Polêmica

Presidente da OAB vai ao Supremo contra Bolsonaro

Bolsonaro: guerrilheiros teriam executado Santa Cruz
Bolsonaro: guerrilheiros teriam executado Santa Cruz (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, decidiu interpelar o presidente Jair Bolsonaro (PSL) no Supremo Tribunal Federal (STF), que o provocou nesta segunda-feira (29) afirmando saber como seu pai, Fernando Santa Cruz, desapareceu durante a ditadura militar. Segundo o jornal O Globo, Santa Cruz constituiu o advogado Cesar Brito para entrar com uma ação no STF “para que o presidente diga o que sabe” sobre a morte de seu pai, em março de 1974.

Bolsonaro questionou a atuação da OAB nas investigações sobre Adélio Bispo, responsável pela facada contra o presidente no ano passado, durante a campanha eleitoral. Adélio foi considerado inimputável pela Justiça por transtorno mental. O presidente não recorreu.

“Por que a OAB impediu que a Polícia Federal entrasse no telefone de um dos caríssimos advogados (de Adélio)? Qual a intenção da OAB? Quem é essa OAB?”, disse Bolsonaro. “Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, eu conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade”, disse Bolsonaro. “Não é minha versão. É que a minha vivência me fez chegar nas conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco e veio desaparecer no Rio de Janeiro”, alegou o presidente.

Crueldade
Felipe é filho de Fernando Santa Cruz, integrante do grupo Ação Popular (AP), organização contrária ao regime militar (1964-1985). Ele foi preso pelo governo em 1974 e nunca mais foi visto. Em 2012, no livro “Memórias de uma guerra suja”, o ex-delegado do Dops, Cláudio Guerra diz que o corpo de Fernando foi incinerado no forno de uma usina de açúcar em Campos (RJ).

Santa Cruz, afirmou, por meio de nota que as declarações do presidente Jair Bolsonaro demonstram “crueldade e falta de empatia”. “Lamentavelmente, temos um presidente que trata a perda de um pai como se fosse assunto corriqueiro - e debocha do assassinato de um jovem aos 26 anos”, disse o presidente da OAB.

Fogo amigo
Após a repercussão das declarações, Bolsonaro voltou à carga, afirmando em uma transmissão ao vivo nas redes sociais, que Fernando Santa Cruz teria sido morto por guerrilheiros e não pelos militares. “Ele falava com muita gente da fronteira, conversava, e o pessoal da AP no Rio de Janeiro ficou estupefato, né. ‘Como que pode esse cara vindo de Recife se encontrar conosco aqui’? O contato seria com a cúpula da Ação Popular de Recife e eles resolveram sumir com o pai do Santa Cruz. Essa foi a informação que eu tinha na época desse episódio. Foi isso que aconteceu, não foram os militares que mataram ele não, está bem?”, alegou o presidente.