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Aprenda a sambar até o Carnaval

7 fevereiro, 2018 às 08:20  |  por Juliana Ribeiro

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Em alguns dias começa a maior festa do Brasil, o Carnaval, e eu adoro. Tem coisa melhor do que ser bailarina e morar em um país onde música e dança embalam a maior comemoração nacional? Um momento único e lindo de celebração da dança, da música, das tradições, da arte como um todo.

Para quem não sabe de onde vem o samba, ele é um gênero musical que derivou do samba de roda, uma dança com origem africana e que era praticada na Bahia. Assim nasceu o gênero musical e a dança que são expressões genuinamente brasileiras.

E a cada Carnaval é uma alegria ver o país inteiro dançar e mesclar tantos ritmos, seja samba, frevo, funk, até rock! Para quem não é de Curitiba, temos aqui um carnaval bem rock and roll, com festas temáticas e até uma Zombie Walk.

Neste período também surge aquela velha história de que todo brasileiro nasce com o samba no pé. Mas será verdade? Eu acho que somos um povo alegre, que gosta de movimento, de se expressar corporalmente, mas nem todo mundo sabe sambar.

Homens e mulheres sambam de modos diferentes, as mulheres ficam na ponta dos pés e os homens apoiam o calcanhar para dançar. O básico são os movimentos de quadril e, claro, no caso das mulheres, foco na ponta dos pés. O joelho é flexionado um de cada vez e os pés direito e esquerdo alternam-se em frente ao corpo.

Os braços devem ficar ligeiramente abertos e balançados conforme a perna que está na frente. Minha dica é: coloque um samba bem alegre, posicione-se em frente ao espelho e treine bastante. Olhar vídeos também pode ajudar bastante.

De resto, acompanhem as novidades em www.facebook.com/studiojulianaribeiro, pois darei dicas por lá durante a semana ;)

Juliana Ribeiro, coreógrafa e bailarina profissional especializada em dança contemporânea.

Você sabe o que é improviso na dança?

2 fevereiro, 2018 às 08:06  |  por Juliana Ribeiro

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Você já ouviu falar em aula de improvisação ou recebeu convites nas redes sociais para práticas de improvisação e ficou pensando o que seria isso? Eu explico: o improviso é uma das vertentes mais lindas da dança contemporânea, onde a liberdade é celebrada.

No improviso os movimentos não seguem um caminho programado e a expressão não tem limites. O ponto de partida neste tipo de dança é o outro, ou seja, a interação com outros bailarinos.  Esta vertente surgiu nos anos 60, nos Estados Unidos, quando artistas se reuniam para executar uma coreografia criada na hora, sem ensaio, sem pré-definição alguma.

As performances de improvisação normalmente acontecem em espaços públicos onde há fluxo de pessoas, se possível possibilitando a interação entre bailarinos e espectadores. Para os leigos pode parecer sem sentido, mas a improvisação é também um exercício de sentir e olhar outro ser humano, sem invadir seu espaço e respeitando o que seu corpo transmite naquele momento. É preciso interagir sem perder a noção de privacidade, com perfeita noção do que o outro está apto a fazer, exceto, é claro, em dinâmicas artísticas em que a ausência de limite esteja em pauta.

As aulas de improvisação são super dinâmicas e livres, não é preciso uma roupa específica, não é preciso ter uma formação em determinada modalidade, não há faixa etária ideal, nem peso ou sexo. Ela é livre. Eu recomendo inclusive para atores, pessoas tímidas, profissionais que vivenciam muito stress, enfim, ela é terapêutica. Você sente a música, interage, troca energias e movimenta-se de acordo com o que sente no momento.

Para quem já estuda dança ou tem formação profissional, as aulas de improviso servem para quebrar certas barreiras e estimular a criatividade. É um exercício importante para entender o próprio corpo, o corpo do outro e a relação estabelecida com a dança, é uma ferramenta de descoberta.

Juliana Ribeiro, coreógrafa e bailarina profissional especializada em dança contemporânea.

