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TransferWise ultrapassa Caixa em envio de dinheiro para o exterior

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A TransferWise ultrapassou a Caixa e é a quinta instituição em volume de dinheiro enviado para o exterior, considerando os bancos de varejo do país. A multinacional, que opera no país desde 2016, faz apenas remessas de recursos entre pessoas físicas, segmento que movimentou US$ 2 bilhões (R$ 7,7 bilhões) no ano passado.

O ranking, com base nos dados do Banco Central, exclui bancos que não operam no segmento de varejo pessoa física, como Citi e JP Morgan. Essas instituições fazem poucas transferências, que são de grandes volumes, para clientes de altíssima renda ou empresas.

Segundo o BC, a Caixa enviou US$ 363 milhões (R$ 1,4 bilhão) nos quatro primeiros meses de 2019 para o exterior. A TransferWise não publica esse número, mas a reportagem apurou que no mesmo período as transações superaram com larga vantagem o volume. Para alcançar o Banco do Brasil, com US$ 10,2 bilhões (R$ 39,3 bilhões) o quarto colocado, seria preciso mais que dobrar o montante de recursos emitidos.

Desde que começou a operar no país, a empresa já enviou R$ 15 bilhões para o exterior.

A fintech consegue competir com os grandes bancos reduzindo o custo da operação, que oscila entre R$ 100 e quase R$ 400 nas grandes instituições financeiras, além de um spread cobrado na taxa de câmbio.

Na TransferWise, o custo médio é de 1,5% do valor enviado, e a taxa de câmbio usada é a comercial, sem o spread.

Em movimento recente, o Santander, que é o líder desse mercado, isentou a taxa de transferência para operações de pessoa física feitas pelo aplicativo (que até então superava os R$ 160 por operação). O limite de envio é de US$ 10 mil, e dinheiro é creditado em duas horas, nas operações em euro e libra, e em dois dias, nos envios de dólares. O banco preserva sua receita com o spread cobrado sobre o valor da cotação comercial da moeda.

O Itaú também anunciou a compensação quase instantânea de remessas feitas pelos correntistas via aplicativo, desde que para contas de mesma titularidade ou que o dinheiro seja para auxiliar financeiramente dependentes no exterior.

Não informou se foi mantida a taxa fixa, que era de R$ 115, preço similar ao cobrado pelo Bradesco, que também permite envio pelo app. Ambos cobram um percentual acima da taxa de câmbio comercial.

Segundo uma pesquisa feita pela Rock Content, a pedido da Transferwise, 94,6% das pessoas que já haviam enviado dinheiro ao exterior disseram que sabiam quais os custos envolvidos na operação.

Quando questionados sobre os detalhes das tarifas, apenas 8,7% sabiam que havia outros custos, como o spread na taxa de câmbio.

Nos envios para o exterior, 53,2% das operações são feitas via transferência bancária e 20,4% ocorreram por cartão de crédito, segundo o levantamento, que ouviu 2.427 pessoas que já fizeram esse tipo de operação financeira.

A companhia também comparou os custos de suas operações com a média do mercado e afirma ser até três vezes mais barata que os concorrentes.

Avaliada em US$ 3,5 bilhões, a empresa fundada na Inglaterra opera em 71 países e com 49 moedas diferentes. Não se considera mais uma startup porque dá lucro desde 2017, uma demonstração de que desenvolver um modelo de negócio viável, afirma Diana Ávila, executiva para América Latina.

No Brasil, ainda atua como uma correspondente cambial, um modelo seguido por fintechs do país para se adequar a exigências regulatórias. Isso significa que ela depende de outras instituições para completar a operação financeira. 

Ávila afirma que a empresa aguarda a aprovação do Banco Central para se tornar uma instituição financeira autônoma. É quando a TransferWise passará a oferecer serviços também para pequenas e médias empresas.

Também depende disso o lançamento da conta multimoedas, que já existe na Europa. 

Na Inglaterra, Ávila afirma que os custos de envio de dinheiro ao exterior nos bancos ficaram mais transparentes após o crescimento da TransferWise, ainda que não necessariamente tenham se reduzido.

Ávila minimizou também o risco de um negócio perder relevância com o lançamento da libra, a criptomoeda do Facebook. Para ela, o mercado global ainda está distante de negociar com uma única moeda.

"Se uma pessoa tem real e precisa mandar libras [do Facebook], ela provavelmente transferiria via TransferWise de real para libra", afirmou.

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