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[Entrevista] Mariza Leão, produtora do filme De Pernas Pro Ar

28 dezembro, 2010 às 12:26  |  por wikerson

Como nasceu o projeto de De Pernas Pro Ar?

Nasceu de uma notícia que saiu no jornal sobre uma vendedora de produtos eróticos. Mas queríamos fazer deste filme mais do que uma comédia. Queríamos fazer um retrato das relações contemporâneas. Este foi nosso grande desafio. E acho que conseguimos.

Isso porque fala dos anseios de uma mulher que representa muito bem a mulher contemporânea, não?

Sim. Tudo que a Alice queria era se realizar, mas também queria compatibilizar isso com a vida afetiva. Hoje as mulheres estão mesmo sobrecarregadas. Absorvem muita tensão, acumulam muitas funções e aumentaram enormemente suas ambições profissionais. O homem consegue mais equilíbrio porque ele cobra menos de si mesmo. A mulher exige mais de si mesma. E no meio disso tudo, as relações afetivas e a própria sexualidade por muitas vezes fica em último lugar.

É também desta sexualidade que De Pernas Pro Ar trata?

Mais que de sexualidade, este filme fala das relações afetivas e das dificuldades de equilibrar vida profissional e vida familiar. Fala, claro, de sexo, da descoberta da sexualidade da personagem e das sex shops, mas esta é só uma parte da história. É um filme que revela muito a mulher moderna. E a mulher de hoje tem que fazer escolhas muito difíceis e se cobra de uma maneira dura na tentativa de dar conta de seus vários papéis. Ela se cobra e é cobrada, seja pelo marido, seja pelos filhos, seja pela sociedade em geral. Ela luta como um leão no plano profissional e, muitas vezes, deixa em segundo plano seu vida pessoal. Isso provoca um sentimento de culpas e mais culpas. Toda mulher hoje em dia tem de  literalmente se equilibrar para exercer todos os papéis que quer exercer ou que se vê impelida a exercer. Neste processo, os homens estão meio perdidos e não sabem muito bem como enfrentar essa energia toda. Ainda precisamos mesmo encontrar nosso equilíbrio.

A escolha do viés cômico para falar deste tema esteve presente desde o início do projeto?

A comédia é uma ótima forma de falar de temas como este de uma forma leve, mas sem perder a seriedade de certa forma. A gente se surpreendeu com a dimensão da história amorosa no final do projeto. Quem já viu o filme se identifica com a história de amor entre o João (Bruno Garcia) e a Alice (Ingrid Guimarães) que, no fundo, amam-se e querem ficar juntos, mas encontram dificuldades para estar juntos.

Por que De Pernas Pro Ar?

O título inicial era SexDelícia, mas De Pernas pro Ar acabou se tornando o título ideal. Porque este não é um filme sobre sexo, nem sobre descoberta sexual. É um filme sobre uma mulher que tem vida virada pelo avesso e busca se reequilibrar. E a vida da Alice, a personagem principal, está literalmente De Pernas Pro Ar.

Esta é sua primeira comédia. Apesar da vasta experiência que você tem no cinema, foi difícil encarar este desafio?

Nunca tinha produzido comédia. Mas o roteiro do Marcelo Saback e do Paulo Cursino me deram a certeza de que éramos capazes de fazer um filme divertido e  que causasse identificação no público. Eu diria que este filme provoca, mesmo que indiretamente, a discussão de temas de família. É por isso que o papel do Paulinho, o filho da Alice, é tão importante. Ele é uma criança também contemporânea, que diz coisas do tipo: “Jogar videogame sozinho é legal, mas às  vezes cansa.”

Se você pudesse definir um público específico, para quem diria que é este  filme?

Eu diria e as pesquisas comprovaram isso que é um filme capaz de interessar e divertir públicos de faixas etárias e classes sociais diferentes. Outra coisa curiosa que apareceu nas pesquisas é que além da evidente identificação do tema e dos personagens do filme com o público feminino, os homens se sentiram muito bem representados pelo personagem do Bruno Garcia. Na verdade, qualquer um que está se sentindo atabalhoado, fazendo mil coisas ao mesmo tempo, sobrecarregado, vai entender e gostar deste filme. Queríamos fazer um filme com  padrão de uma produção madura, em que tudo fosse bem cuidado e pensado. E que revelasse que, apesar de todos os movimentos individuais, que tendem afazer com que a gente se afaste do convívio em família, este é um filme sobre uma família querendo ficar junta.

E também de uma mulher que quer conciliar sua carreira com esta vida em família.

Sim.  De Pernas Pro Ar também fala de como a mulher quer conquistar sua independência e, ao mesmo tempo, administrar seu tempo sem deixar de lado os outros aspectos da vida. Diria que conta a história de uma mulher que descobre que  a vida equilibrada a gente consegue quando conseguimos compatibilizar a vida profissional, amorosa, afetiva, em família, social…

A combinação de talentos de De Pernas Pro Ar é única. O tema é feminino, mas tanto roteiristas quanto diretor são homens que entenderam muito bem este universo, não?

