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Vamos parar de fazer dieta?

26 outubro, 2015 às 00:12  |  por Rosiane Correia de Freitas

Esse texto vai ser longo.

Um dia, há algum tempo, resolvi fazer um exercício. Anotei e fui somando tudo que já gastei com a intenção de perder peso. Eu nunca fui uma pessoa realmente empenhada em dietas e outras bruxarias, mas como mulher desde cedo me disseram que eu tinha que ser magra e então botei meu suado dinheiro em diversos tratamentos, comidas, remédios e outras estratégias para deixar de ser gorda.

Já pensou em fazer isso? Vá somando: os remédios, as consultas, aquele monte de comprimido manipulado que custou um absurdo, as mensalidades na academia – que você não queria frequentar, mas que tem aquela aula que promete queimar as calorias da bunda -, o tratamento natureba, a erva milagrosa, o salmão que vai servir de base para uma refeição “nutritiva e com poucas calorias”, o equipamento fantástico que equivale a não sei quantas horas de exercício, o creme que faz as estrias e a celulite desaparecem…

Note as reticências no fim da lista. É porque ela não acaba, né?

 

Pois bem, cheguei num número. Não vou colocá-lo aqui, mas digo o seguinte: é o suficiente para ter uma poupança (e um pouco de tranquilidade nesses tempos de crise), para ter feito aquela viagem que sempre quis fazer para a Itália, talvez significasse menos dívida no financiamento da minha casa ou poder fazer aquele curso que quero tanto.

E olha que nem coloquei nesse total aí quanto os meus pais gastaram com isso. Porque esse empenho para me fazer ser magra começou cedo, quando ficou claro que minhas coxas eram grossas, meus peitos eram grandes. Acho que não tinha nem 12 anos quando fui parar num consultório médico para “perder peso”.

Vejam bem, eu não era uma criança extremamente gorda. Não. Eu só não era magra. Ganhei bunda e peitos cedo, muito antes da minha primeira menstruação. Não era sedentária. Praticava esportes, andava de bicicleta, corria muito. Aliás, sempre gostei de me mexer. Sabe aquela sensação gostosa quando você está correndo muito rápido e parece que nada vai te parar? Eu adorava isso.

 

O que havia de errado comigo? Eu não tinha o corpo que, me diziam, era melhor que o meu. Lembro até hoje do dia em que alguém da família apontou para a dobrinha que tenho entre o braço e o peito e disse que aquilo era feio.

Não me entendam mal. Não estou falando daquele excesso de peso que é realmente ruim, porque impede as pessoas de serem saudáveis, de fazerem coisas. Mas não é disso que estou falando. Estou falando de não ter as medidas perfeitas. De ser um pouco maior. De não mostrar os ossos, de ser “fofinha”.

Pois bem, feito o exercício de continhas para descobrir quanto gastei para ser magra, resolvi continuar na lida e somei outra coisa: quanto tempo já gastei nisso. Pare para pensar: as horas na academia, na cozinha fazendo pratos com poucas calorias, no mercado analisando qual produto é mais light…

 

Já fez essa conta?

Agora pense comigo: qual foi a última vez que você foi almoçar/jantar com as amigas e o papo não foi sobre dieta?

Outro dia eu me peguei numa dessa. Tava num restaurante com duas amigas. Duas mulheres bem-sucedidas, inteligentes, interessantes e pá: de repente a gente estava falando sobre a dieta X que fez não sei quem perder tantos quilos e como uma de nós estava frustrada porque queria perder Y, mas perdeu menos.

 

Esse papo é onipresente, né? Alguém pede sobremesa e pronto: uma diz que não vai comer nada doce porque já estourou os pontos do dia. A outra pede, mas gasta um tempo justificando: a semana tá ruim, tá de TPM etc etc.

Daí você engravida. Qual é a conversa que você mais ouve? Acertou! Posso contar nos dedos os papos que tive sobre o parto. Mas nem um dia se passou nos sete meses em que as pessoas sabiam que eu estava grávida sem que alguém: me sugerisse uma dieta, me perguntasse quantos quilos eu já tinha ganho, me alertasse para não engordar demais, criticasse algo que eu estivesse comendo.

