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Exterior

Venezuela é centro de campanha mundial brutal, diz Maduro

NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - A Venezuela é vítima de uma "campanha mundial brutal" diariamente em todos os organismos internacionais, afirmou nesta quinta-feira (27) o ditador venezuelano, Nicolás Maduro, ao fim de uma sessão de fotos ao lado do secretário-geral da ONU, António Guterres.

Maduro falou a jornalistas reunidos no térreo do prédio principal da organização, um dia após cancelar uma entrevista coletiva que seria realizada logo após seu discurso de quase 50 minutos na Assembleia-Geral da ONU, na última quarta (26).

"A Venezuela é centro de uma campanha mundial brutal, de ordem econômica. Há bloqueios, guerra econômica e financeira, diplomática todos os dias em todos os organismos internacionais, pressões políticas e ameaças de todo tipo", afirmou.

No discurso de quarta, Maduro afirmou que a crise humanitária no país foi fabricada para justificar a intervenção militar no país.

Nesta quinta, ele voltou a insinuar que a crise humanitária seria forjada, ao dizer que não é permitido "levar a verdade sobre a Venezuela."

"A verdade faz milagres, abre portas, abre entendimento", disse o ditador, que acrescentou estar encabeçando uma campanha "de paz pela Venezuela".

Maduro fez referência novamente à reportagem do jornal The New York Times sobre a participação de autoridades do governo americano nas discussões com militares venezuelanos sobre uma intervenção no país. 

"Falamos sobre tudo o que tem a ver com a situação da Venezuela, como o que saiu no jornal The New York Times recentemente, no Washington Post, sobre a participação de funcionários da Casa Branca na preparação de uma insurreição militar, de um golpe de estado na Venezuela", disse. "Isso alarmou muita gente no mundo."

Ele ressaltou que vai continuar sua "cruzada" para conseguir uma investigação internacional sobre o episódio. 

No discurso na ONU, o ditador havia indicado que estava disposto a se encontrar com o republicano Donald Trump para uma tentativa de aproximação entre os países. Nesta quinta, reiterou a intenção. 

"Se houver a oportunidade de uma conversação com o presidente dos EUA, Donald Trump, eu estou pronto e disposto, e levaria a essa conversa toda a verdade, e uma agenda aberta", afirmou. 

"Seria para o bem, tenho certeza que sim, se eu e Trump nos víssemos frente a frente, como você e eu [disse, tocando no ombro do repórter]. Certeza que seria para o bem."

O mesmo disse sobre a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, alta comissária de Direitos Humanos da ONU, que afirmou ser bem-vinda à Venezuela sempre que quiser visitar o país.

O ditador não mencionou a resolução histórica do Conselho de Direitos Humanos da ONU que pediu a Maduro que aceite "ajuda humanitária" para resolver os problemas de "escassez" de alimentos e medicamentos no país.

O texto, proposto por vários países latino-americanos, como Argentina, Peru, Chile e Colômbia, além do Canadá, foi aprovado por 23 dos 47 Estados representados no Conselho, incluindo o Brasil; 17 países se abstiveram e 7 votaram contra, entre eles China, Cuba e a própria Venezuela.

No discurso na ONU, Maduro insinuou que a crise humanitária no país era fabricada para justificar a intervenção militar na Venezuela, assim como as armas de destruição em massa foram usadas como pretexto para iniciar a Guerra do Iraque em 2003.

"[Os Estados Unidos] fabricaram uma crise migratória para justificar uma intervenção humanitária, no mesmo esquema das armas de destruição em massa do Iraque, um esquema brutal de guerra psicológica", acusou o ditador venezuelano.

Também se comparou a Nelson Mandela. "Há 30 anos, Mandela era considerado um terrorista pelo Congresso dos Estados Unidos e pelos governos americanos. Apenas há uns anos, porém, Nelson Mandela estava na lista dos sancionados. Parece familiar, não é verdade?", disse.

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