É um homem (Santucci) dirigindo e dois homens escrevendo o roteiro. Marcelo Saback e Paulo Cursino são dois observadores atentos do comportamento humano. Por outro lado, o elenco traz uma grande atriz, Ingrid, pela primeira vez como protagonista, além da Maria Paula pela primeira vez no cinema num papel que não é oriundo dos Cassetas. A combinação das duas é sensacional.

[Entrevista] Murilo Rosa, ator do filme Aparecida – O Milagre

18 dezembro, 2010 às 21:22  |  por wikerson
Como você define Marcos?
Marcos é um barril de pólvora. Um homem que nasceu e cresceu em ambiente tranqüilo de muito amor, e aos 10 anos perde o pai. Ele acaba culpando a promessa que fez à Santa para ganhar a chuteira por essa morte trágica e passa a responsabilizar a fé, a santa, a religião pelo que aconteceu. Marcos decide que sua vida será diferente da do pai, um homem simples, dedicado à construção da Basílica de Nossa Senhora Aparecida após um milagre que ele desconhece. Marcos se transforma em um homem de sucesso, mas suas conquistas não preenchem o buraco no coração criado pela morte do pai e que nunca cicatrizou. Ele está sempre à beira da explosão, com a ex-mulher, com o filho, abrindo mão de tudo que é mais sensível e amoroso. Este homem de sucesso é um trator, mas carente de pai, carente da mãe de quem se distanciou, carente de filho com quem não consegue se relacionar e, sobretudo, carente de fé. É um homem de sucesso traumatizado e amargurado. Um homem sem amor, sem fé.
Qual a dificuldade de interpretar um personagem sempre à beira da exasperação, da explosão?
Tivemos uma preparação muito interessante com a Tizuka que merece o grande nome que tem. Ela tem realmente um talento extraordinário, que compreendeu de forma muito sensível o universo do filme junto com Valéria Braga, preparadora do elenco. E essa sensibilidade foi muito boa para mim, como para todos os integrantes do elenco e criou um excelente clima de trabalho. Para dar credibilidade como pai de um jovem, tive que incorporar o da idade e a sua amargura da situação – adotei um timbre de voz mais grave, dosei a energia, ganhei um bigode e cabelos brancos. O mais difícil foi o controle da energia e do forte temperamento em permanente contenção, mas com alguns momentos explosivos.
E como foi a relação com o elenco, com quem você tem momentos de alta voltagem emocional?
Eu já tinha trabalhado algumas vezes com Bete Mendes, de gande talento e de uma doçura incomparável. Maria Fernanda é uma estrela de primeiríssimo time, que tem uma star quality totalmente merecida. Eu tinha atuado ao lado de Leona Cavalli no teatro, e ela é uma atriz excepcional, cult, super parceira.  Jonatas é um estreante no cinema que exibe seu talento na televisão e que vi no musical Hairspray.  Sou suspeito para falar, pois trabalhei com pessoas raras, em um entrosamento excepcional. Tenho que ressaltar também o empenho da Yurika Yamasaki na direção de arte e na criação do meu envelhecimento. Sem falar na cumplicidade de Gláucia e Paulo, com quem eu já tinha tido o prazer de trabalhar em Orquestra dos Meninos.
Em 12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida, você foi à Basílica e leu um poema. Você é devoto de Nossa Senhora? Como você define a sua religiosidade?
Sou de família muito católica e embora não seja praticante tenho muita fé. Ao longo da vida desenvolvi uma história pessoal e profissional muito importante com a Santa Aparecida. Além de questões pessoais, desenvolvi uma ligação forte com a religiosidade através de meus trabalhos na TV – A Padroeira, América (em que fazia um devoto de Aparecida) e Caminho das Índias.  Pela minha experiência e também da minha família foi muito bom fazer um personagem sem fé, mas que se converte. Seu momento de catarse, em que é abraçado pela Santa e também a missa final foram particularmente emocionantes para mim.
Quais as suas expectativas em relação a Aparecida, o Milagre?
O filme fala de fé, um aspecto fundamental na vida de todas as pessoas. É a fé que provê entusiasmo para você modificar as situações. Ter fé é ter entusiasmo, que é muito diferente de ser otimista, pois o entusiasmo permite que a pessoa encontre energia para alcançar o que deseja. O filme conta uma história de conversão. Muita gente pode se identificar com essa busca de fé e com as transformações que a recuperação da fé provoca. Acredito que pela verdade dos personagens e pela emoção da história, o filme tem todos os elementos para comover o espectador.

Como você define Marcos?

Marcos é um barril de pólvora. Um homem que nasceu e cresceu em ambiente tranqüilo de muito amor, e aos 10 anos perde o pai. Ele acaba culpando a promessa que fez à Santa para ganhar a chuteira por essa morte trágica e passa a responsabilizar a fé, a santa, a religião pelo que aconteceu. Marcos decide que sua vida será diferente da do pai, um homem simples, dedicado à construção da Basílica de Nossa Senhora Aparecida após um milagre que ele desconhece.

