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Petraglia e Fleury ensaiam um adeus ao Atlético

Mario Celso Petraglia e João Augusto Fleury da Rocha, presidentes dos Conselhos Deliberativo e Gestor do Atlético, publicaram ontem uma carta de despedida do clube. Ontem, era o prazo final de inscrição de chapas para eleger a nova diretoria, para o biênio 2008/2009. Nenhuma chapa foi registrada e as eleições foram canceladas.
A situação será agora definida numa assembléia geral extraordinária, convocada para 14 de dezembro. Poderão participar todos os sócios em dia com o clube e com pelo menos um ano de filiação. Dos cerca de 3.000 filiados, aproximadamente 500 estão nessa situação.
Fleury explicou sua decisão. “Há muito comodismo, uma acomodação geral”, disse. “É muito fácil ficar criticando, mas quando chega a época da eleição todos esperam que nós sejamos eleitos”. Para o presidente, é hora dos sócios participarem. “O clube nunca foi tão democrático”, comentou. “Os sócios precisam aparecer (na assembléia) e dizer o que querem”, argumentou.
Na carta divulgada publicada ontem no site oficial, Petraglia e Fleury reclamam das críticas sofridas nos 12 anos que estiveram à frente do Atlético. “Logramos alcançar títulos inimagináveis até pouco tempo atrás e o conseqüente resgate da auto-estima do torcedor. Já traída pela memória, hoje a opinião pública parece agir como se estas conquistas fossem poucas, exigindo-se cada vez mais o esforço da atual gestão”, afirma o texto.
Os dirigentes também se queixam das acusações feitas pelo ex-presidente da Federação Paranaense de Futebol, Onaireves Moura. “O veneno e o fel que destilaram de seus espíritos de destruição nos desestimulam a prosseguir nesta luta solitária em defesa dos ideais rubro-negros”, relata a carta. No texto, Petraglia e Fleury lembram que não são remunerados pelo clube. “O trabalho dos dirigentes se perfaz exclusivamente por ideal na paixão rubro-negra”, argumentam.
No final da carta, os dirigentes garantem que não estão blefando e que realmente podem deixar o Atlético. “Não se trata de um ato de protesto, nem de desconsideração a gente atleticana”, afirmam. Para Petraglia e Fleury, os sócios precisam participar ativamente do dia-a-dia do clube. “A hora é de reflexão e o momento exige atitude, postura de coragem e de compromisso”, declaram.

OS AVANÇOS
As mudanças promovidas no Atlético desde 1995, segundo Petraglia e Fleury

1) Pagamento de dívidas das gestões anteriores
2) Rígida organização administrativa com a profissionalização de cargos e funções
3) Investimento no patrimônio
4) Investimento em pesquisa científica
5) Abertura de novos mercados
6) Construção da Baixada
7)Construção do CT do Caju
8)Conquista de títulos (Brasileiro, estaduais e vice da Libertadores)

Sidny
O Atlético desistiu da contratação do lateral-direito Sidny, do Náutico. O jogador seguirá para o Livorno, da Itália,  que pagará R$ 700 mil. O clube paranaense estava disposto a pagar apenas R$ 450 mil. Sem Sidny, o Atlético está tentanto trazer por empréstimo o lateral-direito Nego, do ABC-RN. ‘‘Estamos estudando o seu empréstimo com passe fixado, a definição deve sair na próxima semana’’, afirmou o presidente do ABC, Judas Tadeu. A multa rescisória do jogador ficaria fixada em R$ 1,5 milhão. Nego, 22 anos, foi um dos destaques do time na Série C, marcando oito gols.

Cristian
O volante Cristian, que está emprestado ao Flamengo, pode ser vendido ao Lokomotiv Moscou por 2,5 milhões de euros. O clube russo comprou o goleiro Guilherme, em agosto. O volante Erandir, pouco aproveitado pelo Atlético em 2007, pode ser emprestado ao Fortaleza.

Denílson
O meia-atacante Denilson (ex-seleção brasileira e São Paulo) contou que treinará no CT do Caju em janeiro.
 “Eu já abri negociações para renovar o meu contrato por mais quatro temporadas com o Dallas”, afirmou. A equipe dos Estados Unidos tem uma parceria com o Atlético. “O clube gostou do meu futebol e pretende me manter por lá um bom tempo. A pedido da diretoria, a tendência é que eu faça a pré-temporada com os jogadores do Atlético-PR, a partir do dia 3 de janeiro”, contou.