 

Bailarinos precisam – e muito – de músculos fortes

25 janeiro, 2018 às 08:00  |  por Juliana Ribeiro

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Todos nós vamos envelhecer e um dos processos associados ao envelhecimento é a perda de massa muscular. São diversos os motivos que causam a perda muscular, como queda nos níveis de testosterona, aumento dos níveis de cortisol –hormônio associado ao stress –, uma alimentação ruim, perda de capacidade de digerir alimentos e, uma das mais importantes, a falta de exercícios físicos. É possível evitar a perda muscular se mantemos o foco em três itens fundamentais: alimentação saudável, controle dos níveis hormonais e exercícios físicos frequentes, como dançar.

Para quem tem a dança como profissão, o fortalecimento muscular é ainda mais importante, já que a musculatura define boa parte do seu desempenho como bailarino. São essenciais os exercícios para o abdômen e coluna, além do alongamento. Todos eles trazem mais condicionamento físico e equilíbrio para quem atua profissionalmente com a dança.

Quem dança com frequência pode acabar exigindo muito do corpo. São horas e mais horas ensaiando, outras tantas em apresentações. Se o músculo não estiver apto para realizar aqueles movimentos, a chance de uma lesão aumenta e muito.

O fortalecimento muscular também pode auxiliar professores de dança, que muitas vezes ficam tão concentrados em seus alunos que acabam esquecendo do próprio exercício. E assim a musculatura fica frágil e abre caminho para lesões que podem afastar a pessoa daquilo que ela mais ama fazer.

Outro ponto de destaque são os alongamentos. Eles evitam o desgaste da musculatura, previnem lesões e fraturas e, no caso dos bailarinos, devem ser feitos minuciosamente.

E você? Já se fortaleceu hoje?

Juliana Ribeiro, coreógrafa e bailarina profissional especializada em dança contemporânea.

As 5 escolas de dança mais inspiradoras do mundo

18 janeiro, 2018 às 15:49  |  por Juliana Ribeiro

Conheça os centros que são referência para quem ama dançar

Quem ama arte e dança com certeza já pensou em como deve ser a experiência de aprender com os melhores profissionais do mundo. Eu não só imaginei, como tive a honra de passar por este aprendizado. Como já comentei aqui no blog, ano passado participei de um workshop do método Gaga, criado pelo revolucionário bailarino e coreógrafo Ohad Naharin, e posso dizer: foi transformador.

Por isso, listei cinco centros de dança que considero inspiradores e que valem o esforço para estar lá. Se você sonha alto como eu, vale a pena anotar estas dicas para, quem sabe um dia, vivenciar um aprendizado único. Confira:

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1)     Broadway Academy of Art and Dance: fundada em 2012 por Shannon Levitt, essa escola se destaca pela diversidade. Os esforços são direcionados para proporcionar aos alunos uma instrução de dança tecnicamente sólida, divertida e fisicamente estimulante, enquanto aumenta a autoconfiança. Os professores são um grupo de educadores profissionais com mais de 40 anos de experiência nos campos da dança e educação. É possível fazer aulas em todos os níveis e idades nas áreas de balé, jazz, hip-hop, lírico, contemporâneo e competitivo. Mais informações aqui: http://www.baadance.com/a

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2)     Centro de Movimento Deborah Colker: uma das minhas artistas prediletas, a bailarina, coreógrafa e diretora Deborah Colker é referência mundial em dança. Atua no cinema, moda, circo, teatro, tv, é uma profissional completa, já assinou desfiles de escolas de samba e foi a responsável pela abertura das Olímpiadas no Brasil. Os espetáculos que cria com a Companhia Deborah Colker são de encher os olhos, é uma experiência única assisti-los. Felizmente, ela também criou o Centro de Movimento, “um lugar para pensar, emocionar e construir um corpo que tenha prazer em se movimentar”, segundo ela. O espaço fica no Rio de Janeiro e oferece cursos de diversas modalidades no formato intensivo ou regular para jovens e adultos, iniciantes ou profissionais, com professores convidados ou da companhia. E tem mais, quem faz o curso recebe um certificado. É inspirador, vale acessar: https://www.cmdc.art.br/

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3)     Batsheva Dance Company: aclamada pela crítica e considerada uma das principais companhias de dança do mundo, a Batsheva também oferece cursos diversos. A Batsheva Dance Company fica em Israel e é nela que um dos mais importantes coreógrafos contemporâneos do mundo, Ohad Naharin, criador da linguagem Gaga, é diretor artístico desde 1990. Agora em março abrem as inscrições para o curso de verão, que oferece uma introdução aos processos de trabalho da companhia. Clique aqui: https://batsheva.co.il/