Marcos se transforma em um homem de sucesso, mas suas conquistas não preenchem o buraco no coração criado pela morte do pai e que nunca cicatrizou. Ele está sempre à beira da explosão, com a ex-mulher, com o filho, abrindo mão de tudo que é mais sensível e amoroso. Este homem de sucesso é um trator, mas carente de pai, carente da mãe de quem se distanciou, carente de filho com quem não consegue se relacionar e, sobretudo, carente de fé. É um homem de sucesso traumatizado e amargurado. Um homem sem amor, sem fé.

Qual a dificuldade de interpretar um personagem sempre à beira da exasperação, da explosão?

Tivemos uma preparação muito interessante com a Tizuka que merece o grande nome que tem. Ela tem realmente um talento extraordinário, que compreendeu de forma muito sensível o universo do filme junto com Valéria Braga, preparadora do elenco. E essa sensibilidade foi muito boa para mim, como para todos os integrantes do elenco e criou um excelente clima de trabalho.

Para dar credibilidade como pai de um jovem, tive que incorporar o da idade e a sua amargura da situação – adotei um timbre de voz mais grave, dosei a energia, ganhei um bigode e cabelos brancos. O mais difícil foi o controle da energia e do forte temperamento em permanente contenção, mas com alguns momentos explosivos.

E como foi a relação com o elenco, com quem você tem momentos de alta voltagem emocional?

Eu já tinha trabalhado algumas vezes com Bete Mendes, de gande talento e de uma doçura incomparável. Maria Fernanda é uma estrela de primeiríssimo time, que tem uma star quality totalmente merecida. Eu tinha atuado ao lado de Leona Cavalli no teatro, e ela é uma atriz excepcional, cult, super parceira.

Jonatas é um estreante no cinema que exibe seu talento na televisão e que vi no musical Hairspray.  Sou suspeito para falar, pois trabalhei com pessoas raras, em um entrosamento excepcional. Tenho que ressaltar também o empenho da Yurika Yamasaki na direção de arte e na criação do meu envelhecimento. Sem falar na cumplicidade de Gláucia e Paulo, com quem eu já tinha tido o prazer de trabalhar em Orquestra dos Meninos.

Em 12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida, você foi à Basílica e leu um poema. Você é devoto de Nossa Senhora? Como você define a sua religiosidade?

Sou de família muito católica e embora não seja praticante tenho muita fé. Ao longo da vida desenvolvi uma história pessoal e profissional muito importante com a Santa Aparecida. Além de questões pessoais, desenvolvi uma ligação forte com a religiosidade através de meus trabalhos na TV – A Padroeira, América (em que fazia um devoto de Aparecida) e Caminho das Índias.

Pela minha experiência e também da minha família foi muito bom fazer um personagem sem fé, mas que se converte. Seu momento de catarse, em que é abraçado pela Santa e também a missa final foram particularmente emocionantes para mim.

Quais as suas expectativas em relação a Aparecida, o Milagre?

O filme fala de fé, um aspecto fundamental na vida de todas as pessoas. É a fé que provê entusiasmo para você modificar as situações. Ter fé é ter entusiasmo, que é muito diferente de ser otimista, pois o entusiasmo permite que a pessoa encontre energia para alcançar o que deseja. O filme conta uma história de conversão. Muita gente pode se identificar com essa busca de fé e com as transformações que a recuperação da fé provoca. Acredito que pela verdade dos personagens e pela emoção da história, o filme tem todos os elementos para comover o espectador.

