais de 1.000%

Desde o cdia 16 de março, quando o Brasil registrou o primeiro óbito por Covid-19, os Cartórios de Registro Civil de todo o país registraram um aumento de 1.012% nos números de mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Até ontem às 12 horas, eram 1.784 registros, ao passo que no mesmo período do ano passado haviam sido registrados 149 óbitos causados por SRAG.

Considerando-se apenas os dados do Paraná, o crescimento verificado nesse mesmo intervalo temporal (16 de março a 28 de abril) foi de 260%, saltando de 10 mortes em 2019 para 36 neste ano. Só em Curitiba foram sete óbitos causados por síndromes respiratórias desde o dia 16 de março, enquanto no ano anterior foram duas mortes.

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