Publicidade
Mercado

Vale e siderúrgicas pesam e Bolsa cai pelo 3º dia; dólar sobe para R$ 3,26

DANIELLE BRANT SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A oitava queda seguida da mineradora Vale e as siderúrgicas pressionaram a Bolsa brasileira nesta quinta-feira (8), em meio à oficialização, por parte do americano Donald Trump, da imposição de tarifas à importação de aço e alumínio ao país. O dólar subiu para R$ 3,26. O Ibovespa, índice das ações mais negociadas, fechou em baixa de 0,58%, para 84.984 pontos. O volume financeiro foi de R$ 11,09 bilhões, próximo da média diária de março, que está em R$ 10,98 bilhões. O dólar comercial subiu 0,64%, para R$ 3,265. O dólar à vista teve alta de 0,54%, para R$ 3,261. A oficialização das tarifas impostas à importação de aço e alumínio agravou a queda das ações de siderúrgicas, que operaram em baixa durante a sessão inteira.  Trump excluiu inicialmente Canadá e México da medida, por causa da renegociação do Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte). O Brasil, segundo maior exportador de aço aos Estados Unidos, não foi poupado. As tarifas passam a valer em 15 dias.  Desde 1º de março, quando o americano Donald Trump anunciou a medida, CSN, Usiminas e Gerdau acumulam perda de R$ 4,3 bilhão em valor de mercado. Somente nesta quinta, a desvalorização conjunta foi de R$ 1,8 bilhão.  A CSN teve a maior desvalorização nesta quinta: caiu 5,08% -imediatamente antes do anúncio, a perda era de 3,5%. A Gerdau recuou 4,18%. A Usiminas se desvalorizou 2,13%, e a Metalúrgica Gerdau teve baixa de 2,56%. O anúncio também teve impacto nos preços do minério de ferro. Desde 1º de março, a mineradora Vale já perdeu R$ 18,97 bilhões em valor de mercado -o que equivale a uma desvalorização de 8% de suas ações. Nesta quinta, os papéis recuaram 3,24%, para R$ 41,46.  "As siderúrgicas buscaram um equilíbrio a semana inteira, em meio às sinalizações de Trump de que ele iria abrir tarifas seletivas para outros países. O protecionismo não é bom para ninguém, nem para os EUA", afirma Alvaro Bandeira, economista-chefe da Modalmais. "Prevalece o estresse com a decisão de Trump de impor tarifas de importação para produtos de aço e alumínio, e principalmente no fato de redundar em guerra comercial", complementa.  Ainda no exterior, o Banco Central Europeu manteve a taxa básica de juros na zona do euro e retirou a promessa de aumentar os estímulos se necessário, em meio à sinalização de que a economia da região está melhorando. O BCE informou que pode prorrogar seu programa de compra de títulos de 2,55 trilhões de euros além de setembro, se achar necessário, mas omitiu a referência a compras maiores, sinal de que continua no curso para encerrar o esquema de estímulo de três anos antes do final de 2018. Aqui, os investidores acompanharam ainda a movimentação política. Partidos que formam a base do governo Michel Temer sinalizaram nesta quinta apoio à pré-candidatura de Rodrigo Maia (DEM-RJ) ao Palácio do Planalto. AÇÕES Das 64 ações do Ibovespa, 39 caíram, 22 subiram e três fecharam estáveis. A CSN foi a maior baixa, seguida pela Qualicorp, que recuou 4,81%. A Bradespar teve baixa de 3,35%. Na ponta positiva, a Fibria teve alta de 6,53%, após a empresa anunciar aumento dos preços da celulose vendida para mercados na América do Norte, Europa e Ásia a partir de abril. Informações da agência Reuters também indicam que a empresa estaria negociando com a Suzano uma possível fusão. A Suzano avançou 3,64% impulsionada pela notícia. As ações mais negociadas da Petrobras subiram 0,14%, para R$ 21,70. Os papéis ordinários tiveram alta de 0,13%, para R$ 23,39. A alta ocorreu apesar da queda dos preços do petróleo, que recuou com o fortalecimento do dólar e sinais de aumento nos estoques no polo de armazenamento americano de Cushing, aumento da produção dos EUA e preocupações dos investidores sobre uma potencial guerra comercial. No setor financeiro, o Itaú Unibanco recuou 0,69%. As ações preferenciais do Bradesco perderam 1,31%, e as ordinárias se desvalorizaram 1,61%. O Banco do Brasil subiu 0,53%, e as units -conjunto de ações- do Santander Brasil caíram 0,36%. CÂMBIO O dólar ganhou força ante 27 das 31 principais moedas do mundo. O Banco Central ainda não anunciou intervenção no mercado de câmbio. Em abril, vencem US$ 9,029 bilhões em swaps cambiais tradicionais (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro). O CDS (credit default swap, espécie de termômetro de risco-país) subiu 0,03%, para 152,1 pontos. No mercado de juros futuros, os contratos mais negociados tiveram queda. O DI para abril deste ano caiu de 6,569% para 6,568%. O DI para janeiro de 2019 caiu de 6,450% para 6,445%.

Publicidade

DESTAQUES DOS EDITORES