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Paris: quando ir, onde ficar, o que fazer e muito mais – Parte III

14 março, 2014 às 14:51  |  por Candice Bittencourt

Tenho a impressão que Paris é o tipo de cidade que você pode morar por anos e anos e nunca vai se entediar por falta do que fazer. Paris é um verdadeiro caldeirão cultural, respirando o tempo todo história, arte e cultura. Das três semanas que fiquei por lá seguem alguns passeios que me marcaram:

Cemitério Père- Lachaise

Para sair um pouco dos passeios convencionais, que tal uma tarde em um dos cemitérios mais célebres do mundo? Para alguns pode parecer um tanto estranho ficar caminhando por entre mortos em um ambiente fúnebre, mas acredite, a sensação de caminhar pelas ruelas do Père Lachaise é emocionante e única. Se você se deixar levar pelo clima bucólico e envolvente dos encantos da arquitetura neo-gótica, sua tarde pode se tornar inesquecível. Por lá, descansam nomes consagrados da história e da arte francesa e internacional. É um verdadeiro museu a céu aberto.

Se eu consegui te convencer, tenho um conselho: tenha um mapa em mãos se quiser ver as sepulturas dos famosos. Não é nem um pouco difícil se perder nas vias de paralelepípedos.

Entre as lápides mais visitadas está a de Edith Piaf que encantou gerações com sua voz singular. Na sua lápide coberta de flores é possível ler ” La Vie en Rose”.

Chopin, um dos maiores pianistas da história da humanidade também está enterrado no Père Lachaise.

Seguindo na área musical outra lápide famosa e sempre cheia de fãs é do Jim Morrison, o vocalista do The Doors.

túmulo da Edith Piaf

No dia da minha visita, o túmulo do Jim Morrison é onde tinham mais fãs. Tinha até um cercadinho que separava o túmulo dos visitantes, mas os fãs de Morrison não queriam saber, eles pulavam a cerca, acendiam uma vela, ligavam um som baixinho com a voz de Jim ao fundo e ficavam ao lado da lápide só curtindo o momento.

lápide do Jim Morrison

Voltando a infância, quem não lembra da fábula da lebre e da tartaruga? Pois lá você também pode visitar o túmulo de La Fontaine e bem ao lado da sua lápide está enterrado outro grande dramaturgo e considerado um dos gênios do teatro francês: Molière.

Alguns filósofos, escritores, pintores, escultores, historiadores que deixaram sua história para a posteridade e que estão enterrados no Père-Lachaise: Oscar Wilde, Honorè de Balzac, Cyrano de Bergerac, Delacroix e até o pai do espiritismo, Allan Kardec.

As torres da Catedral de Notre Dame

A catedral de Notre Dame com certeza é dos passeios mais conhecidos para se fazer em Paris. Localizada bem no coração da antiga cidade e não muito longe das margens do rio Sena, essa obra arquitetônica construída no ano de 1163 é uma das mais antigas igrejas no estilo gótico na cidade. Com suas dimensões imponentes e cheia de detalhes em cada milímetro, a visita à catedral é de encher os olhos de tanta arte e história.

fachada principal da Notre Dame

Confesso que toda essa beleza poderosa da catedral misturada com o circo que virou a praça Parvis, que fica em frente a fachada principal, deixa o clima meio “calçadão” com uma aglomeração de turistas vendo artistas de rua que fazem de tudoum pouco: colocam música da pior qualidade, cantam, pulam, dançam e passam o chapéu. Haja paciência.

interior da catedral

Para conhecer a Catedral você tem duas opções: a primeira e a mais procurada é o passeio pelo interior que é de graça, só que às vezes precisa encarar uma fila que pode ser desanimadora.

alto da torre

A outra opção é subir pela lateral esquerda da catedral por uma escadinha apertada em forma de caracol de quase 400 degraus. Pensei em fazer a visita próximo do pôr do sol e para mim foi uma das vistas mais lindas de Paris. Ficar perto dos gárgulas (o que sempre me atraiu na Catedral ) é uma experiência única. O ingresso para subir custa 8.50 euros e é sempre bom olhar as datas e horários. Nesse link AQUI você pode encontrar informações.

Paris

bem próximo dos gárgulas, com a torre Eiffel ao fundo

A livraria Shakespeare & Company 

Já que você estará do lado da catedral de Notre Dame, que tal atravessar para a margem esquerda do rio Sena e dar uma passada para conhecer uma das livrarias mais charmosas de Paris?

A Shakespeare & Company foi aberta em 1913 por uma americana chamada Sylvia Beach e na época era ponto de encontro de todos os escritores de língua inglesa em Paris.