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4)     Juilliard School: fundada em 1905 como o Instituto de Arte Musical, por Frank Damrosch, é uma escola que gradua alunos nas áreas da dança, música e dramaturgia. Sabe quem se formou lá? Simplesmente Nina Simone. A escola é um ambiente muito rico culturalmente, inclusive com treinamento para performances em jazz e uma orquestra própria.  Na Juilliard é possível fazer o curso superior em dança e também cursos de verão, entre outros. O site da escola éhttps://www.juilliard.edu/dance

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5)     Academia de Balé do Bolshoi: eu não poderia deixar de lado uma das melhores escolas do mundo para aprender balé, que fica em um edifício histórico em Moscou e foi fundada em, pasmem, 1776! O mais legal é que a única filial do Bolshoi no mundo inteiro fica aqui no Brasil, em Joinville. Ou seja, é possível aprender com os melhores profissionais do planeta sem o peso de uma viagem internacional. A escola oferece workshops pelo Brasil com aulas de dança clássica e dança contemporânea ministradas por profissionais da instituição e destinadas a bailarinos e apreciadores, com classes de iniciante, intermediário e avançado. Veja como funciona:http://escolabolshoi.com.br/

Eu, particularmente, me inspiro sempre em toda a modernidade, inovação e técnica trazidas por essas escolas. Acredito que essa sintonia com o que acontece em outros lugares, que são referência, pode nos ajudar a transformar a dança em nossa comunidade. Esse é o meu sonho de todos os dias, e que realizo todos os dias.

Juliana Ribeiro, coreógrafa e bailarina profissional especializada em dança contemporânea.

Os segredos de um bailarino completo

12 janeiro, 2018 às 10:40  |  por Juliana Ribeiro

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Ver um bailarino profissional em ação é lindo, gracioso. Mas nem todo mundo imagina o que está por trás da formação desse artista. Sim, tem dança, muita dança. Mas também há toda uma interdisciplinaridade, com treinos e técnicas que se complementam.

Como qualquer profissional, o bailarino precisa se desenvolver e aprender a lidar com suas enormes habilidades em algumas áreas e com pontos fracos em outras. Parece cliché dizer isso, mas ninguém é bom em tudo. Até o mais talentoso bailarino passou por muitos cursos, aulas, vídeos e um enorme aparato que contribuiu para seu aperfeiçoamento constante.

Eu, como coreógrafa, bailarina e professora, estou sempre em busca de conhecimento, daquilo que vai me tornar uma profissional melhor, ou com mais técnica. Enfim, estamos sempre à procura de desenvolvimento.

Quem conhece o mundo da dança sabe bem que algumas dificuldades são comuns entre a maioria dos bailarinos. O alongamento, o fortalecimento e os saltos e giros são desafios diários. Para a galera da dança contemporânea, as técnicas de chão também são muito importantes.

O bom alongamento impacta totalmente o desempenho de um bailarino, pois ajuda no desenvolvimento e precisão dos movimentos. O fortalecimento muscular também é crucial, já que auxilia na execução de passos mais complexos.

Saltos e giros perfeitos são o que todo bailarino clássico almeja. A dedicação até conseguir o ápice destes movimentos deve ser total, pois fará toda a diferença tanto para quem dança quanto para quem assiste.

Na dança contemporânea, que é a minha praia, aulas específicas de acrobacia, rolamentos, equilíbrios da yoga e exercícios de circo são importantes para o desenvolvimento pleno como bailarino.

Com dedicação e aulas focadas nas dificuldades, acredito que todo bailarino conseguirá superar estes obstáculos. Para este ano, uma das minhas metas é contribuir para que Curitiba tenha bailarinos cada vez mais completos.

Venho pensando em ideias, conversando com profissionais da área, e espero logo trazer novidades para todos nós.

Fiquem ligados, pois acredito que ainda em janeiro terei novidades fresquinhas para quem ama dançar!

Juliana Ribeiro é bailarina profissional, coreógrafa e diretora do Studio de Dança Juliana Ribeiro.

