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Consumidor sente no bolso

Preço do leite sobe 38,55% nos supermercados de Curitiba

Estimativa é de que valores se mantenham altos, apesar do fim da entressafra
Preço do leite sobe 38,55% nos supermercados de Curitiba
Vários fatores influíram no preço do leite: greve, entressafra e ração (Foto: Daniel Castellano / SMCS)

O preço do litro de leite disparou nos supermercados de Curitiba. Em média, o preço da caixinha de leite tipo longa vida ficou 21,75% mais cara em junho, segundo os dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mede a inflação oficial nas capitais. No ano, o aumento é ainda maior: 38,55%. A má notícia é que, ao contrário de anos anteriores, não há tendência de queda com o fim da entressafra, a partir do meio de agosto e começo de setembro. E de acordo com os técnicos, a causa é resultado de uma soma de fatores, agravados pela greve dos caminhoneiros. 
Em valores, esse reajuste significa preços acima de R$ 3,50 na caixa mais barata do produto, na versão integral, cobrados nos supermercados da Capital, conforme os dados do Serviço Disque Economia da Secretaria Municipal de Abastecimento, de sexta-feira. Quem consome a versão sem lactose, por exemplo, também versão integral, se depara com valores acima dos R$ 7.
Já o valor médio pago ao produtor no Paraná, em junho é de R$ 1,28 o litro, segundo acompanhamento do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Em janeiro, o valor era de R$ 1, 05. Ou seja, no campo, o produtor estaria recebendo 21,90% a mais pelo produto. “Não dá para dizer que houve aumento do lucro para o produtor, mas sim uma redução dos impactos causados pelo leite que foi jogado fora no período da paralisação dos caminhoneiros (em maio)”, afirma Fábio Mezzadri, veterinário do Deral/Seab responsável pela área de pecuária e leiteira.
“Neste ano, a oferta está prejudicada por contra da entressafra, comum no inverno, pelos reflexos da greve dos caminhoneiros, ocorrida em maio, e o alto preço das commodities, usadas para a suplementação alimentar dos animais”, avalia Alexandre Monteiro, analista de Desenvolvimento de Mercado da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). “Então não tem como estimar uma acomodação dos preços”, diz.
Como os produtos tiveram que reduzir a produção de leite, pois não havia como escoar a produção. Por falta de alimento, muitos reduziram a alimentação das vacas. Como havia a produção de leite, os produtores tinham que fazer a ordenha para não causar mastite, que é uma inflamação das mamas quando há produção de leite, mas não a ordenha. 
Essa redução, segundo produtores, causa o que eles chamam de estresse alimentar.  O resultado é uma redução natural da produção de leite. O que ocorre é que, mesmo sendo retomada a alimentação normal, a produção só volta ao normal entre 3 e 6 meses.  Ou seja, a oferta, em termos quantitativos, só deve ser restabelecida a partir deste período. 
Milho
Além destas questões fisiológicas, o preço do milho usado na ração está em alta no mercado internacional. De acordo com os dados do mercado interno, a saca de 60 quilos de milho estava cotada a R$ 37,02, na sexta-feira, com tendência de alta, segundo o indicador Cepea/Esalq da Universidade de São Paulo.
Os estoques finais norte-americanos americanos do cereal foram estimados em 39,43 milhões de toneladas. Já no Brasil, a produção de milho ficou inalterada em 96 milhões de toneladas e as exportações também não mudaram, com 31 milhões de toneladas. 

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