Ernest Hemingway era um visitante regular na livraria, inclusive no seu livro “A Moveable Feast” ele retrata bem os anos 20 na cidade luz. Nessa mesma época, Beach acolhia, alimentava e dava apoio aos escritores que muitas vezes não tinham onde dormir, mas a única exigência era que eles lessem um livro por dia. A livraria é pequena, mas muito charmosa e sempre tem alguém recitando embaixo de uma linda árvore que fica do lado da Shakespeare & Company. Vale a pena uma visita.

O rio Sena e suas pontes

Essa nem eu imaginava meus caros, mas andei pesquisando e descobri que Paris tem 37 pontes sobre o rio Sena. Esteja certo, cruzar o rio Sena do “rive droite” (como os franceses chamam a margem direita) para o “rive gauche” (a margem esquerda) através de suas pontes lindíssimas é um momento para se viver muitas vezes na cidade. Não importa o horário e nem o tipo de locomoção, absolutamente tudo perto do Sena é de tirar o fôlego de tanta beleza.

As pontes mais famosas e que ficam no coração da antiga Paris são a Ponte Nova ( Pont Neuf ) que apesar do nome, é a mais antiga de todas. Construída de pedra e madeira a ponte foi inaugurado em 1606 por Henrique IV. A segunda ponte mais antiga da cidade e que faz ligação da Ilha de Saint Louis e o famoso Hotel Del Ville é a Pont Marie.

Outras pontes famosas e que valem uma vista são: Pont Alexander III, Pont des Arts, Pont Royal e Pont de La Tornelle.

Pont Alexandre III

 

Pont des Arts – onde os enamorados escrevem seus nomes no cadeado como jura de eterno amor.Diz a lenda que só dá certo se a chave for jogada no rio Sena.

Museu D’Orsay

Situado à margem esquerda do rio Sena, o museu D’ Orsay foi instalado em uma antiga e importante estação ferroviária desativada chamada Gare D’Orsay. Inaugurado em 1986, a coleção do museu retrata principalmente o período de 1848 até 1914, ou seja, um lar de profusão de artistas realistas/naturalistas, pré-impressionistas, impressionistas, expressionistas e art-nouveau como Van Gogh, Manet, Monet, Delacroix, Toulouse-Lautrec, Renoir, entre tantos outros.

No terceiro andar do museu tem um café e uma grande varanda com vista para o rio Sena. Desfrutar de uma tarde sem pressa no museu D’Orsay é um bom alimento para a alma.

 

No próximo post: venha conhecer um pouco da Grécia! Atenas e as ilhas de Santorini e Milos.

 

Paris: quando ir, onde ficar, o que fazer e muito mais – Parte II

16 janeiro, 2014 às 20:15  |  por Candice Bittencourt

Como se locomover em Paris – metrô (em qualquer época do ano)

Paris é uma cidade fácil de se locomover graças a seu metrô, considerado um dos melhores e mais movimentados do mundo e que atende quase toda a cidade. Imagine, 214 quilômetros divididos em 16 linhas (numeradas de 1 a 14 com duas pequenas linhas 3bis e 7bis), com 62 conexões entre as linhas e 303 estações espalhadas pela cidade.

Além de ser rápido e barato, é o meio de transporte que te leva de um ponto a outro do mapa sem grandes dificuldades. Só precisa prestar atenção porque algumas vezes é necessário fazer conexões nas estações, ou seja mudar de uma linha para outra para se chegar ao destino desejado.

O que facilita bastante é que as linhas do metrô têm cores, o que nos ajuda muito na hora de se localizar. Eu lembro que ir para a minha casa temporária em Paris, eu precisava sempre chegar até a linha 11, a marrom.

E não se assuste se você se sentir uma sardinha enlatada na hora do rush, afinal são cerca de 5 milhões de pessoas diariamente utilizando o meio de transporte número 1 na cidade luz. Vamos ao mapa:

A primeira linha ( linha 1) do metrô de Paris foi inaugurada em 1900 e a última, linha 14 foi construída no final de 1990 e é toda automatizada.

Dicas de qual bilhete comprar

Se você for explorar apenas o grande centro de Paris compre os bilhetes de zona  1-2. Todos os passeios que estiverem fora da zona 1-2 como por exemplo, o castelo de Versalhes que fica na zona 4, ou o parque da Disneyland que fica na zona 5 ou mesmo os aeroportos Charles de Gaulle, na zona 5 e o Orly, na zona 3 , já tem um acréscimo no valor do bilhete. 

Eu comprei a zona1-2 por uma semana e quando queria ir além como o La Defense, por exemplo, comprava o bilhete individual. Repare no mapa as zonas como são divididas:

Quais são as opções para comprar tickets para a zona 1-2?

- comprar individualmente por 1.70 euros cada vez que for usar ou escolher a opção do pacote com 10 bilhetes (conhecido por carnet voyage) por 13.30 euros. O ticket t+  não tem data de validade e também pode ser usado no ônibus, nos bondes, no funicular de Montmartre e nos trens RER da zona 1.

