Tragédia em SP

Prefeitura acreditava que prédio não tinha risco de desabar e União preferiu 'economizar'

(Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Depois da tragédia ocorrida na última terça-feira (1º de maio), quando um prédio de 24 andares desmoronou em São Paulo (SP) após um incêndio, deixando uma pessoa morta e outras cinco desaparecidas, as respostas aos diversos questionamentos existentes começam a surgir. Entre elas, o porquê de o governo federal e a Prefeitura de Sâo Paulo não terem desocupado o prédio de 24 anos, de propriedade da União.

De acordo com documentos obtidos pelo Jornal Hoje, três relatórios assinados por engenheiro da Prefeitura apontavam que o prédio não possuiria problemas estruturais. Álvaro de Godoy Filho, responsável pelas vistorias, deve ser ouvido na investigação reaberta pelo Ministério Público Estadual após a tragédia.

Desde 2016 o MP cobrava o governo federal, dono do imóvel, para fazer a desocupação do prédio, destacando a necessidade de "contratar mpresas para fazer a mudança dos moradores e para guardar os móveis". Além disso, seria necessário colocar seguranças no prédio, com custo de R$ 16 mil.

A superintendente do Patrimônio da União, Cláudia Fellice, recusou acatar a cobrança do MP. Sua algação? "O país atravessa uma crise financeira e a ordem é economizar e cortas gastos", escreveu ela em um ofício, no qual ainda destacou que a desocupação só teria algum sentido se feita após a decisão de quem ficaria com o prédio - a União ou a Prefeitura.

Foi só em outubro do ano passado, porém, que finalmente a guarda do imóvei foi repassada provisoriamente para a Prefeitura de Sâo Paulo. O município alega que desde então negociava a desocupação do prédio, mas que aguardava pelo apoio do Ministério Público ou da própria União para poder retirar as famílias que moravam no local.