Parece coisa de série, mas é a vida real

Paraná se aproxima da ‘segunda temporada’ com frio, coronavírus e gripe

Clima influencia nas síndromes respiratórias: todo cuidado
Clima influencia nas síndromes respiratórias: todo cuidado (Foto: Franklin de Freitas)

Popularizada pela série televisiva Game of Thrones, a frase “Winter is coming” (“O inverno está chegando”), lema da Casa Stark na atração, traz um aviso de alerta e vigilância constante. Um recado que, em tempos de pandemia, faz muito sentido de ser dado também aos paranaenses, uma vez que se acredita que o coronavírus propague mais quando faz frio. Um sinal, portanto, que os cuidados devem ser reforçados neste momento.

Desenvolvido pelo Laboratório de Climatologia (Laboclima) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o Sistema de Alerta Climático para Enfermidades Respiratórias (SACER) apresenta, neste momento, um nível de alerta entre médio e alto no Paraná. Nas últimas semanas, porém, já se começou a registrar um aumento significativo nos níveis de alerta na maior parte do estado, num reflexo da diminuição gradativa das temperaturas durante o outono.

Isso acontece porque, como todo vírus, o coronavírus encontra condições mais favoráveis para se propagar com tempo seco e frio. É que sem gotas de água na atmosfera, o vírus fica mais tempo em suspensão no ar, podendo ser carregado mais facilmente de um lugar para o outro. Além disso, nos períodos frios as pessoas também costumam ficar em ambientes mais fechados, o que reduz a circulação do ar e, novamente, aumenta o risco de contágio.

Historicamente, segundo dados do InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz), o Paraná costuma começar a registrar um aumento no número de hospitalizações relacionadas a problemas respiratórios já no começo de maio, com pico de internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) entre o final de junho e meados de julho. Em 2020, inclusive, o primeiro pico de casos e mortes por Covid-19 aconteceu próximo dessa época, entre os meses de julho e agosto – e dentro do inverno, portanto.

Antes do novo coronavírus, porém, o comportamento das SRAGs era mais ‘previsível’, com grande concentração de casos na época de maior frio (ou seja, no inverno) e queda gradativa das ocorrências na medida em que o calor aumentava e o verão se aproximava. Com a pandemia, esse cenário mudou e desde março do ano passado o número de hospitalizações por SRAG tem se mantido em níveis elevadíssimos, com todo o país na chamada ‘zona de risco’, o que indica uma incidência muito acima do esperado.

Até aqui, já foram superadas três ondas ou três picos da doença pandêmica no Paraná. Para que se evite pela quarta vez uma escalada da crise sanitária, o recomendado é que as pessoas reforcem as medidas de prevenção (uso de máscara, higiene das mãos), reforcem as medidas de segurança (evitando aglomerações) e procurem sempre ficar em ambientes bem arejados.