Requião e o mito do candidato autossuficiente

O senador e candidato do PMDB, Roberto Requião, gosta de alardear que não precisa de marqueteiro, que ele mesmo elabora e decide o que diz e exibe em sua campanha eleitoral. Pois pelos resultados colhidos até aqui, Requião perdeu a mão e já não é mais capaz de convencer o eleitor com sua retórica autoelogiosa e beligerante. Tudo indica que os paranaenses, depois de três mandatos do peemedebista como governador, e do baixa ou acaba contra o pedágio nunca realizado, já não se deixa mais levar pelo discurso do senador. O desgaste de imagem de Requião fica cada vez mais evidente a cada programa eleitoral. A medida que a campanha se encaminha para o final, o candidato dá sinais cada vez mais claros de irritação diante do naufrágio de seus planos de voltar ao Palácio Iguaçu. É como se ele não se conformasse com a possibilidade de que os eleitores já não o levam à sério e estão virando as costas para o mito do político autossuficiente, que até hoje só tinha uma derrota no currículo – a eleição para o governo em 1998 – vencida pelo então governador e candidato à reeleição, Jaime Lerner.

Reclamão
Requião reclamou em seu programa que tem pouco tempo - dois minutos e pouco é quase nada na TV. Só se for na requiaolândia, pois em qualquer manual de comunicação, dois minutos na telinha é muito.

Helicópteros
No programa de ontem, Requião criticou o projeto de resgate médico aéreo do governo Beto Richa, afirmando que o serviço usa três helicópteros adquiridos em sua administração, e mais um ou dois do governo federal. E que a atual gestão apenas pintou uma cruz vermelha e dizem que resolveram o problema da saúde.

Tapeação
A exasperação de Requião com a possibilidade de uma derrota iminente é tanta que ele chega a passar um sabão no eleitor: Vamos levar à sério o Paraná. Isso não pode ser uma brincadeira televisiva. Não podemos aceitar a enganação e a tapeação, vociferou o peemedebista.

Auxiliar
Com as pesquisas apontando que ele não tem praticamente qualquer chance na disputa por uma cadeira no Senado, o candidato do PMDB, Marcelo Almeida, assumiu de vez o papel de linha auxiliar de Requião. Com o pretexto de que senador tem a obrigação de fiscalizar o governador do Estado, passou a usar seu espaço para atacar Beto Richa.

Regional
Em contraste, com a reeleição praticamente garantida, o senador Álvaro Dias (PSDB), continua fazendo uma campanha que mais parece dirigida ao Palácio Iguaçu do que ao parlamento federal. No programa mais recente, voltou a destacar realizações do tempo em que foi governador.

Menas
A propaganda do tucano por vezes exagera no tom autoelogioso. Depoimentos de agricultores exibido na propaganda do candidato do PSDB chegam a dizer que foi Deus colocou o Álvaro Dias governador do Paraná e que ele foi responsável por um milagre no período. Outra eleitora diz que ele vai ser nosso futuro presidente da República.

Revisionismo
Aécio Neves (PSDB) passou os últimos dias prometendo rever o fator previdenciário. O único problema é que esse mecanismo foi criado em 1999, no governo do tucano Fernando Henrique Cardoso, seu companheiro de partido. Não consta na época que Aécio tenha sido contra a iniciativa.

Alhos com bugalhos
O candidato do PSDB fez uma comparação no mínimo curiosa. Lembrou que a presidente Dilma Rousseff prometeu construir 6 mil creches, mas não entregou as obras. Eu, além de construir essas 6 mil creches, vou aumentar a idade de permanência das crianças nas creches. Só os desvios na Petrobras permitiram que 450 mil crianças estivessem em uma creche, afirmou.

Economista
Ogier Buchi (PRP) promete economizar muito se eleito. Os maldosos comentam que ele podia começar economizando a paciência do eleitor nessa campanha.