[Entrevista] Tizuka Yamazaki, diretora de Aparecida – O Milagre

18 dezembro, 2010 às 21:08  |  por wikerson
Como foi seu envolvimento com Aparecida – o Milagre?
Da forma mais inusitada. Encontrei Gláucia num vôo Brasília–Rio, nos falamos rapidamente, ela me disse que estava preparando um filme sobre Aparecida, eu falei que teria ótimas histórias para contar sobre o assunto e embarcamos. Sentamos separadas e ao desembarcarmos, ela perguntou se eu não queria conversar sobre o filme – sem saber das minhas histórias. Nos encontramos, ela falou do projeto e dos prazos, mas eu estava finalizando Xuxa em o Mistério da Feiurinha e também envolvida com a produção de Amazônia Caruana (uma entidade de pajelança cabocla). Gláucia precisava alguém full time e não foi possível fechar nada naquele encontro. Mas a idéia do filme não saiu da minha cabeça. Passou um tempo e eu fiz uma coisa inédita na minha vida: telefonei para Gláucia, perguntei se ela já tinha fechado com algum diretor, ela disse ‘ainda não’ e fui taxativa: “Eu sou a pessoa certa para fazer esse filme. Você não vai encontrar nenhum diretor com a visão de Nossa Senhora Aparecida que eu tenho”. E assegurei: “Esse filme é meu”. Gláucia concordou.
E de onde veio a convicção de que o filme Aparecida – o Milagre era seu?
De algumas histórias que eu queria ter contado para a Gláucia quando nos encontramos no avião e que sinalizavam que eu deveria fazer o filme. A primeira aconteceu quando eu preparava Gaijin II, há 12 anos.  Na época, minha avó, então com 96 anos, sofria imensamente por questões vividas com os pais. Eu estava em Atibaia, próximo a Aparecida, e por acaso soube de uma senhora, Dona Márcia, filha de japoneses, que trabalhava com questões sobre antepassados e era devota de Nossa Senhora Aparecida. Meio desconfiada, levei minha avó até Dona Márcia, que a ouviu e rezou uma missa para Nossa Senhora Aparecida. Eu não sabia se acreditava ou não naquele ritual, mas o resultado é que este encontro acabou com o sofrimento da minha avó. Houve um segundo acontecimento: anos depois, em um posto de gasolina perto de Aparecida – lembro até hoje o nome do posto –, Arco Íris, senti algo mexer a minha cabeça na direção de uma imagem da Santa. Achei estranho, mas comprei e pedi para minha filha levar para Dona Márcia, que benzeu a imagem e a devolveu com um recado: “Diga a sua mãe que essa imagem é dela”. Quando Gláucia me falou do projeto, vi esses fatos como sinais de que o filme era meu.
Depois que Gláucia concordou com a sua ‘decisão’, como você se aproximou do tema que fala de um homem conflitado, de uma família, de um milagre, da conversão, e sobretudo da fé como elemento transformador?
Um desafio em vários sentidos. Eu nunca tinha feito um filme sobre religião, e embora estivesse envolvida com Amazônia Caruana, a abordagem é diferente e não tem milagre. Quando você dirige um filme, a primeira coisa é acreditar no que está fazendo, sobretudo quando o tema é a fé religiosa. Não tenho religião, mas depois de uma certa idade você começa a cultivar um lado espiritual – as coisas materiais não satisfazem mais, e exercito essa busca do meu jeito. O tema principal de Aparecida – o Milagre é justamente a questão da fé, da conversão. Esse era o maior desafio. Sempre gostei de fazer filmes sobre temas que não abordei – e muita coisa é descoberta durante a realização. Nesse processo, eu me perguntei inúmeras vezes sobre as causas de fenômenos como o de Nossa Senhora Aparecida, ou do Círio de Nazaré. Por que tanta gente compactua profundamente desta fé? Este mistério me interessa, e o filme foi uma forma não de decifrar o mistério, mas de chegar mais perto.
Fale sobre a escolha do elenco, que conta com os experientes Murilo Rosa, Maria Fernanda Cândido, Leona Cavalli, veteranos como Bete Mendes, e estreantes como Jonatas Faro, no papel do jovem Lucas e Rodrigo Veronese, como o pai do menino?
Vários caminhos levaram a essas escolhas em conjunto com a Gláucia, alguns bem surpreendentes. Gláucia e Paulo Thiago tinham trabalhado com Murilo Rosa em Orquestra dos Meninos, e além de ótimo ator ele é um devoto fervoroso de Nossa Senhora Aparecida. Se uma atriz menor interpretasse Beatriz, a personagem afundaria. Por isso optamos por chamar Maria Fernanda que aceitou imediatamente e depois me confidenciou: “Minha avó era devota de Aparecida. Como eu iria ficar se não aceitasse participar do filme?” Janaina Prado, que interpreta Julia jovem (avó de Lucas) tinha acabado de fazer uma peça sobre o assunto. Jonatas Faro, que estréia no cinema no papel de Lucas, é filho de pastor evangélico. Durante as filmagens, ele se machucou e foi visitado pela avó que já tinha vivido em Aparecida, onde não pisava há 63 anos. Os dois foram procurar a casa onde ela tinha vivido. Após andar por algumas ruas, ela apontou para uma casa rosa e disse: “Foi ali”. Era simplesmente a casa onde vivia a personagem de Bete Mendes, ou seja, a avó de Jonatas/Lucas no filme. Eu via todas essas coisas como sinais de que estávamos no caminho certo.
