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Economia

Titular da Fazenda defende número 2 contra ministro da Saúde

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Ministério da Fazenda divulgou nesta quarta-feira (19) nota na qual reafirma total apoio ao trabalho de sua secretária-executiva, Ana Paula Vescovi.

O comunicado foi distribuído após a Folha de S.Paulo noticiar que ela e a Caixa Econômica Federal estão sendo processados na Justiça pelo ministro da Saúde, Gilberto Occhi.

Ele ajuizou duas ações. Numa delas, tenta anular provas de uma auditoria e barrar o trâmite de investigações, contratadas pelo banco, sobre supostas ilicitudes em suas condutas como dirigente do banco. Em outra, alega ter sofrido dano moral por conta de atos da secretária.

A iniciativa de publicar o desagravo foi do ministro Eduardo Guardia. Segundo auxiliares do titular da Fazenda, após ler a reportagem da Folha de S.Paulo, ele telefonou para o presidente Michel Temer e acertou a publicação.

"A propósito da matéria 'Ministro da Saúde processa a Caixa e a número dois do Ministério da Fazenda', o Ministério da Fazenda reafirma seu total apoio ao trabalho realizado pela secretária-executiva Ana Paula Vescovi, cujo compromisso com o serviço público se consolidou não apenas em outras funções no Ministério da Fazenda e na Caixa, como também em uma extensa carreira marcada pela credibilidade e excelência de seu trabalho", diz o texto divulgado pela pasta.

Ex-presidente da Caixa, indicado ao cargo pelo seu partido, o PP, Occhi deixou o cargo em abril, após ser implicado em possíveis ilícitos na instituição. Em seguida, migrou para a Saúde.

Como mostrou a Folha de S.Paulo em maio, apurações independentes e uma auditoria do próprio banco indicaram que, como dirigente da instituição, ele favoreceu o filho, o enteado e um empresário amigo na distribuição e, mais adiante, na transferência de lotéricas em Alagoas. O ministro e os demais envolvidos negam ilicitudes.

As ações têm foco em Vescovi porque, como presidente do conselho de administração da Caixa, ela autorizou a abertura das apurações e o envio de seus resultados para órgãos como o MPF (Ministério Público Federal).

Numa das ações, Occhi pede que a Justiça Federal em Brasília anule os efeitos de relatório de auditores do banco, com detalhes sobre o caso das lotéricas. Além disso, solicitou que a Caixa seja impedida de remeter os resultados de novas investigações a órgãos externos.

Ele conseguiu decisão provisória, favorável ao seu pleito. No entanto, segundo três pessoas com acesso ao caso, ouvidas pela reportagem nesta quarta, ela foi revogada pelo TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) ao analisar recurso da Caixa. O tribunal não confirmou a medida.

Procurado, Occhi informou que ainda não tomou conhecimento da decisão. F.F.

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