2018 chega com muita energia para mexer com todos nós

3 janeiro, 2018 às 10:45  |  por Juliana Ribeiro

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Mais um ano começando e estou com grandes expectativas para 2018. Meu 2017 foi intenso e recheado de boas surpresas, o que me faz pensar que tudo será ainda melhor, estou apostando nisto. Vou colocar em prática em meu Studio de Dança um modelo inteligente para quem quer aprender a dançar, já estou com algumas ideias para o espetáculo deste ano, enfim, são tantos planos para colocar tirar do papel que antes disso resolvi relembrar os bons momentos que passaram.

Um dos momentos mais marcantes deste ano aconteceu em setembro, na cidade de São Paulo. Tive a honra de participar do workshop Gaga Dancers Brasil, um curso para ensinar a linguagem Gaga desenvolvida pelo coreógrafo israelense Ohad Naharin. Foi mágico, intenso, uma experiência que vou levar para toda a vida. Meu conselho para quem dança é: se puderem participar de uma experiência em Gaga, façam, é revolucionário!

Também participei do IMP – Investigação do Movimento Particular Núcleo de Pesquisa em Dança – que realizou oficinas, escritas, cafés da manhã e mostras de processo durante oito meses em toda a Curitiba. Foi especial estar na Casa Hoffman ao lado de profissionais incríveis.

Um grande profissional que também pude ver em ação foi a Déborah Colker e sua companhia, que apresentaram em novembro, em Curitiba, o espetáculo Cão sem Plumas, baseado em um poema de João Cabral de Melo Neto. Assisti ao espetáculo ao lado de toda a minha companhia de dança e foi lindo compartilhar este momento com pessoas tão especiais.

Ainda sobre dança contemporânea, mas que infelizmente não pude ver ao vivo, o Grupo Corpo estreou “Gira”, uma ode a Umbanda, em especial a Exu, que na religião é responsável pelos movimentos, pela energia. Fiquei fascinada pela montagem e assisti pela internet, espero logo assistir frente a frente. Aliás, falando em vídeos e internet, uma boa dica para este período é assistir ao filme A Bailarina, que apesar de ser destinado para crianças tem uma temática bem adulta e está disponível no Netflix. No filme, a personagem principal precisa ser maltratada para se tornar uma excelente bailarina, requisito que infelizmente ainda existe no mundo real. Ainda espero um filme de dança que não fale sobre maus-tratos tanto por parte dos professores quanto dos colegas, mas vale assistir.

Em 2017,  tive o prazer de ver amigos fazendo bonito, como Juliana Adur, com Cuidado Frágil, no Festival Ruído em Cena, que tive a honra de ser apoiadora. A artista Mari Paula também apresentou um lindo trabalho com o Retrópica, produzido pela Associação do Balé Teatro Guaíra com a ABABTG, que discutiu e atualizou o debate sobre a dança contemporânea.

E por fim, fechamos o ano com chave de ouro com o espetáculo Tráfego, com toda a Companhia de Dança Juliana Ribeiro no palco, seguido da apresentação de Enso, com todos os alunos da escola. Foi inesquecível!

Para 2018, as novidades serão muitas e intensas. Como contei no início do texto, vou implementar na cidade um modelo de escola de dança inteligente inspirado nos grandes centros mundiais.

Tenho certeza que este novo ano vai mexer com todos nós, feliz 2018!

Juliana Ribeiro, coreógrafa e bailarina profissional especializada em dança contemporânea.

 

A profissionalização da dança é uma necessidade

27 dezembro, 2017 às 09:53  |  por Juliana Ribeiro

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Hoje vou falar de um assunto que me aflige muito: a irresponsabilidade na hora de ensinar a dançar. Há mais de 40 anos o registro de bailarino profissional (DRT) existe, trazendo para a dança um novo contexto onde somos, sim, trabalhadores com todos os direitos assegurados pela lei nº 6.533, decreto 82.385. Para conquistar o DRT é preciso muito estudo e dedicação, assim como qualquer profissional.

De acordo com a lei, podem lecionar apenas aqueles que têm curso superior em direção de teatro, coreógrafo, professor de arte dramática ou cursos semelhantes reconhecidos; os que possuem diploma ou certificado  correspondentes às habilitações profissionais de 2º Grau de Ator, Contra-regra, Cenotécnico, Sonoplasta, ou outras semelhantes também reconhecidas na forma da Lei; ou que conquistaram atestado de capacitação profissional fornecido pelo Sindicato representativo das categorias  profissionais e, subsidiariamente, pela Federação respectiva.