Estou exagerando? Olha, é só dar uma passadinha nos sites sobre maternidade/filhos e fazer uma pesquisa. Certeza que a maioria das “matérias” é sobre não engordar durante a gravidez, perder peso depois do parto, não tornar o seu filho obeso e voltar a fazer sexo com o marido (um dia ainda escrevo sobre isso).

 

Mas o que quero dizer com tudo isso?

Tempo é um recurso finito. Entende? Sério. Leia de novo: tempo é um recurso finito.

Agora reflita por um instante. Sacou?

 

Sabe aquela menina com seus 15/16 anos que está começando a dar os primeiros passos para ser alguém no mundo? Que percebe que gosta de ciência, que curte programar, que lê muito?

Sabe o que custa ser boa em matemática? O que custa passar no vestibular de medicina? Ser fluente num idioma?

Custa tempo. Sim, custa dinheiro também. Mas custa principalmente tempo. Não adianta pagar a melhor escola de inglês, comprar os livros mais caros, ter professor particular se você não investe o seu tempo.

Tempo para errar, para se frustar, para arriscar e, no fim, para conseguir.

Só que aquela guria de 15/16 anos não vai ter que gastar tempo só com o estudo, né? Não, ela tem que fazer aula de body whatever, sessões de tratamento para celulite, gastar meia hora por dia passando creme e contando pontos da dieta.

Tempo é um recurso finito. Cada dia tem uma quantidade fixa de minutos e se você gastou contando calorias, não vai ter esses minutos para ler Shakespeare, estudar geometria analítica ou que seja.

Já sei o que você está pensando: mas eu sempre dei conta de tudo isso. Provavelmente é verdade. A gente dá conta, né?

Só que não é bem assim. Tem uma hora que esse tempo faz falta. Sabe o que separa um pianista mediano de um gênio? Você vai dizer: talento. Tá, sim, tem o talento. Mas vamos considerar duas pessoas igualmente talentosas. O que faz uma atingir seu potencial e a outra não? Tempo.

 

Qual o custo de “dar conta” das coisas?

Tá, mas tem algo ainda pior nessa história. Algo que tem a ver com tempo, mas também com a nossa percepção do que é importante. Para falar nisso, deixa eu contar uma historinha:

Há pouco mais de um ano eu decidi fazer um aplicativo. Eu, mãe de então um bebê de um ano e meio, jornalista, professora universitária que trabalha pelo menos 40 horas por semana, mulher, dona de casa etc fui aprender a programar para celular.

De lá para cá criei aplicativos para iOS e Android, montei uma empresa, ganhei e perdi sócios, vi minha ideia não dar certo e apostei em outros projetos. Nesse tempo todo sabe quantas pessoas (com exceção do meu marido e de quem trabalhou ou trabalha comigo) se interessaram pelos meus projetos? Nenhuma.

Quase um ano depois de ter começado essa história um amigo, ao saber do aplicativo, me perguntou: como é que eu não sabia disso? Simples, ele nunca tinha me perguntado nada sobre o que eu faço. Você vai pensar: ah, é alguém que não é tão próximo. Bem, olha só, essa é uma pessoa que não sabe dos meus projetos, mas sabe quantos quilos emagreci há alguns anos, quando perdi bastante peso.

Não estou falando: “ah, coitadinha de mim”. Não. Isso aqui é sobre o que é importante. Importante para nós e importante para os outros.

Lembra das amigas no almoço? Pois bem, o que é importante? O fato delas terem projetos bacanas para fazer? Ou a dieta que não deu certo? No entanto, sobre o que conversamos? Com o quê gastamos tempo? Um tempo escasso que raramento podemos usar ouvindo as pessoas com quem nos importamos.

Eu gasto uma parte importante dos meus dias falando sobre o trabalho do meu marido, sobre o meu filho, sobre amigos meus. Falo porque o que eles fazem é importante, porque o que eles fazem muda o mundo. Há quem vá dizer que posso me sentir chateada por ser chamada a falar tanto sobre eles, ou com inveja. Essas pessoas não têm a menor ideia do que é um casamento.

 

Entendem o problema?

O trabalho de um é importante. Mas o da mulher, não. O peso que ela ganha ou perde é mais.

Tem outra coisa sacana a respeito disso. Fazer dieta é um projeto destinado ao fracasso. Verdade. É o crime perfeito. A pessoa te vende um tratamento/remédio/sei lá o que para emagrecer e que promete milagres. Não estou falando de algo que te ajudará a eliminar um, dois quilos. Não. As promessas são sempre na casa das dezenas.

