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Tema delicado gera debates acalorados

Uma em cada cinco mulheres já passou por aborto, revela pesquisa 

Dados da PNA indicam que, no Paraná, seriam 263 mil mulheres adultas

Uma em cada cinco mulheres já realizou o aborto em algum momento de sua vida. É o que revela a Pesquisa Nacional do Aborto (PNA), realizado pela Universidade Nacional de Brasília (Unb) e financiado pelo Ministério da Saúde em 2010 e 2016 — em 2012, inclusive, a pesquisa ganhou o prêmio de melhor estudo em Saúde das Américas em 2012, outorgado pela Organização Panamericana de Saúde.

Extrapolando os dados para a realidade paranaense, teríamos que pelo menos 263.093 mulheres já abortaram, sendo que apenas no último ano teriam sido 28.151 abortos. E isso considerando-se apenas as mulheres com idade entre 18 e 39 anos, alfabetizadas (96,4% da população no Estado, segundo a Pnad Contínua do IBGE) e que vivem em áreas urbanas (85% dos paranaenses, segundo o estudo da Embrapa “Identificação, mapeamento e quantificação das áreas urbanas do Brasil”).

Os números são consideravelmente superiores do que aqueles registrados pelo Datasus, o banco de dados do Sistema Ùnico de Saúde (SUS), que aponta a ocorrência de 10.254 internações em decorrência de abortos (espontâneos, por razões médicas e outros). A diferença, contudo, está dentro do que já apontava a pesquisa realizada por Débora Diniz, doutora em Antropologia e professora de Direito na Unb. 

De acordo com a PNA, de cada duas mulheres que abortam, uma acaba precisando de hospitalização por complicações. A diferença (o dobro de 10.254 casos apontaria para 20.508 abortos, 7.643 a mais do que o apontado pelo método de extrapolação), contudo, pode se explicar pelo fato de o Datasus trazer apenas informações sobre atendimentos feitos pelo setor público de saúde, sem considerar os casos atendidos pela saúde suplementar.

Aborto é comum no Brasil, diz pesquisadora
A partir dos dados coletados pela PNA, a pesquisadora Débora Diniz destaca ser possível observar que o aborto no Brasil é comum e ocorreu com frequência entre mulheres comuns, isto é, foi realizado por mulheres: a) de todas as idades (ou seja, permanece como um evento frequente na vida reprodutiva de mulheres há muitas décadas); b) casadas ou não; c) que são mães hoje; d) de todas as religiões, inclusive as sem religião; e) de todos os níveis educacionais; f) trabalhadoras ou não; g) de todas as classes sociais; h) de todos os grupos raciais; i) em todas as regiões do país; j) em todos os tipos e tamanhos de município.

Para conferir os dados completos da PNA, bem como conhecer mais sobre a metodologia do estudo, basta clicar AQUI que você será redirecionado para  a página com o estudo completo. Para baixá-lo, basta selecionar a opção desejada (em inglês ou português, no caso) logo abaixo das palavras-chave (keywords).

Curitiba terá manifestações pró e contra amanhã e no dia 28 de setembro
Neste sábado (15), está marcado para a Praça Nossa Senhora do Salete, no Centro Cívico, a “Manifestação pela Vida”, que deve reunir (segundo os organizadores) 100 mil pessoas para se manifestarem contra a legalização do aborto. A convocação partiu das igrejas católica e evangélicas, que pela primeira vez se unem para a realização de uma manifestação pública com esta proporção na cidade.

Já para o dia 28 de setembro, será vez de a Frente Feminista de Curitiba organizar um ato no prédio histórico da UFPR para marcar o dia de Luta pela Descriminalização do Aborto na América Latina e Caribe. Até quinta-feira (13), 403 pessoas haviam confirmado presença no evento pelo Facebook, enquanto outras 1,8 mil demonstraram interesse em participar.

Os dois eventos marcam um posicionamento diante o processo que pede ao Supremo Tribnal Federal (STF) a  legalização do aborto até 12 semanas de gestação, a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 442.

Legislação
Na legislação brasileira, existem apenas três situações em que o procedimento de interrupção da gestação é considerado legal: quando não há outro meio de salvar a vida da mulher; quando a gravidez resulta de estupro e quando há diagnóstico de anencefalia fetal. Nesses casos, a mulher pode ser atendida em qualquer um dos estabelecimentos públicos de saúde que possuam serviços de obstetrícia, seguindo as normas técnicas de atenção humanizada.

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