Como foi a descoberta do menino Vinicius Franco, que interpreta Marcos quando menino?
Essa história também foi incrível. Selecionado entre dezenas de menino, e preparado por Valeria Braga, o menino estava ótimo, até que empacou na cena em que deveria agredir a Santa após a morte do pai. E não havia jeito de fazer a cena, até que ele explicou: como ofender a Santa se ele tinha justamente feito uma promessa para ela para ganhar o papel? Murilo e Rodrigo Veronese foram ótimos e conversaram muito com Vinicius até convencê-lo de que o protesto era do personagem e não dele. Vinicius então acendeu uma vela para a Santa e conseguiu fazer a cena divinamente. O elenco contou com dezenas de figurantes da região de São José dos Campos e de Aparecida, todos devotos de Nossa Senhora Aparecida e que também contribuíram muito com suas experiências e relatos.
E como você procurou construir o personagem de Marcos, que passa por uma grande transformação?
No começo do filme, já na fase adulta, Marcos não tem espaço interior para amar e ser amado. Enquanto ele não resolvesse isso, não seria feliz.  Ele se casou com Sonia, seu amor da infância, mas não conseguiu viver em paz. Ele se relaciona com duas mulheres modernas – Sonia e a assessora Beatriz, ambas com a vida profissional bem resolvida.  O filme apresenta uma família moderna, com problemas contemporâneos, não é uma história parada no tempo. Lucas é um jovem saindo de uma bad trip, que encontrou na arte uma forma de libertação que o pai não aceita. Apesar das dificuldades do papel, Murilo se entregou totalmente, aliás, como todo o elenco e a equipe. Tudo transcorreu em grande harmonia.
Gláucia e Paulo dizem que você insistiu muito na aparição real da Nossa Senhora Aparecida.
Esta questão surgiu antes das filmagens. Desde o início eu defendi a idéia de que após a história do milagre deveria mostrar a própria Santa ao vivo para não frustrar os espectadores. Considero a cena do encontro de Marcos com a Santa, quando ela o envolve com seu manto e ele se entrega, muito emocionante e bem resolvida e contou com a proteção da própria Santa, pois apesar de nuvens negras anunciarem um grande temporal, a chuva parou justamente na hora da filmagem e depois desabou. Eu brinquei com a equipe: “A Santa segura a filmagem, mas não dá para segurar também a retirada dos equipamentos” (risos). Filmar na Basílica foi bem complicado – havia sempre muitos eventos, som de alto falantes, muita movimentação, mas utilizamos os horários livres e deu tudo certo.
A que você atribui a força de Nossa Senhora Aparecida a ponto de ser A Padroeira do Brasil?
Diferente de tantas Nossas Senhoras, ela nunca apareceu para ninguém. Ela é na verdade N. Sra. da Conceição, uma entre inúmeras outras que apareceram em épocas e locais diferentes. Um diferencial importante no caso de Nossa Senhora Aparecida é que ela nunca apareceu: uma imagem foi encontrada no fundo do rio, suja, com lodo, e ficou vários anos na casa de um pescador, e provavelmente adquiriu a cor escura devido à fumaça das velas. Essa Nossa Senhora da Conceição virou então Nossa Senhora Aparecida dos pobres e dos desvalidos, protetora dos escravos, das congadas, dos motoqueiros Hell´s Angels e até dos imigrantes japoneses – ou seja, das comunidades mais diferentes.  O manto e a coroa que ela usa foram dados pela Princesa Isabel em  reconhecimento a uma graça obtida- engravidar. Por todos esses aspectos, o filme não pode frustrar os católicos e não mostrar a Santa.
Qual a sua expectativa com Aparecida – o Milagre?
Que o filme emocione o espectador pela autenticidade da abordagem, pela forma como transmite o poder da fé para a transformação das pessoas. Marcos é um personagem que perde a fé com a morte do pai e recupera a fé para salvar o filho, quando descobre que ele também é fruto de um milagre. O filme conta uma história sobre a perda e a recuperação da fé em uma família contemporânea, com personagens e conflitos verdadeiros – e nesse sentido considero o filme bem diferente de Chico Xavier ou Nosso Lar, cada um com seus méritos e qualidades.  Acredito que atingiremos não só os devotos de Aparecida, mas pessoas de outras crenças e também aquelas sem crença, mas que buscam um caminho espiritual. Nosso objetivo é atingir, tocar, emocionar o espectador sobre o poder da fé – mesmo aquele que não tem fé alguma. Todos poderão assistir ao filme e se sentirem reconfortados.