Porque estou falando isso? Por que ainda, infelizmente, noto que a lei não é cumprida. São casos e mais casos de escolas que contratam “professores” sem a habilitação adequada para lecionar, o que é gravíssimo. Já imaginou alguém sem formação em medicina que se dispõe a operar ou tratar alguma doença? É a mesma coisa no mundo da dança. O risco é imenso para os alunos: lesões, torções, movimentos errados, distorção da história da dança, entre outros.

Eu tenho como premissa básica não contratar para o meu Studio professores sem a formação adequada. Acho desonesto. Meus alunos estão lá para aprender, não é justo deixá-los a mercê de alguém despreparado e com conhecimento empírico. Por isso só tenho ao meu lado profissionais com a formação adequada, seja em dança ou em educação física, pois estão preparados para lidar com um outro corpo e sabem a responsabilidade que carregam.

Sei que existem bailarinos com mais de 10, 20 anos de experiência que lecionam, mas não acho certo. A profissionalização é necessária e contribui para que a dança seja vista não só como diversão ou arte, mas como um trabalho sério, que necessita estudo e dedicação.

Portanto, meu recado para este ano que se inicia é: alunos, escolas, academias, exijam o DRT. É bom para todos, para quem aprende, para quem contrata e para quem buscou a profissionalização e vive da dança. Vamos, juntos, contribuir para que a dança tenha o respeito que ela merece!

Juliana Ribeiro, coreógrafa e bailarina profissional especializada em dança contemporânea.

 

 

Um ano inteiro, do papel ao palco

13 dezembro, 2017 às 15:36  |  por Juliana Ribeiro

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Quando um ano começa, geralmente pensamos em tudo de novo que queremos fazer. Comigo não é diferente. E essa milhares de ideias que rondam minha cabeça inclui, já em janeiro, começar a “rabiscar” o espetáculo de fim de ano.

Já nessa época, começo a pensar em temas que podem guiar a apresentação de encerramento. Sempre levo um caderno comigo, afinal, as ideias chegam sem avisar. Pode parecer um período longo, mas o processo criativo leva tempo mesmo.

Quando chego a um tema central, começo os estudos. Começo minhas pesquisas a partir da tese de que a expressão do corpo é derivada do contexto histórico em que pertence, por isso, precisa ser algo contemporâneo. Trazendo para a realidade como todo o processo acontece, vou falar sobre o Ensõ – tema definido para este ano.

Para quem não sabe, na pintura zen budista, o Ensõ simboliza o momento no qual o artista se sente livre para deixar os sentidos criarem. Acredita-se que sua personalidade é revelada na maneira em que pinta e que apenas quem está mentalmente e espiritualmente completo pode pintar um verdadeiro Ensõ.

Além disso, o Ensõ simboliza iluminação, força, elegância, universo e o vazio. Para o espetáculo, vinculamos a ideia aos chakras, que querem dizer roda, disco ou centro. Eles são pontos de interseção entre planos e por meio deles o corpo se manifesta. Cada turma foi separada de acordo com um chakra específico e assim, criamos o espetáculo.

Aquilo que começou no papel em janeiro, em dezembro ganha vida e o olhar da plateia. E o grande momento de 2017 está chegando. É neste 15 de dezembro, às 20, no Teatro Marista. Que frio na barriga…

Juliana Ribeiro, coreógrafa e bailarina profissional especializada em dança contemporânea.

O significado de um espetáculo

6 dezembro, 2017 às 14:01  |  por Juliana Ribeiro

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Quem dança há algum tempo, ou tem um bailarino na família, sabe que nessa época do ano a programação de espetáculos é intensa. A maioria das escolas organiza apresentações com turmas de diversas modalidades, como ballet, jazz, dança contemporânea e outras.

Em geral, são cerca de 90 minutos de muita arte, cultura, dança e superação. Mas o que está por trás desses 90 minutos de show? Muita coisa. Do ponto de vista dos bailarinos que participam, aquele é um momento vivido desde muitos meses antes. A dedicação para assimilar, compreender e executar a coreografia é sempre uma jornada emocionante.