- outra opção é comprar o passe metro Navigo por uso ilimitado por uma semana, um mês ou um ano.

 Para comprar você precisa pedir para um atendente no guichê do metrô um passe Navigo. Primeiro eles vão te perguntar para qual zona você quer  e depois por quanto tempo.

Importante saber que a validade do passe semanal começa sempre na segunda-feira e termina no domingo. Ou seja, se você chegar na quinta em Paris, vale mais a pena comprar o pacote de 10 bilhetes, a não ser que você vá fazer bem mais de 10 viagens entre quinta a domingo.

Quando comprei escolhi a zona1-2 por uma semana. O preço do passe semanal custa 19,80 €, além dos 5 € para comprar o cartão magnético Navigo. Ou seja, quase 25 euros por uma semana (de segunda a domingo) ou seja, 3,57 € por dia com direito a fazer viagens ilimitadas. Vale a pena né?

 

Como se locomover em Paris – Vélib bike  (para dias de calor ou meia estação) 

Vélib é uma empresa que no verão de 2007 inventou um novo jeito de se locomover por Paris de uma forma barata, rápida, inteligente e bem charmosa: eles espalharam estações de bicicletas por toda a cidade com a idéia de apanhá-la em uma estação (por exemplo na frente da catedral de Notre Dame) e devolvê-la em outra (por exemplo próximo da Torre Eiffel) em no máximo 30 minutos ( tempo máximo em que ela é gratuíta ) para que a rotatividade seja grande e para que todos possam usar.

Hoje em dia, esse sistema de bicicleta de auto-atendimento (disponível 24 horas por dia, durante o ano todo) oferece mais de 20 mil Vélibs com mais de 1.400 estações por toda a cidade.

E nós que somos turistas podemos usufruir desses serviço? sim e é bem fácil e confiável.

Siga os passos que aprendi com meus amigos parisienses:

1 – Vá até a estação mais próxima de você. É muito fácil de encontrar Vélibs pelas ruas de Paris.

2 – Para acessar o serviço, ou seja para retirar uma bike da estação, você precisa ir até o terminal computadorizado, que é tipo um tótem que tem junto com as bikes, mas, antes de passar o cartão de crédito escolha que bike você vai pegar na estação e já anote o número dela.

3 – Para escolher uma boa bike observe primeiro se os pneus estão em boas condições e se as correntes se estão correndo bem ( é só dar uma girada no pedal).  Sempre que você for pegar uma bike, observe se o botão verde está ligado. Se tiver vermelho, não mexa com ela. Ela está indisponível por alguma razão.

Tenha uma dica: toda vez que vc vê as bikes com o assento virado ao contrário é sinal que ela está com algum problema. Os franceses já fazem isso para ajudar um ao outro na hora de escolher uma boa bike.

Quando você encontrar um banco virado assim é porque a bike está com algum defeito. Escolha outra.

4 – Volte para o tótem e agora você verá uma tela e um display com botões. Primeiro, escolha o idioma mais apropriado para se entender com a máquina. Os opções são: inglês, francês, espanhol, alemão e italiano. Agora é só seguir as instruções.

5 – Você vai precisar digitar o número da sua bike escolhida e logo depois passar o seu cartão de crédito no momento solicitado. Eles também pedirão uma autorização para um depósito de segurança caso aconteça alguma com a sua bike, tipo roubo, furto. Depois eles devolvem esse valor, não se preocupe.

6 – Assim que o seu cartão for aceito pela máquina, um ticket será impresso e você só precisa ir até a sua bike, passar o ticket sobre o leitor do lado da bicicleta e ela automaticamente será liberada, fazendo um barulhinho. Aí é só tirá-la do encaixe e pronto, você está pronto para a diversão!

Se você quiser, também dá para alugar a Vélib através da internet. 

Veja como funciona:

1 – vá até o site deles e você verá na primeira página 3 opções do lado esquerdo: sign up now / buy a 1-day ticket por 1.70 Euros / buy a 7 days tickets por 8 Euros. Não clique no signup now e sim na compra para um dia ou para uma semana de acordo com a sua permanência na cidade.

2 – Depois de você escolher entre 1 dia ou 7 dias, eles vão pedir para digitar duas vezes seu email e depois uma senha de 4 dígitos ( PIN ) também duas vezes. Daí você precisa colocar que dia você quer começar a validar sua corrida de bike, Pode ser no mesmo dia ou no dia seguinte…ou o dia que for!

3 – na próxima página vem a confirmação e o pedido dos dados do seu cartão de crédito. Eles farão um depósito de segurança de 150 euros e que depois que terminar o contrato eles liberam de volta esse crédito para você. Eles não cobram esse 150 euros, eles só deixam “pendurado” no seu cartão, da mesma maneira quando você faz check in num hotel.

