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Cotidiano

Robô vai disseminar informações sobre prevenção de doenças no Brasil e na África

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Dr. Wilson vai aproveitar os celulares que estão nas mãos de milhões de pessoas em áreas vulneráveis do Brasil e da África para fazer informações sobre prevenção, cuidado com a água e saúde se espalharem por onde poucos médicos chegam.

Ele é um robô desenvolvido a partir da união do empresário do setor de telecomunicações Mario Mendes e as empresas InBot, de inteligência artificial, e a Somai, de robótica.

A conversa com o Dr. Wilson pode ser tanto virtual, a partir de um chat que permite escrever e gravar áudios (disponível em www.drwilson.in.bot), ou em sua versão humanoide, com 55 centímetros que escuta, fala e até dança.

Seu conhecimento vai incluir conceitos e recomendações de cuidados para prevenir e reconhecer 80 doenças comuns em regiões negligenciadas, entre elas dengue, malária, cólera e Aids. Ele é capaz de responder 30 mil diferentes perguntas e sua base de informações vai ser ampliada conforme se entenda quais as principais necessidades das regiões, explica Mendes.

O empresário conta que o lançamento da plataforma acontece no próximo dia 18, quando 1 milhão de pessoas em Angola, Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau vão receber mensagens de texto no celular com convites para conhecer o médico-robô.

Na mesma semana, 200 mil pessoas no Brasil, em áreas ribeirinhas do Amazonas, receberão convites semelhantes. 

Segundo Mendes, que já viaja regularmente à África há 20 anos, desde quando começou a trabalhar com a instalação de prontuário eletrônico em hospital angolano, os jovens africanos são muito ativos no uso do celular, o que faz dessa uma boa ferramenta de disseminação de informações.

"Há uma população jovem que se engaja muito com tecnologia. Para a maioria, o celular é a única fonte de conversa com familiares, de realização de pagamentos", diz.

Para fazer o serviço ser usado com frequência, Mendes vem fechando acordos com empresas de telefonia para garantir que a navegação no Dr. Wilson seja gratuita para os usuários -sem consumir dados de internet. Ele espera ter 100% dos clientes das operadoras de Angola e 50% de Moçambique podendo acessar a plataforma sem custo nesta semana.

Já os robôs, fornecidos pela Somai, servem principalmente para gerar interesse em escolas ou campos de refugiados que receberão sua visita.

"É uma ferramenta de engajamento. Um brinquedo que faz com que a pessoa busque entender o motivo da plataforma e se interesse", diz.

Mendes afirma que, em muitas regiões em que o Dr. Wilson deve chegar, as necessidades de informação são das mais básicas.

"se você para um jovem aqui em São Paulo e pergunta como ele se previne para evitar uma doença sexualmente transmissível, ele vai ter o discurso na ponta da língua. Um jovem africano de fora das capitais não vai saber o que te responder. Informação é o básico, não existe prevenção sem informação."

Foram investidos R$ 2,5 milhões no projeto, que foi concebido no InovaBra, prédio ligado ao Bradesco para abrigar startups, departamentos de inovação de empresas e eventos e no qual as companhias concentram parte das suas equipes.

Mendes explica que não há expectativa de retorno financeiro com a iniciativa.

Eles aceitam apoio de parceiros, mas não vão incluir publicidade de terceiros em sua plataforma. Segundo Mendes, associar o Dr. Wilson a marcas pode dificultar sua entrada em alguns países, em especial por diferenças políticas, culturais ou religiosas entre a marca exposta e o país no qual se quer disseminar o serviço.

"A gente ser apolítico, sem participação de marcas, financiado por pessoas físicas, é o que faz mais sentido para podermos chegar a mais pessoas", diz.

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