Como foi seu envolvimento com Aparecida – o Milagre?

Da forma mais inusitada. Encontrei Gláucia num vôo Brasília–Rio, nos falamos rapidamente, ela me disse que estava preparando um filme sobre Aparecida, eu falei que teria ótimas histórias para contar sobre o assunto e embarcamos. Sentamos separadas e ao desembarcarmos, ela perguntou se eu não queria conversar sobre o filme – sem saber das minhas histórias.

Nos encontramos, ela falou do projeto e dos prazos, mas eu estava finalizando Xuxa em o Mistério da Feiurinha e também envolvida com a produção de Amazônia Caruana (uma entidade de pajelança cabocla). Gláucia precisava alguém full time e não foi possível fechar nada naquele encontro. Mas a idéia do filme não saiu da minha cabeça. Passou um tempo e eu fiz uma coisa inédita na minha vida: telefonei para Gláucia, perguntei se ela já tinha fechado com algum diretor, ela disse ‘ainda não’ e fui taxativa: “Eu sou a pessoa certa para fazer esse filme. Você não vai encontrar nenhum diretor com a visão de Nossa Senhora Aparecida que eu tenho”. E assegurei: “Esse filme é meu”. Gláucia concordou.

E de onde veio a convicção de que o filme Aparecida – o Milagre era seu?

De algumas histórias que eu queria ter contado para a Gláucia quando nos encontramos no avião e que sinalizavam que eu deveria fazer o filme. A primeira aconteceu quando eu preparava Gaijin II, há 12 anos.  Na época, minha avó, então com 96 anos, sofria imensamente por questões vividas com os pais. Eu estava em Atibaia, próximo a Aparecida, e por acaso soube de uma senhora, Dona Márcia, filha de japoneses, que trabalhava com questões sobre antepassados e era devota de Nossa Senhora Aparecida.

Meio desconfiada, levei minha avó até Dona Márcia, que a ouviu e rezou uma missa para Nossa Senhora Aparecida. Eu não sabia se acreditava ou não naquele ritual, mas o resultado é que este encontro acabou com o sofrimento da minha avó. Houve um segundo acontecimento: anos depois, em um posto de gasolina perto de Aparecida – lembro até hoje o nome do posto –, Arco Íris, senti algo mexer a minha cabeça na direção de uma imagem da Santa.

Achei estranho, mas comprei e pedi para minha filha levar para Dona Márcia, que benzeu a imagem e a devolveu com um recado: “Diga a sua mãe que essa imagem é dela”. Quando Gláucia me falou do projeto, vi esses fatos como sinais de que o filme era meu.

Depois que Gláucia concordou com a sua ‘decisão’, como você se aproximou do tema que fala de um homem conflitado, de uma família, de um milagre, da conversão, e sobretudo da fé como elemento transformador?

Um desafio em vários sentidos. Eu nunca tinha feito um filme sobre religião, e embora estivesse envolvida com Amazônia Caruana, a abordagem é diferente e não tem milagre. Quando você dirige um filme, a primeira coisa é acreditar no que está fazendo, sobretudo quando o tema é a fé religiosa. Não tenho religião, mas depois de uma certa idade você começa a cultivar um lado espiritual – as coisas materiais não satisfazem mais, e exercito essa busca do meu jeito.

O tema principal de Aparecida – o Milagre é justamente a questão da fé, da conversão. Esse era o maior desafio. Sempre gostei de fazer filmes sobre temas que não abordei – e muita coisa é descoberta durante a realização. Nesse processo, eu me perguntei inúmeras vezes sobre as causas de fenômenos como o de Nossa Senhora Aparecida, ou do Círio de Nazaré. Por que tanta gente compactua profundamente desta fé? Este mistério me interessa, e o filme foi uma forma não de decifrar o mistério, mas de chegar mais perto.

Fale sobre a escolha do elenco, que conta com os experientes Murilo Rosa, Maria Fernanda Cândido, Leona Cavalli, veteranos como Bete Mendes, e estreantes como Jonatas Faro, no papel do jovem Lucas e Rodrigo Veronese, como o pai do menino?

Vários caminhos levaram a essas escolhas em conjunto com a Gláucia, alguns bem surpreendentes. Gláucia e Paulo Thiago tinham trabalhado com Murilo Rosa em Orquestra dos Meninos, e além de ótimo ator ele é um devoto fervoroso de Nossa Senhora Aparecida. Se uma atriz menor interpretasse Beatriz, a personagem afundaria. Por isso optamos por chamar Maria Fernanda que aceitou imediatamente e depois me confidenciou: “Minha avó era devota de Aparecida.

Como eu iria ficar se não aceitasse participar do filme?” Janaina Prado, que interpreta Julia jovem (avó de Lucas) tinha acabado de fazer uma peça sobre o assunto. Jonatas Faro, que estréia no cinema no papel de Lucas, é filho de pastor evangélico. Durante as filmagens, ele se machucou e foi visitado pela avó que já tinha vivido em Aparecida, onde não pisava há 63 anos.

Os dois foram procurar a casa onde ela tinha vivido. Após andar por algumas ruas, ela apontou para uma casa rosa e disse: “Foi ali”. Era simplesmente a casa onde vivia a personagem de Bete Mendes, ou seja, a avó de Jonatas/Lucas no filme. Eu via todas essas coisas como sinais de que estávamos no caminho certo.

Como foi a descoberta do menino Vinicius Franco, que interpreta Marcos quando menino?

Essa história também foi incrível. Selecionado entre dezenas de menino, e preparado por Valeria Braga, o menino estava ótimo, até que empacou na cena em que deveria agredir a Santa após a morte do pai. E não havia jeito de fazer a cena, até que ele explicou: como ofender a Santa se ele tinha justamente feito uma promessa para ela para ganhar o papel?

Murilo e Rodrigo Veronese foram ótimos e conversaram muito com Vinicius até convencê-lo de que o protesto era do personagem e não dele. Vinicius então acendeu uma vela para a Santa e conseguiu fazer a cena divinamente. O elenco contou com dezenas de figurantes da região de São José dos Campos e de Aparecida, todos devotos de Nossa Senhora Aparecida e que também contribuíram muito com suas experiências e relatos.