Claro que nunca dá certo. E de quem é a culpa? Ah, você não leu as letrinhas pequenas, né? Você tinha que ter mantido uma dieta balanceada enquanto usava o produto e fazer exercícios regularmente. E também verificar se não havia nenhum problema de saúde que poderia prejudicar a perda de peso (olha as prioridades: Não se trata de pensar no problema de saúde, mas se ele te impede de perder peso).

Além do dinheiro e do tempo, o que mais você perdeu com isso? A segurança. Porque fazer dieta é embarcar numa experiência que vai fazer você se sentir fracassada o tempo todo. Seja porque não conseguiu emagrecer, ou emagreceu, mas não atingiu a meta (e a gente sempre define metas irreais, né?), ou outra pessoa que fez o mesmo tratamento emagreceu muito mais ou você recuperou uma parte do peso.

Então, de repente, o caso é que você é uma mulher adulta, com educação superior, que é mãe, que cuida da casa, que paga as próprias contas, que é talentosa, que cria os filhos. Mas que se sente um fracasso. Não porque seu projeto profissional, de repente, não deu certo. Ou seu filho chama a babá de mãe. Mas porque você não emagreceu.

O que é importante? O que é realmente importante?

Por que importante é aquilo que ocupa o nosso tempo. Não é mesmo?

Será que não é injusto que nós mulheres tenhamos que investir tanto na aparência? Por que é que não podemos decidir simplesmente que isso não é importante?

Pensei nisso quando li no El País um texto sobre a pesquisadora Mary Beard e as críticas que ela recebeu por sua aparência. Ela é uma daquelas mulheres que não pintam o cabelo para esconder a ação inevitável do tempo. É uma escolha. Não se trata de condenar quem pinta as madeixas, mas sim de alguém que não quer fazer isso.

Mas será que é mesmo uma escolha? Porque, no fim, o que é importante a respeito da Mary Beard? O que ela pensa ou a aparência dela? No entanto, foi por causa dessa aparência que li sobre ela no El País.

Foi quando percebi isso que deixei de fazer dietas e de tentar ser magra. Porque isso simplesmente não é importante para mim, muito embora continua a ser para os outros. Foi na mesma época em que decidi que quero ser mestre do meu próprio tempo.

Coisa de louco, né? Eu quero ser mestre do meu próprio tempo. Normalmente quando falo as pessoas entendem que quero ser empreendedora. Verdade, se por empreendedor se entende alguém que cria as próprias oportunidades.

Mas ser mestre do próprio tempo é mais do que isso. É não ser tragado pelos falsos problemas que inventam para nós. Perder peso é só um deles (mas nos toma um tempão, não é).

Já parou para pensar quantos problemas imaginários inventam para nós depois que viramos mães? Pô, de repente você tem que pensar em tags para docinhos (oi?), roupa mãe e filho, ensaio fotográfico caríssimo com o bebê destruindo um bolo igualmente dispendioso.

Para que tags em docinhos? Docinhos que vão custar um dinheirão e serão destruídos pelas criançada da mesma forma que o brigadeiro da padaria seria.

A tradição das mulheres de sofrerem com problemas imaginários começa cedo, já na maternidade, quando a mãe pega a menina recém nascida, que mal se recuperou o trauma do nascimento e tasca um brinco na orelha dela. Um brinco que pode, um dia, ir parar na boca da criança e virar um risco para a segurança dela. Ou ser perdido.

Brinco para quê? Para saberem que ela é menina? Como se alguém não fosse notar a tonelada de acessórios cor de rosa, a presilha no cabelo e os cristais na chupeta personalizada (todas essas coisas que representam um perigo para o bebê, mas que a menina TEM que ter).

Por que é que a gente não para e pensa no que é REALMENTE importante? Sério, o que é importante?

É perder peso? Não, é se alimentar bem, ter boa saúde, hábitos saudáveis. Não beber ou comer demais. Não usar substâncias que coloquem sua saúde em risco.

É malhar para ter o corpo perfeito para o verão? Ou é se sentir bem como somos. E fazer atividades que nos dão prazer, aliviam o estresse?

É correr para colocar brinco no bebê assim que ele nasce? Ou garantir que mãe e bebê descansem, tenham tempo para se conhecer, para aprender a mamar e para se recuperar do parto?