4 – depois do pagamento você receberá seu número de contrato, ou sua ID number (acredito que são uns 8 a nove números juntos) que você precisa marcar e guardar com você por onde você andar, porque vc precisará toda a vez que for retirar uma bike da estação.

5 – Nos tótens, na hora de retirar a bike, é muito fácil: é só seguir as instruções da máquina: digitando seu ID number, depois sua senha de 4 dígitos (aquela digitada no computador) e o número da bike que você quer destrancar na estação e pronto!

Uma dica muito importante: quando você for devolver sua bike, tenha certeza que ela ficou travada na estação: como? toda vez que ela fizer um CLIC e aparecer uma luz verde, está tudo certo! 

Se aparecer uma luz vermelha ( o que é raríssimo) você vai precisar voltar ao tótem, munidos com o numero da sua ID, o nome da estação e pedir para falar com uma das atendentes ( eles tem atendimento pelo tóten também e falam inglês, uh la la) para reportar que sua bike está com a luz vermelha. 

O resto eles resolvem por você. Já aconteceu comigo uma vez e é tranquilo e tudo se resolve rapidamente, mas é preciso ser feito, porque quando você devolve a bike e aparece a luz vermelha significa que a máquina não registrou que sua bike não foi devolvida e isso pode te trazer problema.

Como funciona os preços para andar de Vélib:

Se você tiver a manha e quiser pagar uma mixaria para conhecer Paris você vai precisar de um cronômetro ou ficar ligado no relógio.

Como funciona: a cada primeira meia-hora o serviço é gratuito, ou seja, se você pega numa estação, roda 25 minutos, devolve na estação mais próxima, espera 2 minutos ( por que é uma regra) pega outra bike na mesma estação que você devolveu sua última bike e roda por mais 25 minutos e vai indo nesse ritmo, você não pagará mais de 1.70 ao dia ou 8 euros a semana patra conhecer Paris de Vélib.

Se você passar a meia hora os preços vão subindo como um foguete:

A próxima meia hora com a mesma bike custará 1 Euro.

A segunda próxima meia hora com a mesma bike, mais 2 Euros.

A terceira próxima meia hora com a mesma bike, mais 4 Euros.

Qualquer adicional meia hora com a mesma bike custará 4 Euros.

Calculando: se você pegar um bike meio-dia e devolver às 4 da tarde por exemplo, a brincadeira custará  23 Euros! Ou seja, não dá chamar a Vélib de “sua” por muito tempo, a brincadeira aqui é comunitária.

O segredo é andar um pouquinho, no máximo por uma horinha, e já troca por outra, compris?

Boa sorte com sua experiência com a Vélib!

 

eu e a  Lu rodando Paris de Velib

 

No próximo e último post : venha descobrir alguns encantos e segredinhos da cidade! Voilá

Mais dicas sobre Paris? Segue alguns links abaixo:

Paris: quando ir, onde ficar, o que fazer e muito mais – Parte I

Paris: quando ir, onde ficar, o que fazer e muito mais – Parte III

As melhores dicas de Paris – por quem vive lá

31 dezembro, 2013 às 09:02  |  por Candice Bittencourt

Como é bom ter amigos morando em uma cidade que você está indo visitar.

Melhor é quando esses amigos dedicam dias para te levar para passear e te mostrar lugares que você não conheceria se não fosse por eles.

Melhor ainda é depois de toda essa gentileza, você pede dicas e impressões da cidade para dividir com os leitores do blog e eles abrem o coração e revelam até segredos que só quem vive no local tem moral para contar. Salve a generosidade!

Sim, melhor impossível:  essa cidade é Paris!

Apresento meus amigos sortudos: (porque viver em Paris requer uma dose de sorte na vida!) 


Luciane Bonatto - minha amiga há 25 anos, daquelas de viajar juntas e de encontrar pelo mundo afora. A Lu vive em Paris desde setembro de 2012 (um ano e meio) e lá estuda direito empresarial em uma das mais conceituadas universidades da Europa, a Panthéon-Assas. 

O que mais te impressiona em Paris? 

Sem sombra de dúvidas a eclética arquitetura da cidade. Seus prédios “Haussmanniens” e em ”Pierre de Taille” e também as luzes naturais da cidade. Nos finais de tarde ensolaradas, a luz ao refletir nos prédios é um presente aos olhos dos curiosos e observadores que costumam andar olhando para o alto. Um verdadeiro show de tons que compõem uma rica palheta de cores que variam desde o amarelo pálido a um encorpado tom de mostarda, este que por sua vez, delicadamente transmuta-se em dourado, transformando inusitadamente a cidade, quase que num processo de Alquimia.  Os reflexos, luzes e sombras, traduzem-se em momentos mágicos, de tirar o fôlego. Paris que vista do alto é branca, ao entardecer veste-se de ouro.

