Publicidade

Time criado por Talisca pode chegar à elite na Bahia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ivone Souza lembra que, desde criança, seu filho Anderson gostava de montar times de futebol. Chamava irmãos, primos, amigos. Quem estivesse disponível. Ele queria jogar, claro. Mas também gostava de ter sua equipe.

Mais de uma década depois, Anderson Talisca, 25, atacante do Guangzhou Evergrande, da China, pode ver seu time chegar à elite do futebol baiano. O Esporte Clube Olímpia, clube fundado por ele em 2016, está a um empate do acesso para a primeira divisão do estadual. Neste domingo (26), faz a partida de volta da final da Série B contra o Doce Mel. No primeiro jogo, venceu por 2 a 1.

A presidente do clube é Ivone, a mãe que o incentivava anos antes a montar times no interior da Bahia.

"O Olímpia é um sonho de criança do Anderson. Eu sempre soube que no dia em que tivesse condições, ele realizaria esse sonho. Eu toco esse projeto porque ele está longe, em atividade como jogador", explica a mãe.

Esta é a primeira temporada do Olímpia como profissional. Antes disputava apenas torneios das categorias de base. Não que Talisca sustente todos os custos. Ele tem a ajuda de um investidor italiano que se recusa a revelar o nome. Em troca do apoio, o empresário vai receber porcentagem da receita das vendas de atletas.

O atacante está Brasil e vai ao estádio de Pituaçu para acompanhar a partida, embora o motivo oficial da viagem seja para se recuperar de contusão. Dona Ivone adiantou a realização de uma cirurgia de pequeno porte para que pudesse ter a chance de também ver a partida.

O Olímpia começou mais como um projeto social para dar chance a novos atletas de Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador. Mesmo após a profissionalização parte do elenco foi descoberto em partidas de várzea ou no intermunicipal, times amadores de diferentes cidades do estado.

"A gente lançou a campanha que prega o Olímpia como o segundo time no coração dos baianos. Quem for Bahia, é Bahia e Olímpia. Quem for Vitória, é Vitória e Olímpia", completa a presidente.

Não é uma ideia inédita mas que pode colar enquanto o time não for uma ameaça à supremacia da dupla Ba-Vi no torneio estadual. Mas se os planos do técnico Sergio Araújo derem certo e o Olímpia se tornar a terceira força do futebol baiano, será mais difícil.

Revelado nas categorias de base do Bahia. Talisca se destacou em 2014, foi vendido para o Benfica (POR) e passou pelo Besiktas (TUR) antes de ser negociado com o time chinês. Ele tem duas convocações para a seleção brasileira principal.

Poderia não ter sido assim porque ele quase acabou dispensado pelo Bahia. Foi descoberto, recebeu chance e permaneceu no clube por causa da intervenção de pessoas que hoje estão no Olímpia.

"Fui o primeiro treinador dele na base do Bahia. Eu o aprovei para o sub-15. A gente não ia ficar com o Anderson. Havia quem achava que ele não conseguiria jogar em alto nível. Mas eu já tinha visto que ele tinha muita qualidade técnica, batia muito bem na bola e resolvemos aproveitá-lo. Realizamos um trabalho com nutricionista e de academia. Ele era muito magro", lembra Edson Fabiano, que hoje é auxiliar técnico de Sergio Araújo.

Os contatos de Talisca para falar sobre o clube são com Ivan Conceição, diretor de futebol. Como olheiro, foi quem descobriu o atacante e o indicou para testes no Bahia.

"O Anderson foi meu atleta. As pessoas que estão aqui têm uma relação muito boa com ele e sabem que o Olímpia é como se fosse um filho dele", Araújo.

Quem cuida das questões práticas do clube é Conceição. O papel de dona Ivone é mostrar a todos que é os olhos do filho no dia a dia do Olímpia.

"Ela está presente, vai no vestiário, dá bronca nos meninos. Está quase todos os dias conosco", completa o técnico.

Ivone não se mete na questão técnica. Quando a campanha na Série B começou a mostrar que o acesso era possível, Conceição, Araújo e Fabiano debateram se não seria melhor fazer um esforço e trazer algumas peças mais experientes. Com o aval de Talisca, isso foi feito.

O nome mais conhecido do elenco é o volante Bida, 34, que passou pelo Santos em 2008. Ele serviu para tirar a pressão dos menos experientes. Como Chorinho, 25, artilheiro do torneio com 8 gols.

"Anderson está no Brasil. Esperamos que tenha chegado para comemorar o primeiro título do clube que é o sonho dele", finaliza Edson Fabiano.

DESTAQUES DOS EDITORES