O que é importante? Como eu me visto? Que peso eu tenho? Se uso maquiagem? Ou o que faço de bom para minha comunidade, minha família e o mundo?

E só nós mulheres, ao invés de “dar conta” das coisas pudéssemos investir nosso tempo nos nossos talentos? Já imaginou quanta coisa boa sairia daí? Quanta gente ia deixar de se sentir mal a respeito de si mesma? Iria sorrir mais para a vida. Ter coragem para fazer algo fantástico?

Já imaginou? Pode ser incrível. Vamos tentar?

Use e abuse do lúdico na cozinha

26 janeiro, 2014 às 12:51  |  por Paula Martins

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Se o mundo lúdico invadiu sua casa com a chegada da sua criança, por favor, deixe a porta da cozinha aberta à brincadeira, ao colorido, ao divertido! Porque as crianças gostam disso, o aprendizado delas segue melhor por esse caminho. E comer nada mais é do que um aprendizado, não é mesmo? Sobretudo hoje, quando os fast foods parecem ter vindo para ficar e não ir embora nunca mais. 

Já falei aqui que trazer sua criança para perto de você na compra e no preparo dos alimentos é uma ótima forma de incentivar os bons hábitos alimentares. Hoje vou dividir a experiência de fazer algumas coisas diferentes com a comida de todo dia. Que tal apostar em uma apresentação gostosa de comer?

Não precisa ter muitas habilidades e nem recorrer a ingredientes inusitados. A dica é para aproveitar o que você vai fazer, ou seja, primeiro você escolhe seu menu, depois com o que estiver à mão, prepara o prato divertido da sua criança.

Aqui algumas dicas de pratos, super fáceis de fazer com o almoço e jantar do dia a dia:

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Bonequinho: feijão para os cabelos, arroz integral para o rosto, purê de batata salsa para uma bocona enorme, brócolis para olhos e nariz;

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Jardim: macarrão verde para a grama, cabinhos de brocólis para fazer as flores, pedacinhos de batata salsa para as pétalas e para o sol, brócolis para as árvores.

Vamos nessa?

 

Criança come com os olhos, sente com as mãos

20 janeiro, 2014 às 10:24  |  por Paula Martins

Se tem um assunto que as mamães sempre estão buscando auxílio é sobre a alimentação dos filhos pequenos. Quando o Petrus começou a comer alimentos doces e salgados, minha preocupação era para que ele conhecesse o que estava comendo. Isso era além do sabor, gostava de vê-lo descobrindo a textura, o cheiro. E como uma criança de 6 meses precisa descobrir tudo com as mãos, o deixava pegar a fruta, por exemplo, para saber que o mamão era molinho, e a maça mais durinha. Caprichava na apresentação dos seus pratinhos, porque quem não come com os olhos? Criança também!! 

PETRUS PAPINHA DE NENEM

Conforme crescia, fui estimulando-o cada vez mais levando-o à feira e ao mercado comigo, cultivando a horta de casa, pedindo para ir colher uma cebolinha. E me ajudar a preparar os alimentos. Pequenos gestos, que se tornam grandiosos lá na frente, quando a frase “ele não come nada” em algum momento será dita por nós mamães.

Eis que o Petrus tomou gosto por isso tudo. E aos dois anos quando íamos passear em um shopping, ao invés de um gorduroso sanduíche pedia um prato com arroz, feijão, batata e legumes. E pedia exatamente assim. Essa semana, aos cinco anos, ele pediu uma massinha. Mas disse: “tem como ser com brócolis picadinho?”. Nossa, que mãe não quer ouvir um pedido desses? E apesar de estar nesta fase em que ele está comendo menos do que eu acho que devia, ainda, assim, ele sente a necessidade de uma fruta, de uma verdura.

O que quero passar com essa história, é que os hábitos dos nossos filhos são estimulados por nós mamães. E nós podemos, basta querermos, e nos esforçarmos um pouquinho. Porque, claro, é bem mais fácil correr à feira sozinha, cozinhar sozinha. Mas garanto é muito mais divertido e prazeroso com os pequenos junto. Porque o mundo deles é de descobertas, o que nos é tão cotidiano para eles é de uma proporção imensurável de gostosa. Beijocas em todas!!