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Operação Sem Saída

Policias cumprem mandados de prisão em Curitiba contra narcotraficante com mais de 16 fazendas no Mato Grosso

Policias cumprem mandados de prisão em Curitiba contra narcotraficante com mais de 16 fazendas no Mato Grosso

CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - Uma operação realizada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (22) para apreender mais de R$ 100 milhões em bens de uma das mais antigas quadrilhas de tráfico internacional de drogas do país é uma espécie de "laboratório" do trabalho que a corporação irá desenvolver a partir do ano que vem. 

A investigação, batizada de Sem Saída, é a quarta fase da Operação Spectrum, que prendeu em julho de 2017 o traficante Luiz Carlos da Rocha, conhecido como Cabeça Branca. 

Desde a primeira fase, em julho de 2017, a Operação Spectrum apreendeu o equivalente a R$ 500 milhões em patrimônio da organização criminosa comandada por Luiz Carlos da Rocha, o Cabeça Branca, informa a Polícia Federal. A lista inclui 16 fazendas com área equivalente a aproximadamente 40 mil hectares no Mato Grosso. 

Trata-se, segundo a corporação, da maior operação da história "na desarticulação patrimonial de organização criminosa com atuação no tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro". 

É este caminho -com mais foco em lavagem de dinheiro e patrimônio de criminosos que em apreensões de drogas- que a Polícia Federal deverá seguir a partir de 2019, sob o comando de Maurício Valeixo, atual superintendente regional da corporação no Paraná e nomeado seu novo diretor-geral pelo futuro ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.

"Já temos como meta a desarticulação patrimonial. Evidente que, com as mudanças, com o doutor [Sergio] Moro [no Ministério da Justiça e Segurança Pública], o doutor [Maurício] Valeixo [como diretor-geral da Polícia Federal], vamos fortalecer esse viés, com certeza", afirmou o delegado Elvis Aparecido Secco, coordenador da operação Spectrum.

Cerca de cem agentes cumprem hoje dois mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 14 de busca e apreensão em Curitiba, em cidades paranaenses como Brasnorte, Tapurah, Juara e Nova Maringá e em Cuiabá. Os mais de R$ 100 milhões que estão na mira dos policiais incluem fazendas que, juntas, somam mais de 11 mil hectares em área.

"Temos a intenção de que toda a PF tenha como padrão, como modelo, investigações como são feitas na Spectrum, direcionadas sempre à questão patrimonial", afirmou Secco. Nela, o processo de lavagem é similar ao que acontece no caso de investigações de corrupção, com quebra de sigilo bancário e fiscal, de acordo com o delegado.

"Ela é um modelo de operação a ser seguido porque iniciou com a lavagem de dinheiro e patrimônio e depois mirou o tráfico internacional de droga. A partir de 2019, vamos focar ainda mais a questão patrimonial com crime de tráfico de drogas antecedente", disse.

Trata-se, segundo Roberto Biasoli, outro delegado que participa da investigação, de um processo que vem sendo aprofundado desde o início da década, quando a Polícia Federal criou unidades de repressão a crimes financeiros com foco em lavagem de dinheiro.

"É um processo lento de mudança de cultura, de aprendizado. A toda a carga que você aprendeu de combate ao tráfico você precisa agregar um outro componente que é o componente patrimonial. Nos últimos anos, várias operações que vão acontecendo têm como foco o patrimônio", disse Biasoli.

Agora, com essa diretriz do futuro ministro, segundo ele, "várias outras delegacias especializadas em diversos outros crimes também podem começar a trabalhar [dessa forma], porque, para o crime que busca o enriquecimento, [investigar] a lavagem de dinheiro é o caminho de derrubar o criminoso".

Luiz Carlos da Rocha, preso em julho de 2017, era considerado pela PF o traficante internacional de drogas mais procurado da América do Sul. Atualmente, ele está detido num presídio federal -as autoridades não informam qual.

À época da prisão, policiais estimaram o patrimônio dele em R$ 100 milhões -valor que, hoje, sabe-se ser subestimado. "Em menos de dois anos, a movimentação financeira [da quadrilha] foi de US$ 138 milhões. Então, não chegamos nem a 10% do patrimônio dele", disse o delegado Secco.

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