Quais são os três restaurantes daqueles bons e baratos que você ama na cidade? 

Tarefa complicada selecionar apenas três, mas voilá: 

La Formi Alée - lá você degusta pratos descomplicados da culinária francesa, rodeado de livros antigos. Super indico para quem é aficcionado por bibliotecas como eu. 

Café Cassette -  para toda e qualquer ocasião, desde um brunch aos domingos, até um reforçado café da manhã. As “potages”, apelido francês para a tradicional sopa, de lá são deliciosas, sonho até hoje com uma sopa do dia que degustei lá, creme de batata perfumado por trufas negras. O tempero de lá é especial. 

Ribouldingue -  um bistro de instalações modestas em contraste com uma comida extremamente saborosa, os entendidos em gastronomia se refugiam de tempos em tempos por lá, isto é, semanalmente.

Qual é o melhor jeito de se locomover?

A pé, para sorver os detalhes da cidade, principalmente nos dias de temperaturas amenas. Bicicleta é uma forma divertida, bastante ágil e que te permite uma interação interessante com o meio. O metrô também é muito eficaz pela sua rapidez, porém te restringe dos encantos dos inúmeros detalhes e da beleza da superfície. O ônibus é bastante eficiente, mas aconselho para quem tem um tempo para estudar as linhas e tem um conhecimento mediano da cidade.

Imagine um dia dedicado para apreciar arte. Por onde você passaria? 

Começaria o dia dando uma volta de bicicleta (vélo), pela região de Belleville e Menillmontant, para apreciar a Quarta Dimensão da arte urbana , a verdadeira e inusitada Street Art, marcas e reflexos de uma Paris mais underground, mas atenção, olhos atentos, tá tudo lá ao deleite dos bons observadores. 

Após iria à Place du Tertre, um charmoso e imperdível clichê, no alto de Montmartre. Ah, melhor sem bicicleta!  Passaria o início da tarde no Jardin de Tuileries, indo da Concorde ao Louvre, um verdadeiro museu ao céu aberto.

Terminaria o dia na Place des Vosges, apreciando as tantas galerias ao seu redor, instaladas sob arcos. Importante: a casa em que Victor Hugo viveu é lá.

Qual é lugar mais inspirador em Paris?

La Fointaine Médices, no Jardin de Luxembourg.

E a vista mais bonita da cidade? 

Do alto da Tour Montparnasse, você pode compreender Paris, sentir Paris. Chegar pela primeira vez diante à Tour Eiffel pelo Trocadero é com certeza inesquecível também.

Em que ruas em Paris você gosta de passear? 

Aos sábados gosto de flanar pela Rue Montorgeuil, perto de Châtelet. Ver a vida passar, comidinhas variadas, brexós, gente sorridente e de bem com a vida.

A qualquer hora adoro a Passage du Chantier, no Faubourg Saint-Antoine. Você sente o perfume da madeira trabalhada pelos diversos artesãos que vivem por lá, em seus ateliers. Volta no tempo garantida!

Rue des Thermopyles, no 14 arrondissement. Lá eu tenho a impressão de ultrapassar um portal mágico, que em apenas dois passos me remete ao interior da França. Ruela de casas com jardins, bem estilo campanha. 

De tantos museus pela cidade, qual é seu preferido?

O Musee D’Orsay.

Que comidinhas em Paris que só de pensar te deixam com água na boca? 

Com certeza o crepe do Le Grec na Rue Mouffetard, a única coisa que pode ser indigesta é a fila que se forma na hora do almoço ou fim da tarde. Imagine um crepe delicioso, com muito emental, jambon (presunto), alface, tomate, ovo, champignons e mais tudo aquilo que você achar que tem direito. O crepe de banana com Nutella merece ser apreciado, nem que dividido.

As tartelettes aux framboises, e os éclairs au chocolat da Arnaud Delmontel, no 39 Rue de Martyrs. Por sinal essa rua é um paraíso na terra para os Gourmands.

Para quem quer dançar até tarde da noite, que lugar/região você aconselha?

Silencio Club, na região de Grands Boulevards. E mais que evidente, o aclamado Club Rex, eletrônico da melhor qualidade. 

Um lugar emocionante em Paris. 

Pontinha extrema da Ile de La cité, sob o enorme chorão que lá habita, na beirinha do Sena, com vista para a Pont des Arts. Pôr do sol de tirar o fôlego.

Se você pudesse consertar algo em Paris, o que seria?

Não seria bem Paris, mas os parisienses de um modo geral. Admitem eles um certo peso, uma falta de paciência e de otimismo, principalmente com os turistas. Prova disso é quando você pergunta:

- Comment vas tu? 
   Resposta:
- Pas mal.
 (Nem precisa traduzir)

P.S – fora as tantas bufadas que eles vivem dando.



