Covid-19

Pelo menos um em cada 100 assintomáticos testados pela UFPR estava contaminado

Testagens começaram em outubro com sequência neste início de ano
Testagens começaram em outubro com sequência neste início de ano (Foto: Acacio Pinheiro AG Brasilia)

De cada 100 pessoas que não apresentam sintoma associado à Covid-19, pelo menos uma está contaminada pelo novo coronavírus, tornando-se um potencial transmissor do vírus sem sequer imaginar que foi infectado. É isso o que mostram os resultados mais recentes dos mutirões para testagem de pessoas assintomáticas, realizados ao longo de 2020 e neste começo de 2021 pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Na edição mais recente do estudo, coordenado pelos laboratórios de Imunogenética e Histocompatibilidade (Ligh) e de Citogenética Humana e Oncogenética (LabCho), foram testadas 1.692 pessoas no dia 12 de janeiro, entre funcionários terceirizados da instituição, alunos, servidores e seus familiares. Ao todo, 23 resultados deram positivo para a presença do vírus, o que aponta que 1,4% dos testados estavam contaminados. Seria como se, num grupo de 200 pessoas sem qualquer sintoma, três estivessem infectadas e potencialmente transmitindo o vírus sem o saber.

Um ponto a ser destacado, contudo, é que grande parte do público testado na pesquisa está em trabalho ou aulas remotas, circulando menos e, portanto, menos exposto ao risco de contaminação. Não à toa, o porcentual de contaminados foi maior entre os trabalhadores terceirizados: no mutirão mais recente, foram três resultados positivos entre os 142 testados (frequência de 2,11%).

“Essa situação possivelmente está relacionada ao fato de esses funcionários irem trabalhar diariamente, diferentemente dos outros grupos que, em maior parte, desenvolvem suas atividades de forma remota. Normalmente esses trabalhadores também utilizam transporte público e, portanto, estão mais sujeitos à aglomeração”, explica Daniela Fiori Gradia, coordenadora do projeto e professora de Genética da UFPR.

Importante ressaltar também que os dados aqui citados não fazem parte de um estudo epidemiológico, uma vez que a comunidade universitária testada não representa a população geral de Curitiba (inclusive, não foram testados menos de 18 anos e nem idosos). Assim sendo, o objetivo dos mutirões é identificar indivíduos contaminados e propiciar o isolamento como medida para evitar propagação da doença e contaminação de outras pessoas.

De toda forma, não deixa de chamar a atenção os dados levantados, que indicam uma parcela importante de contaminados assintomáticos entre a população, reforçando ainda mais a importância de medidas de isolamento social e uso de máscaras. “É uma taxa bastante alta de pessoas que estão contaminadas com o vírus, mas não apresentam nenhum sintoma e podem transmitir para outros indivíduos”, finaliza Daniela Gradia.

Identificação ajuda que vírus não se alastre com facilidade

A testagem de assintomáticos possibilita identificar pessoas contaminadas e orientar para o isolamento social, medida que diminui a disseminação do vírus em ambientes que a pessoa continuaria circulando. “Além disso, o sistema estadual de testagem não contempla os indivíduos assintomáticos. Como não há essa identificação, eles não são isolados. Assim, estamos contribuindo para reduzir o número de indivíduos infectados circulando pela cidade”, esclarece Daniela.

O objetivo é manter uma rotina frequente para testar membros da comunidade universitária sem sintomas que estejam transitando pela UFPR.

A proposta da Universidade é realizar testagens quinzenalmente para monitorar a comunidade interna da instituição. Essa ação permite identificar potenciais transmissores do vírus, promover o isolamento desses indivíduos e testar aqueles que entraram em contato com as pessoas contaminadas.

SAIBA

Como são feitos os exames

Os testes que estão realizados são do tipo RT–PCR, que detecta o material genético do vírus. Porém o procedimento adotado nesse estudo é o de coleta de saliva e não por meio de swab nasal. “Além do fato de essa técnica não ser tão invasiva, o sistema é de auto coleta por parte dos participantes. Isso diminui muito o risco para a equipe que trabalha no projeto, já que não há contato direto com as secreções dos indivíduos”, explica Daniela.
São agrupadas cinco amostras por vez, no sistema pool, que são submetidas a um único teste simultâneo. Quando o resultado da mistura é negativo, significa que todas as amostras daquele grupo não estão infectadas. Se o resultado for positivo, quer dizer que uma ou mais amostras estão infectadas. Nesse caso, elas são testadas novamente, de forma individual, para detectar quais são as infectadas. “A proposta tem a finalidade de reduzir custos com insumos e ganhar tempo”, afirma a professora.

Testagens feita pela UFPR em pessoas assintomáticas

JANEIRO/2021
Testes realizados: 1.692
Resultados positivos: 23
% de pessoas contaminadas: 1,4%

DEZEMBRO/2020
Testes realizados: 1.075
Resultados positivos: 17
% de pessoas contaminadas: 1,6%

NOVEMBRO/2020
Testes realizados: 1.275
Resultados positivos: 34
% de pessoas contaminadas: 2,7%

OUTUBRO/2020
Testes realizados: 535
Resultados positivos: 7
% de pessoas contaminadas: 1,3%

* Nos dois primeiros mutirões poucas pessoas compareceram e não houve casos positivos de infecção pelo vírus