GUSTAVO URIBE BOA VISTA, RR (FOLHAPRESS) – O presidente Michel Temer defendeu nesta segunda-feira (12) que os milhares de refugiados venezuelanos em Roraima sejam distribuídos em outras unidades da federação. Em reunião em Boa Vista, ele afirmou que o grande fluxo de imigrantes tem causado problemas, mas que não impedirá a entrada dos estrangeiros. A ideia do governo federal é fazer um censo dos refugiados e distribuí-los como foi feito com a entrada de haitianos no Acre, em 2015. “O fluxo de venezuelanos cria problemas para Roraima e poderá se estender para outras Unidades da Federação se não tomarmos medidas de natureza federal. É necessário avaliar a possibilidade de conduzi-los a outros Estados, diversificando a entrada”, disse. O presidente ressaltou que os estrangeiros estão tirando empregos da população roraimense e prometeu que o problema será resolvido até o final de seu mandato. “Em onze meses, vamos solucionar essa questão. Ninguém vai impedir os refugiados de virem para cá. Nós vamos ordenar a entrada”, disse. SEM RECURSOS No encontro com autoridades regionais, na sede do governo estadual, ele anunciou que na próxima quinta-feira (15) será editada uma medida provisória com ajuda federal para Roraima, que incluirá alimentos e remédios. Segundo ele, as Forças Armadas coordenarão a ação federal. Questionado pela reportagem, contudo, não detalhou qual será o montante repassado. “Quanto seja necessário, nós vamos destinar”, respondeu. No encontro, o presidente ressaltou ainda que os refugiados são obrigados a deixar seu país porque “não há condições de vida” na Venezuela. “Não viria aqui para fazer um palanque politiqueiro e a situação do Brasil é muito grave. Não tenho nenhuma preocupação de natureza eleitoral”, disse. No encontro, a governadora Suely Campos (PP) apresentou uma lista de pedidos para o presidente, como a obrigação de que os refugiados sejam vacinados na fronteira, aumento do efetivo da Polícia Federal e o aumento dos recursos para segurança pública. Sem estrutura, Boa Vista acolhe hoje mais de 40 mil venezuelanos, que saturaram a rede de saúde pública. Após a entrada deles, cresceu o desemprego e a violência na cidade. Os que não possuem ensino superior têm pedido esmola, vendido doces ou lavado para-brisas nos semáforos. Na avenida Venezuela, uma das mais movimentadas de Boa Vista, estrangeiros carregam placas se oferecendo para serviços de pedreiro e pintura.