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Política

Temer cede a pressão e mantém PSC no comando da Funai

GUSTAVO URIBE E DANIEL CARVALHO

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Michel Temer manteve a Funai (Fundação Nacional do Índio) sob o controle do PSC e, sob pressão, aceitou a indicação de Wallace Moreira Bastos, subsecretário de assuntos administrativos do Ministério dos Transportes.

O nome dele foi apresentado ao Palácio do Planalto pelo partido do líder do governo no Congresso, André Moura (SE), após pressão da bancada ruralista pela saída do general Franklimberg Ribeiro de Freitas.

O militar, que também era indicação do PSC, deixou o cargo na última quinta-feira (19), no Dia do Índio. Nos bastidores, a bancada ruralista reclamava da falta de pulso do general e da falta de colaboração dele com o setor do agronegócio.

"A Frente [Parlamentar do Agronegócio (FPA)] não estava feliz com o general", diz a presidente do grupo, deputada Tereza Cristina (DEM-MS).

A indicação de Wallace, contudo, não é unanimidade entre os ruralistas. A expectativa era a de que fosse nomeado alguém da própria Funai e com maior interlocução com o agronegócio.

O novo presidente da fundação, que não tem afinidade com a causa indígena, foi membro do conselho de administração da Companhia Docas do Maranhão e atuou na Anac (Agência Nacional da Aviação Civil).

"Optamos por alguém de fora da Funai, que não tivesse parcialidade nas suas decisões e tivesse capacidade de gestão. Além disso, é um executivo especializado em mediação de conflitos", justificou à reportagem o ministro Carlos Marun (Secretaria de Governo).

O PSC, partido conservador e presidido por um pastor evangélico, controla a Funai desde janeiro do ano passado. A indicação do partido para o cargo fez parte do esforço do presidente de fortalecer a base aliada.

Nos últimos seis anos, desde abril de 2012, o subsecretário é o nono chefe nomeado para a Funai e o terceiro indicado pelo PSC.

O primeiro deles, Antonio Fernandes Costa, disse que saiu do cargo por pressões e "ingerências políticas" e que o então ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB-PR), era "ministro de uma causa", em referência ao agronegócio.

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