E como você procurou construir o personagem de Marcos, que passa por uma grande transformação?

No começo do filme, já na fase adulta, Marcos não tem espaço interior para amar e ser amado. Enquanto ele não resolvesse isso, não seria feliz.  Ele se casou com Sonia, seu amor da infância, mas não conseguiu viver em paz. Ele se relaciona com duas mulheres modernas – Sonia e a assessora Beatriz, ambas com a vida profissional bem resolvida.

O filme apresenta uma família moderna, com problemas contemporâneos, não é uma história parada no tempo. Lucas é um jovem saindo de uma bad trip, que encontrou na arte uma forma de libertação que o pai não aceita. Apesar das dificuldades do papel, Murilo se entregou totalmente, aliás, como todo o elenco e a equipe. Tudo transcorreu em grande harmonia.

Gláucia e Paulo dizem que você insistiu muito na aparição real da Nossa Senhora Aparecida.

Esta questão surgiu antes das filmagens. Desde o início eu defendi a idéia de que após a história do milagre deveria mostrar a própria Santa ao vivo para não frustrar os espectadores. Considero a cena do encontro de Marcos com a Santa, quando ela o envolve com seu manto e ele se entrega, muito emocionante e bem resolvida e contou com a proteção da própria Santa, pois apesar de nuvens negras anunciarem um grande temporal, a chuva parou justamente na hora da filmagem e depois desabou.

Eu brinquei com a equipe: “A Santa segura a filmagem, mas não dá para segurar também a retirada dos equipamentos” (risos). Filmar na Basílica foi bem complicado – havia sempre muitos eventos, som de alto falantes, muita movimentação, mas utilizamos os horários livres e deu tudo certo.

A que você atribui a força de Nossa Senhora Aparecida a ponto de ser A Padroeira do Brasil?

Diferente de tantas Nossas Senhoras, ela nunca apareceu para ninguém. Ela é na verdade N. Sra. da Conceição, uma entre inúmeras outras que apareceram em épocas e locais diferentes. Um diferencial importante no caso de Nossa Senhora Aparecida é que ela nunca apareceu: uma imagem foi encontrada no fundo do rio, suja, com lodo, e ficou vários anos na casa de um pescador, e provavelmente adquiriu a cor escura devido à fumaça das velas.

Essa Nossa Senhora da Conceição virou então Nossa Senhora Aparecida dos pobres e dos desvalidos, protetora dos escravos, das congadas, dos motoqueiros Hell´s Angels e até dos imigrantes japoneses – ou seja, das comunidades mais diferentes.  O manto e a coroa que ela usa foram dados pela Princesa Isabel em  reconhecimento a uma graça obtida- engravidar. Por todos esses aspectos, o filme não pode frustrar os católicos e não mostrar a Santa.

Qual a sua expectativa com Aparecida – o Milagre?

Que o filme emocione o espectador pela autenticidade da abordagem, pela forma como transmite o poder da fé para a transformação das pessoas. Marcos é um personagem que perde a fé com a morte do pai e recupera a fé para salvar o filho, quando descobre que ele também é fruto de um milagre. O filme conta uma história sobre a perda e a recuperação da fé em uma família contemporânea, com personagens e conflitos verdadeiros – e nesse sentido considero o filme bem diferente de Chico Xavier ou Nosso Lar, cada um com seus méritos e qualidades.

Acredito que atingiremos não só os devotos de Aparecida, mas pessoas de outras crenças e também aquelas sem crença, mas que buscam um caminho espiritual. Nosso objetivo é atingir, tocar, emocionar o espectador sobre o poder da fé – mesmo aquele que não tem fé alguma. Todos poderão assistir ao filme e se sentirem reconfortados.

[Entrevista] Arnaldo Jabor fala sobre A Suprema Felicidade

1 novembro, 2010 às 21:09  |  por wikerson

O que motivou a volta ao cinema depois de um afastamento de quase 20 anos?

Quando comecei a escrever o roteiro, de 2006 para 2007, eu estava há 17 anos sem filmar. O cinema brasileiro acabou em 90, ficou tudo um caos, eu tinha família para sustentar e fui trabalhar como jornalista. Adorei fazer jornal e TV, mas nos últimos anos, passei a sentir saudades de cinema. Só escrever e falar de política no Brasil envenena a alma, você tem que prestar tanta atenção no erro que comecei a sentir saudade da arte, do mistério da arte . Então decidi voltar a filmar apenas pelo prazer poético de fazer.

Qual o ponto de partida de A Suprema Felicidade?