Odilon Merlin - Formado em Artes Cênicas pela PUC/PR, esse amigo é figura conhecida entre os artistas de Curitiba. Odilon foi dono da lendária Temptation Discos nos anos 90 e depois pilotou de 2000 a 2011 um dos bares mais irados de Curitiba: o Era Só O Que Faltava, que por mais de uma década lavou a alma de muitos carentes por música boa na cidade! Algumas bandas que tocaram por lá: Karnak, Los Hermanos, Beijo AA Força, Cat Power, Black Maria, entre outros. 

O que mais te impressiona em Paris? 

O que mais me impressiona é a capacidade dela se reinventar através dos tempos. Paris tem mais de dois mil anos. Era uma aldeia gaulesa, tornou-se uma cidade romana e depois o principal centro urbano da Europa medieval. Foi berço do Renascimento, do Humanismo e precursora do Socialismo. Sobreviveu às maiores guerras da humanidade. É referência na indústria do luxo, da moda, gastronomia, arquitetura, urbanismo, design, artes plásticas e fotografia. Acolheu os maiores compositores da história. Possui os principais museus do planeta. 

E nada disso é suficiente para acomodá-la. Ela continua se transformando, se recriando, construindo seu futuro. Isto é fascinante e muito estimulante para quem vive nela.

Quais são os três restaurantes dos “bons e baratos” que você ama na cidade? 

Muito cuidado nessa hora porque 80% dos restaurantes da cidade servem comida pronta (congelada). Aquela deliciosa entrada de salmão defumado com folhas verdes ,você compra igualzinho em qualquer supermercado da cidade por 1/5 do preço do restaurante! Mas em termos de ambientação, os restaurantes são realmente imbatíveis. Portanto, se você sabe que é assim que funciona, relaxe e aproveite esses deliciosos lugares sem se deslumbrar com o cardápio que, na real, é uma farsa.

Eu posso indicar o restaurante português Pedra Alta, no Boulevard de Bercy com carnes e lagostas de cinema a um preço espetacular para os padrões parisienses. Chegue cedo porque as filas também são de cinema!

O restaurante típico de Paris é a brasserie. É um restaurante de tamanho grande com serviço contínuo (abre cedo e fecha tarde), sempre com decoração elegante, e que serve pratos não muito complicados. Em geral especialidades francesas são frutos do mar. Existem muitas brasseries por toda Paris e para todos os bolsos. Eu gosto particularmente da Le Européen em frente à Gare de Lyon e da Lipp, bem pertinho da Igreja de Saint Germain-des-Prés, mas essa é mais salgada.

Outro restaurante que eu gosto bastante é o Les Fabricants ( 61 rue Jean Pierre Timbaud), com ambiente descolado, frequência jovem e bonita e preço camarada. Fica na região da rua Oberkampf, cheio de restaurantes, bares e casas noturnas.

Mas é importante ressaltar, não existem milagres em Paris. Grandes chefs e excelentes restaurantes custam pequenas fortunas, mas valem quanto pesam (ou custam)

Para orçamentos apertados, eu sinceramente deixaria os restaurantes de lado, me divertiria um monte nos mercados e nas lojas da rede de congelados Picard ( a 8ª maravilha do mundo moderno) e faria excelentes refeições improvisadas no hotel ou no apartamento alugado.

Qual é o melhor jeito de se locomover?

Não só o melhor mas o único razoável é o transporte público. Seja trem, metrô, ônibus, bonde ou bicicleta. É com certeza o melhor sistema integrado de transporte do mundo. Em climas agradáveis e com alguma familiaridade com a cidade, a bicicleta é perfeita. Vale também estudar um pouco os mapas e itinerários dos ônibus. Perde-se muita coisa bacana viajando só de metrô.

Imagine um dia dedicado para apreciar arte. Por onde você passaria? 

Pelas galerias de arte da rue de Seine, da rue des Beaux Arts e da Place des Vosges.

Qual é o lugar mais inspirador em Paris? 

Meu canto preferido é a Place Louis Aragon, no bico da Île de Saint Louis. E se perder pelas ladeiras de Montmartre  é outra experiência espetacular.

E a vista mais bonita da cidade? 

Nas duas vistas mais conhecidas: as escadarias de Sacre Coeur  e a Torre Eiffel, você não consegue ver a Torre, que é o ícone máximo da cidade. Então eu voto no restaurante panorâmico da Tour Montparnasse, o Ciel de Paris.

Onde seus filhos mais se divertem em Paris?

Na Cité des Sciences et de l’Industrie, sem dúvida. Programa de dia inteiro para toda a família. No Parc de La Villette. O Jardin d’Acclimatation também é um programa sensacional que mistura zoológico e parque e diversões ‘old school’.

De tantos museus pela cidade, qual é seu preferido?

Que comidinhas em Paris que só de pensar te deixam com água na boca? 

