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Papo Reto

Precisamos falar sobre Lula e Bolsonaro

Iniciada a campanha eleitoral e passados os primeiros debates televisivos, o instituto Ibope divulgou a primeira pesquisa com as intenções de voto para o primeiro turno da eleição presidencial. Além dos números já amplamente divulgados precisamos refletir sobre outros dados trazidos no levantamento. Como, por exemplo, a consolidação do eleitorado de Jair Bolsonaro (PSL) e do desempenho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que mesmo preso cumprindo pena na superintendência da Polícia Federal de Curitiba está na dianteira da pesquisa eleitoral. Queira você ou não, goste ou não, precisamos falar sobre Bolsonaro e Lula – independente da sua bandeira partidária.
Vamos primeiro ao ex-presidente petista. Apesar de todos os revezes na Justiça e a ampla divulgação na imprensa e nas redes sociais sobre seus malversados atos, Lula ainda capitaliza com o eleitorado brasileiro. A ponto de imaginar que um candidato detido, hoje, venceria a eleição para a presidência da República. Obviamente que é necessário destacar que apesar dos escândalos de corrupção na administração do PT, Lula ainda é bastante lembrado pelo eleitorado pelas conquistas no campo social. Isso é inegável. É o recall de duas gestões. Seja você “mortadela ou coxinha”. Apesar de todos os pesares, Lula aparece com 37% das intenções de voto na pesquisa estimulada, quando é apresentado ao eleitor o nome dos candidatos, e venceria a eleição presidencial em todos os cenários pesquisados.  
Sobre o perfil do eleitor que vota no petista não precisa nem pesquisa. Já é sabido. O maior naco de votos está, majoritariamente, nos eleitores de baixa renda e com baixa escolaridade. Lula segue como “rei” na região Nordeste. Assim como foi desde 2002 quanto o petista chegou ao Palácio do Planalto.  
Jair Bolsonaro aparece em segundo nos cenários em que Lula é candidato. Na pesquisa estimulada, o candidato do PSL aparece com 18% das intenções de voto. Os demais adversários ficaram no primeiro dígito. 
Mas vamos à pesquisa espontânea – é quando o eleitor é perguntado em qual candidato votaria sem que lhe seja apresentado o nome dos postulantes. E aí começa o primeiro “porém”. Vejamos os números: Lula cai de 37% na estimulada para 28% na espontânea. Bolsonaro oscila de 18% para 15%. E o que isso significa? Que Bolsonaro tem um eleitorado consolidado – muito mais que Lula. 
E que eleitor é esse? Pasmem vocês ou não. Comparando com Lula, quem vota em Bolsonaro ganha mais na faixa do eleitor que ganha cinco ou mais salários mínimos. Surpreendente? Dentre os eleitores ouvidos pelo Ibope que disseram ter renda igual ou superior a R$ 5 mil, 30% afirmaram que votarão em Bolsonaro. Nesta mesma faixa salarial, 17% escolheram Lula. O eleitor que declarou ter ensino superior, 23% disse que vota em Lula e 23% em Bolsonaro.
Num cenário em que no campo jurídico a candidatura de Lula só será deferida diante de uma aberração jurídica, Bolsonaro figura como forte candidato neste momento da campanha eleitoral. Importante destacar que o levantamento eleitoral reflete o momento e tendências das campanhas. Prova disso foi a alta do dólar registrada ontem – chegando ao patamar de R$ 4.
O mercado financeiro reagiu imediatamente, muito em função de que é quase certo e líquido a saída de Lula da disputa presidencial. Este cenário aconteceu também em 2002, quando o petista aparecia como favorito na disputa. O mercado financeiro se alarmou, com previsões pessimistas, e depois voltou à normalidade. Acontecerá também com Bolsonaro, caso ele mantenha o desempenho eleitoral? Bolsonaro já tem acenado para a classe empresarial tentando acalmar os ânimos. Especialistas dizem que sim. Só não sabem dizer em quanto tempo.  
O Instituto Ibope ouviu 2.002 pessoas em 142 municípios de 17 a 19 de agosto. A margem de erro é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos, considerando um intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-01665/2018. 

Curtinhas:
Amante x missionário

Foi adiada audiência de conciliação entre a senadora Gleisi Hoffmann (PT) e o deputado estadual Missionário Ricardo Arruda (PSL). A petista moveu um processo por danos morais depois que Arruda a chamou de “amante” em discurso na Tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná. Gleisi era citada pelo apelido de amante na planilha de propina da Odebrecht. O que comentam é que não há qualquer chance de conciliação entre os parlamentares.

O vice foi mais rápido
Quando que o prefeito de Curitiba Rafael Greca (PMN) vai entrar de cabeça na campanha da governadora Cida Borghetti (PP) ao governo do Paraná? Até agora o que se viu foi o vice-prefeito Eduardo Pimentel (PSDB) caminhando com o ex-governador Beto Richa (PSDB) que tenta uma vaga no Senado Federal.

Não para, não para, não para não...
O Ministério Público do Paraná tem atuado em duas grandes frentes: funcionários fantasmas na Assembleia Legislativa e desvios de recursos em obras de colégios. Quase toda a semana chega uma nova denúncia e abre-se um procedimento investigativo.

DESTAQUES DOS EDITORES