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Atenção

Prefeitura de Curitiba pede que veterinários recomendem vacinação contra raiva

(Foto: Divulgação)

Veterinários de Curitiba receberam na última semana um pedido da prefeitura para que notifiquem casos de raiva identificados em consultórios e que também reforcem os trabalhos de vacinação e cuidados relacionados à doença. No memorando, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) lembra que dez casos de raiva foram constatados em exames em 295 morcegos na capital em 2018. De acordo com a nota, “não há motivo para alarde”.
Em 2018 foram enviados para exame 295 morcegos não hematófagos (que não se alimentam de sangue), sendo diagnosticados 10 positivos. Neste ano, segundo a coordenadora da Unidade de Vigilância de Zoonoses da Secretaria de Saúde, Ana Paula Mafra Poleto, cerca de cem morcegos já foram analisados e seis (6%) apresentaram contaminação positiva por raiva.
“A incidência de positividade vem se mantendo ao longo dos anos, e não há necessidade de alarde, mas devemos manter os cuidados em relação às orientações aos tutores de animais domésticos. Os morcegos são recolhidos através de monitoramento passivo (demanda da população), por estarem em situações diferentes das habituais (caídos, caçados por cães ou gatos, isolado no interior da residência, etc)”, informa a secretaria.
A intenção da secretaria, diz a nota, é apenas pedir que animais domésticos sejam vacinados, mesmo aqueles que vivem em apartamentos. “Reforçamos com os colegas a importância da vacinação antirrábica em cães e gatos, mesmo em animais de apartamento. Tivemos algumas situações de gatos que entraram em contato com morcego em prédios altos (acima do 10º andar), pelo fato do quiróptero ter adentrado o apartamento. O tutor acreditava que os animais estavam com vacinação em dia, por serem acompanhados em clínica veterinária, porém constatamos que os pets não tinham nenhuma dose de vacina antirrábica na vida”, afirma a secretaria.
O pedido é para que veterinários reforcem orientações a seus clientes quanto aos procedimentos a serem adotados caso encontrem morcegos em situações não habituais.
“Não tocar no animal (mesmo se estiver morto); Evitar que os animais da residência entrem em contato; Ligar no 156 para registrar solicitação de remoção do morcego (um técnico entrará em contato para realizar a remoção, inclusive finais de semana). Tal técnico também realizará orientações e encaminhamentos caso pessoa ou animal de estimação tenha entrado em contato com o morcego. No caso de contato de cães ou gatos com o morcego, o clínico deverá adotar o esquema de pós-exposição, conforme Nota Técnica nº 19 (enviada em anexo). Em caso de dúvidas poderá entrar em contato com nossa equipe para esclarecimentos. Todo médico veterinário é um profissional de saúde, e tem papel fundamental na prevenção de zoonoses”, orienta.
O texto enviado por e-mail é acompanhado de uma nota técnica e um cartaz da prefeitura para impressão com orientações à população.
Ana Paula Poleto afirma que o aviso é feito com regularidade. “É importante, mas é meio de rotina para manter os veterinários engajados. A gente tem monitorado os morcegos e a demanda é quase diária. Aqui em Curitiba os morcegos não são hematófagos que mordem as pessoas. E eles têm um papel importante porque espalham sementes, comem insetos, e a grande maioria está saudável”, pondera.

Especialistas alertam: mesmo pets de apartamento devem ser vacinados
Não há notícia de outros animais com a doença além de morcegos. O último contaminado foi um gato, em 2010. “O morcego às vezes entra em um apartamento e pode ser atacado por gatos ou cães, por isso é perigoso que haja uma contaminação. A pessoa acha que porque mora em um apartamento o animal está livre de contaminação, mas não é assim. Por isso temos orientado os veterinários que recomendem a vacinação sempre”, diz.
De acordo com a coordenadora da Vigilância de Zoonoses, os veterinários também enviam animais para análise quando suspeitam de casos de raiva. “Às vezes mandam alguns, mas não tivemos nenhuma confirmação. Muitos veterinários têm ideia de que a raiva está erradicada, mas, não, a gente tem que lembrar que temos ainda casos, estão controlados, mas tem”, destaca.
A incidência de morcegos com raiva é regular ao longo de todo o ano, mas no verão mais casos são notificados. “Varia um pouco de ano para ano. A demanda aumenta no verão porque é época de reprodução dos morcegos, as pessoas deixam mais as portas e janelas abertas, então os animais acabam entrando nas casas. Ou quando tem mais chuvas em que o animal acaba caindo. No inverno a demanda é menor porque as pessoas ficam mais fechadas em casa”, diz. A orientação da Secretaria da Saúde é que a população entre em contato com a Central 156 em caso de suspeita de morcegos contaminados.

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