Sandwiche de falafel na rue des Rosiers no Marais. Macarrons do Ladurée. Sorvete da Bertillon, na Île de St. Louis.

Para quem quer dançar até tarde da noite, que lugar/região você aconselha?

Os bares e clubes de Belleville, de Ménilmontant e de Saint Germain-des-Prés são super concorridos.

Um lugar emocionante em Paris. 

Para mim não existe nenhuma construção erguida pelo homem mais apaixonante que a Torre Eiffel. De qualquer ângulo, de perto, de longe em cima ou embaixo, ela é enorme, linda , perfeita e emocionante. Do Champs de Mars ao Trocadero.

Quais são as lojas/lugares para apreciadores de música e bolachões como você?

Tem muitas. Inclusive eles tem todo ano o Dia da Loja de Discos, o Disquaire Day. Tem shows pela cidade toda, promoções, muito legal. Este é o site da última edição com os principais endereços: http://disquaireday.fr/disquaires/

A loja da Cité de la Musique também é ótima. Muitos LPs, CDs , camisetas e livros. E qualquer Fnac é uma festa para os olhos e uma perdição para o bolso.

Se você pudesse consertar algo em Paris, o que seria?

Um pouco mais de sol não ia ser nada mal. 

No próximo post, venha mergulhar um pouco mais em Paris.

 

Paris: quando ir, onde ficar, o que fazer e muito mais – Parte I

5 dezembro, 2013 às 07:49  |  por Candice Bittencourt

E lá estava eu em casa preparando o itinerário da nossa viagem de 40 dias de verão pela Europa e já tínhamos um consenso: conhecer novos lugares. A Grécia foi a primeira escolhida e logo em seguida veio a decisão de explorar um pouco o leste europeu começando pela Hungria e depois Eslováquia.

A primeira peça do quebra-cabeça estava difícil de encaixar no orçamento: passagens em pleno verão é para chocar qualquer viajante: nada por menos de 1800 dólares para pisar em qualquer ponto da Europa.  Um belo dia de tanto pesquisar eis que surge por 1.000 dólares um vôo direto San Francisco para o Charles de Gaulle com a low fare francesa XL . Hora de agir. Só para constar: essa companhia só faz vôos dos Estados Unidos para França. Se procurar você encontra vôos a partir de 800 dólares.

Faça o cálculo comigo: duas passagens onde você já estava conformada em gastar 3.600 dólares, de repente fica por 2.000! Pensei: com esses 1.600 que sobra, alugamos um apartamento pelo Airbnb lá nas colinas de Beleville e ficamos duas semanas curtindo o verão em Paris. Fechado.

Eu já sabia que escrever sobre Paris seria chover no molhado. Até um amigo blogeiro me alertou: “escrever sobre Paris deve ser difícil, imagina, falar sobre mais o quê da cidade luz”.  E sabe que por um tempo fiquei mesmo pensando: mas já não tem informação suficiente sobre onde passear, o que ver, onde ficar, o que comer em Paris?

Pois bem, então já que todos sabem que Paris é magnífica, uma das cidades mais lindas do mundo, que caminhar próximo às margens do rio Sena é um deleite para os olhos, que conhecer a catedral de Notre Dame é fantástico, que o museu do Louvre é imponente, que ver a cidade toda iluminada lá do alto da torre Eiffel é inesquecível, que a avenida Champs Èlysées é o paraíso das compras e que ainda tem o Arco do Triunfo como cenário para suas fotos, o que queremos afinal com esse texto?

Descobrir com calma a Paris do parisiense! Onde eles tomam seu vinho rosê no final de tarde? Que praça eles sentam no horário do almoço para degustar uma baguete? Como o parisiense se locomove? Qual é a livraria que eles frequentam? Onde ficam as feiras livres?

Bem, para desbravarmos uma cidade (não ficando apenas na área turística) precisamos estudar e no mínimo conhecer o seu tamanho e como ela está distribuída no mapa.

Entendendo o mapa de Paris 

 

Observe os números em cada pedaço colorido do mapa e brinque de “ligue os pontos” começando do 1 até o 20. Que desenho saiu desse traçado? Não faz lembrar um rocambole ou uma cobra enrolada? Pois é assim que é feita a divisão administrativa de Paris, pelos seus 20 arrondissements (distritos) que compõem a cidade e onde vivem aproximadamente dois milhões e duzentos mil sortudos.

O ponto central da cidade, ou seja a arrondissement 1 começa no Louvre (bem perto do rio Sena) e é distribuído em uma espiral que se desenvolve no sentido dos ponteiros do relógio. Assim os números mais baixos correspondem aos “distritos” mais centrais e quanto mais alto o número, mais longe ele vai ficando do centro. E os preços em Paris também seguem essa lógica: ou seja, quanto mais próximo do centro histórico da cidade, mais caro você vai pagar por um quarto de hotel.