Não importa quantas vezes você já tenha subido ao palco, os dias que precedem o espetáculo são sempre de apreensão e ansiedade. Um filme passa pela cabeça, além de muitas perguntas. Vou dar conta? Sei todos os passos? E se eu errar? Todas as respostas serão encontradas apenas naqueles 90 minutos.

Do ponto de vista dos professores, diretores e coreógrafos, a ansiedade é igual. Ver acontecer, pelo movimento dos alunos, uma montagem idealizada, criada e ensinada por eles durante muito tempo é extremamente gratificante. É como estar no palco sem estar. Isso sem falar em toda a preparação paralela, de harmonização da música, figurino, cenário.

Quem vê isso acontecer de dentro do processo – como é o meu caso – sabe que naqueles 90 minutos cabem 365 dias de sonhos, amor e trabalho. A todos os envolvidos nessa arte tão apaixonante, desejo maravilhosos espetáculos!

Juliana Ribeiro, coreógrafa e bailarina profissional especializada em dança contemporânea.

O zouk veio pra ficar, com par ou sem par

29 novembro, 2017 às 13:38  |  por Juliana Ribeiro

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Embora o zouk não seja uma novidade – já tem alguns anos que a modalidade chegou com força no Brasil – a demanda e as possibilidades dessa dança continuam crescendo no país. Para quem ainda não conhece, explico: trata-se de um estilo musical que surgiu nas Antilhas, embora alguns estudos apontem que foi a cultura árabe que desenvolveu sua base.

Hoje, tanto no Brasil quanto em outros países, o Zouk está presente, com estilos diferentes (como o soul zouk, o reggaeton, entre outros) e se misturando a diversos outros ritmos. Quando vira dança, esse ritmo encanta pela fluidez e sensualidade. Deixo aqui, apenas como curiosidade, um vídeo entre muitos disponíveis no Youtube.

Na dança, além dos bailes de zouk, nos quais os casais rodopiam lindamente, crescem os praticantes individuais. O zouk ladies, por exemplo, reúne mulheres de várias idades, em busca dos mais variados resultados e que, acima de tudo, trabalham mente e corpo por meio dessa modalidade.

Por isso hoje eu trouxe para vocês uma rápida entrevista que fiz com a professora de Zouk Ladies, Thamilla França, que contou algumas curiosidades sobre o ritmo:

Juliana Ribeiro: Para quem nunca praticou, como podemos descrever o zouk?

Thamilla França: O zouk é um ritmo muito sensual e suave. Mais do que isso: é muito divertido! É um ritmo que veio da lambada, porém dança músicas mais lentas, como a quizomba. Quem gosta desses dois gêneros, por exemplo, certamente vai adorar o zouk.

Juliana Ribeiro: Na dança, o que marca essa modalidade?

Thamilla França: O zouk trabalha fundamentos da dança de salão. Então explora técnicas de giros e movimentos de cabeça e braços. Com isso, o praticante acaba tendo como resultado o alongamento das pernas, o equilíbrio do corpo, a consciência corporal e a coordenação motora.

Juliana Ribeiro: E fisicamente, quais são os benefícios?

Thamilla França: São muitos. É um ritmo que trabalha movimentos do tronco e quadril, além de movimentos de braços, por ser uma dança fluida. Em uma hora de aula é possível perder de 400 a 500 calorias. Então ele contribui para a perda de peso e ainda tonifica o corpo. Outros benefícios são o aumenta da capacidade sanguínea e cardiorespiratória.

Juliana Ribeiro: É uma opção para quem também busca combater o estresse?

Thamilla França: Com certeza! Além de reduzir o estresse e a ansiedade, muitos praticantes relatam melhora na autoestima e na capacidade de socialização. Também uma prática muito indicada para quem está lutando contra a depressão.

Juliana Ribeiro: Qualquer um pode praticar?

Thamilla França: Sem dúvida. Pode ser praticado por qualquer pessoa, mesmo quem nunca fez aula de dança. Basta colocar uma roupa confortável, um calçado que deslize bem e vir dançar J

Juliana Ribeiro, coreógrafa e bailarina profissional especializada em dança contemporânea.