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Economia

Santa Catarina dribla a crise gerando empregos na velha e na nova economia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Num país em que o crescimento segue frágil e o desemprego resiste, relatos tão otimistas sobre expansão de empresas e abertura de vagas podem causar surpresa. Não no caso de Santa Catarina.

Os números do estado ficam acima da média nacional de maneira consistente. Com uma economia diversificada, o estado gera emprego na indústria, em polos como Joinville e Blumenau, no comércio e no campo, além de dar espaço para novas empresas de tecnologia, as chamadas startups, em Florianópolis.

A taxa de desemprego de Santa Catarina é a mais baixa do país, 6,3%. A última vez em que o índice médio nacional de desemprego, hoje em 13%, se aproximou disso foi em 2014. O rendimento médio do trabalho é o terceiro maior do país, atrás do Distrito Federal e de São Paulo.

Em Florianópolis, a mistura de boas opções de ensino universitário e qualidade de vida dá ambiente ao florescimento de uma cultura empreendedora.

A cidade foi eleita nos últimos três anos como a segunda melhor para abrir uma empresa no Brasil, atrás apenas de São Paulo, em ranking da ONG internacional Endeavor, de apoio a negócios de impacto. Segundo o governo, 98% das empresas do estado são de pequeno porte.

Sete empresas do setor de tecnologia estão atualmente com 72 vagas abertas. Uma delas é a Dígitro, criada há 40 anos na capital catarinense, com atuação em vários países da América Latina e especializada em telecomunicação corporativa e inteligência. No momento, a companhia oferece oportunidades para analista de sistemas, designer gráfico, auxiliar administrativo, entre outras opções de emprego.

Mas o estado não conseguiu escapar da forte recessão que atingiu o Brasil. Em 2016, a atividade econômica chegou a cair mais do que a média do país (-4,5% em relação a -3,5%, respectivamente).

Passada a tormenta, o estado cresce em ritmo acelerado. Segundo estimativa do Itaú Unibanco, o PIB (Produto Interno Bruto) do estado cresceu 2,6% em 2017, comparado à alta média de 1% do Brasil.

Com relação às contas públicas, a dívida do estado está relativamente sob controle. Equivale a 51% da receita corrente líquida, de acordo com levantamento feito pela economista Vilma Pinto, do Ibre da Fundação Getulio Vargas. O limite é de 200%.

Em meio a uma forte crise fiscal que assola o país, o resultado primário do estado deixou a desejar, mas o quadro geral está muito distante de situações mais calamitosas como a do Rio de Janeiro ou o a do Rio Grande do Sul.

A meta para 2017 era um superávit de R$ 390 milhões, mas houve déficit de R$ 459 milhões, justificado por “despesas acima do esperado”, diz o secretário da Fazenda, Paulo Eli. Já os investimentos tiveram leve alta de 6% em 2017 —o sétimo estado que mais investiu em números absolutos.

Santa Catarina é ainda a unidade da Federação menos desigual em um país onde as disparidades preocupam e tornam o futuro mais nebuloso.

Ostenta também a menor taxa de mortalidade infantil (11,8%) e a maior expectativa de vida (79,1 anos). Não é demais lembrar que a população do estado, de 7 milhões, é um pouco mais da metade do que a da cidade de São Paulo.

E, sim, há problemas. Entre eles, a concentração da pobreza na serra catarinense e a violência, que também é uma preocupação.

Mesmo com indicadores econômicos tão saudáveis, o estado não equacionou a questão da violência.

Embora tenha a segunda menor taxa de homicídios do Brasil, atrás de São Paulo, registra 15 homicídios por 100 mil habitantes, próxima do índice mexicano.

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