Experiências que eu tive, coisas que vivi, lembranças da infância, da adolescência, da família – pai, mãe, avô, avó – e do Rio de Janeiro de 40, 50 anos atrás. Mas não fiz um filme autobiográfico, a imaginação altera muita coisa, e não acredito em filme objetivo, apenas sobre uma realidade. Como dizia o Fellini, a única objetividade que ele conhece é a subjetividade. Fiz o que os alemães chamam de bildungsroman e os americanos de coming of age – um filme sobre a formação de um jovem e o mundo à sua volta. O filme acompanha a trajetória de Paulo, dos 8 aos 18, 19 anos – seus conflitos familiares, amizades, a primeira namorada, a iniciação sexual, a busca do amor.

O que provocou a escolha deste tema, tão distante de seus filmes anteriores?

Pois é, esta foi uma questão. Falar de quê? De chavões? Do fim das utopias, da miséria universal, da justiça injusta, do futuro incerto? Era fácil fazer filme de esquerda, a favor da revolução, em nome do povo. Não temos mais utopia, os indivíduos viraram extensões das coisas, ao contrário do que pregava McLuhan, mas a arte precisa de esperança. Vejo esperança nos afetos, nas emoções, na compaixão, na sexualidade. Mas em boa parte da produção contemporânea, o espectador é quase personagem de um videogame que é o filme e que lhe diz o quê e como deve se sentir.

De tanta informação, as pessoas estão ficando cegas, e já que ninguém tem mais clareza sobre nada, decidi falar sobre uma coisa sobre a qual tenho certeza e conheço: o mundo da minha infância e da minha juventude. O filme tem um tempo, os personagens têm um tempo e o espectador também tem um tempo. A Suprema Felicidade busca uma identificação com o espectador – se conseguir isso, já fico feliz.

E como esse mundo está retratado no filme?

O filme apresenta uma divisão muito forte entre casa e rua. Em casa, Paulo vive com os pais em crise, deprimidos, mas seu avô, um músico boêmio tocador de trombone, o leva para a liberdade das ruas. A classe média do Rio de Janeiro do pós-guerra começa a viver sua grande transição, e as famílias eram ambivalentes. Como diz Sofia, mãe de Paulo, ‘todo mundo fala de felicidade mas ninguém é feliz”. Os pais de Paulo se amavam, mas não conseguiram ser felizes. O pai, com o sonho de pilotar jatos, temia a alegria da mãe, que por sua vez tinha saudade não sabia exatamente de quê.

Talvez da felicidade que poderia ter tido. Paulo cresce neste ambiente, é educado em uma escola jesuíta, e na juventude freqüenta a boemia, os bordéis, os cabarés da época. O filme começa em 1945, dá um salto para meados dos anos 50 e termina em 58, 59, que marca o início de uma nova era de comportamentos, de liberação, o início da bossa nova.

E qual o gênero que você escolheu para relatar essa trajetória do Paulo dos 8 aos 18 anos em um Rio de Janeiro que passava por tantas transformações?

Esse filme não tem um gênero, mas vários: tem momentos dramáticos, alegres, cômicos, trágicos. Alterna amor com desespero, delicadeza com crueza, alegria com tragédia. Esta alternância permanente foi pensada desde o argumento e desenvolvida no roteiro, junto com Ananda Rubinstein. A exemplo de Fellini em Roma, em Amarcord, as cenas têm um valor em si – nenhuma cena foi feita para introduzir outra. Cada cena tem seu desdobramento e seu clima e onde nada é gratuito: ela se fecha em si mesma, no seu glamour, no seu charme, na sua dramaticidade, no seu humor. Quis construir uma história através do entrelaçamento de 40, 50 cenas que se sucedem quase como se fossem uma exposição de quadros, de forma não-linear como a vida, que alterna drama, humor, tragédia, lirismo, associações de idéias.

Como você vê a iniciação sexual e afetiva do Paulo, que sai da repressão da casa e da escola jesuíta para zonas de prostituição, bordéis? Hoje ele dormiria com a namorada em casa (dele ou dela) e com a aprovação dos pais.

Eu – e o Paulo do filme – somos do tempo em que as namoradas não davam. Hoje o sexo é muito banalizado a partir dos 15 anos, e vive-se situações impensáveis naquela época. Mas é justamente esse impensável que deu ao Paulo um sentido muito grande de busca. Para ele, sexo e amor se misturavam e ele estava sempre atrás de alguém para amar – podia ser a Deise, a prostituta do Mangue, a Marilyn. Realmente, ocorreu uma mudança brutal. Talvez as pessoas estejam se divertindo mais, mas não sei se elas são mais felizes.

Entrevista com Jason Voorhees e Dakota Fanning

16 fevereiro, 2009 às 11:33  |  por wikerson

A máscara de hóquei fez dele o vilão mais famoso do cinema. Nos anos 80, um filme contava a história de uma mãe que fica louca e mata todos num acampamento para vingar a morte do filho. O menino se afogou enquanto os professores namoravam.

Derek Mears, é o homem por trás da máscara do novo remake de Sexta-Feira 13 – Parte 11. Confira aqui no Bem Paraná um entrevista especial com ele e com a atriz Dakota Fanning, que empresta sua voz para a animação Coraline e o Mundo Secreto.