Qual é a melhor época para conhecer Paris

Semanas antes de viajar para a Europa conheci um parisiense aqui em San Francisco e comentei que estava indo passar o verão na terra dele. Ele me disse: você está indo na melhor época. Por quê? perguntei. E ele: é o período onde os parisienses saem da cidade para fugir do verão. Ironia é pouco monsieur…”fugir do verão” pensei com os meus botões, mal sabia o que vinha pela frente.

Se a idéia é passar o verão em Paris é bom saber que você pode dar de cara com o tal canicule que é um fenômeno climático que vem do norte da África e que castiga algumas regiões da Europa. Imagine uma onda de calor excessivo durante o dia (e a noite) combinada com um bloqueio da circulação de ar. Eu senti um pouco dessa sensação por três dias eu digo que é desumana.

Quando o canicule dá o ar da graça em Paris, os jornais ficam em polvorosa, oferecendo dicas de como se proteger e alertando sobre o perigo de pegar uma forte insolação e desidratação, principalmente nos idosos e nas crianças.

Por isso eu não aconselho o verão em Paris. E o inverno também deve ser aterrorizante. Acredito que os meses no final da primavera (maio e junho) e no começo do outono (setembro e outubro) sejam os mais interessantes.

Tem uma piada que diz que o melhor mês para visitar a cidade é em setembro porque você ainda pega o parisiense feliz por ter acabado de voltar das férias. Uh la la!

Onde ficar em Paris

Isso vai depender de quanto você está afim de gastar com uma diária de hotel. Quanto mais próximo do centro histórico, do rio Sena e do Louvre, mais caro será. É nessa região onde os turistas ficam amontoados. Ou seja, era tudo o que eu não queria: pagar caro em um hotel para ficar entre os turistas.

Então comecei minha pesquisa pedindo ajuda para alguns amigos que já moraram (outros que ainda moram) na cidade: “qual é o bairro bacana, charmosinho, onde se concentram os parisienses”?

E aí vieram algumas respostas:

- qualquer cantinho no 11 arrondissement. 

- outro lugar bom de ficar é no 20º arrondissement no bairro de Ménilmontant, perto do canal St Martin.  

Marais – outro bairro bacana. É bem central, contruções medievais, conhecido por ser o bairro judeu e também o bairro gay. Ou seja, as lojinhas mais lindas, os bares descolados e o melhor sandwiche de falafel do mundo. O Marais é para quem gosta de borburinho e fica perto do museu George Pompidou.

Alto de Belleville – La Banane – fica no 20º arrondissement. Um pouco mais afastado mas bem servido de transporte ( esse é um problema que você não terá em Paris: transporte). Fica perto do cemitério Père- Lachaise e de uma concentração enorme de bares e restaurantes ( rue Oberkampf e rue Menilmontant). Tem uma bar chamado Le Bellevilloise que é bem legal. 

Montmartre - é super turístico, mas maravilhoso. Na ‘La butte (colina) Montmartre você encontra as casas onde moraram Picasso, Toulouse-Lautrec, Van Gogh e por aí vai. Tem jeito de cidade do interior, bares e restaurantes deliciosos. E onde fica a linda basílica de Sacré-Coeur. E lá em baixo fica o Pigalle, onde o rock rola!

Quartier Latin – um dos bairros mais charmosos e que fica na5º arrondissement, perto do Panthéon e do Jardim de Luxemburgo. Caminhar pela Rue Moufftard no final de tarde é uma delícia.

Como nossa idéia era acordar, ir na padoca, passar na feira, visitar lojas locais, escolhemos um bairro bem residencial na 20º arrondissement junto às colinas de Belleville. Pagamos por 16 noites, 1015 dólares, ou seja, 63 dólares por noite. Precinho bacana não?

Se quiser conhecer o apartamento é só clicar AQUI.

Nossa estadia foi ótima, o apartamento super confortável, o bairro cheio de parisienses na volta, restaurantes, livrarias, feiras livres às tercas, mercado do lado. Recomendo se você pensa em passar um tempo em Paris e não tem como gastar muito em hotel. Se quiser ver outros apartamentos é só entrar no site do Airbnb.

Se você não pode ficar tanto tempo na cidade e prefere ficar em hotel em uma boa localização eu indico o site da Trivago. Eles conseguem bater o preço de qualquer grande site de busca de hotéis. Vale muito a pena dar uma olhada no preço que eles oferecem antes de fechar diretamente com o hotel. Uma sugestão de ouro!

No próximo capítulo:

Como se locomover em Paris, passeios imperdíveis, o melhor sorvete da cidade (dica do amigo Odilon) e os segredinhos da amiga Lu, uma brasileira que vive e estuda em Paris e que me levou para comer a melhor french soup do planeta. Porque eu vou onde os locais me levam!

Mais links sobre Paris:

Impressões sobre um verão em Paris