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O nascimento de uma escola Waldorf

28 novembro, 2016 às 18:43  |  por Paula Bertoli

 

Que família não quer ver desabrochar seus filhos em todo seu potencial? Que mãe não entende, no momento em que o filho nasce, que quem tem que aprender tudo sobre tudo é ela? Que a criança nasce com um corpo frágil e indefeso sim, mas isso é para que a mãe perceba como a vida pode estar por um triz!

Assim que aprendemos a reverenciar o presentinho recém-chegado às nossas mãos, tudo começa a fluir mais leve. Estar na presença deste ser minúsculo, embora grandioso, passa a ser puro deleite. E vivemos uma verdadeira metamorfose pessoal e familiar. Tudo é re significado e não resta pedra sobre pedra das certezas pré-existentes.

Foi nesta busca insana por tentar proporcionar um ambiente adequado para que o brotinho de gente (que veio carregado com uma dose extra de personalidade) pudesse aproveitar toda luz e energia que trazia consigo, que eu cheguei à Pedagogia Waldorf. Artur já tinha 5 anos, ele já tinha frequentado outras praias aparentemente sem grandes prejuízos, mas eu ainda estava em busca de algo. Assim que tomei contato com a Pedagogia Waldorf, tudo aconteceu muito naturalmente, como as coisas tem que ser. Eu me reconheci nesta pedagogia. Não fui conquistada ou fisgada por ela, eu era ela! Quase todas as coisas pelas quais eu vinha brigando estavam resguardadas por uma tribo. Alguém já tinha enxergado os mesmos problemas, já tinha estudado a essência do ser humano e já estava querendo alimentar suas almas.

Colocar o Artur num jardim de infância Waldorf foi uma das experiências mais emocionantes da minha curta, porém intensa, trajetória de mãe. Eu achava que ele estava bem antes da escola Waldorf. Mas, depois de 30 dias na nova escola eu pude ver o que é uma criança que está bem. Sabe criança sendo criança? Subindo em árvore, escalando batente de porta, brincando na lama, inventando coisas. Diminuiu muito a ansiedade, diminuiu muito a vontade de comprar brinquedo novo, diminuiu muito a preocupação com a aparência, diminuiu muito a competição. Foi lindo! E só de lembrar dessas coisas acontecendo diante dos meus olhos, tenho vontade de chorar.

Hoje ele já tem 8 anos e já está terminando o 2º ano do ensino fundamental, estuda na – até então – única escola de Ensino Fundamental Waldorf do Paraná. Mas, em 2017 teremos novidades!

É que alguns pais, apaixonados pela Pedagogia Waldorf, se associaram em 2014 e foram agregando novos pais…  Eu soube do movimento no início deste ano e me aproximei. Inicialmente participando de algumas palestras, depois participando de um curso chamado “Poética da Docência – reflexões sobre o sujeito formador” e finalmente me associei. Desde então, a familia toda começou a respirar o processo de fazer nascer uma escola. Nos conectamos a esta energia e nos sentimos parte deste projeto.

Em novembro de 2016, somos aproximadamente 60 pessoas. Essa galera está prestes a abrir a 2ª Escola Waldorf de Ensino Fundamental do Estado, só para poder oferecer esta pedagogia para mais crianças. Esta escola, como a outra, será sem fins lucrativos, associativa, e está sendo construída pelo trabalho voluntário das famílias associadas. Alguém com experiência em fundar escola? Não! Alguém com garantias de que será um sucesso? Não!

Mas tem muita energia boa no projeto, muita gente linda trabalhando duro, e muita criança feliz correndo pelo quintal da sede da escola. Espero que em breve, esta sementinha possa mostrar a que veio e possamos encontrar jovens saídos de seus bancos que sejam responsáveis, conscientes, seguros e com capacidade de realização.
;)

As escolas Waldorf de Curitiba:
www.escolaturmalina.org.br
www.graosaber.com.br

por Caroline Neves Garib Carollo

O processo de socialização infantil é de extrema importância, os laços precisam ser construídos através da confiança, carinho, demonstrações de afeto e amor incondicional.  Desde muito pequenos eles já sabem o que os agrada e quem os agrada, quando as crianças têm uma resistência com algo ou alguém, essa resistência precisa ser investigada. Ela pode estar se sentindo intimidada e a sua atitude precisa ser compreendida. Precisamos preparar os nossos pequenos para o Mundo e todas as situações que eles possam ser expostos e precisam saber se defender.

As crianças precisam apreender a lidar com as suas emoções. Como elas não nascem com essa habilidade, o papel dos pais e/ou figuras parentais é ensinar como expressar seus sentimentos de uma forma correta. Explicar o porque que não podemos morder nossos colegas ou pegar tudo a hora que quisermos. A criança precisa compreender a perspectiva emocional das outras pessoas, através da observação ela vai apreender. Sempre que ela tomar uma atitude que gerar mal-estar em alguém, através da reação das pessoas de confiança dela, ela saberá que aquilo foi ou não foi correto.

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A família é aonde a socialização inicia, os valores são passados e as primeiras trocas sociais acontecem. Na escola é onde realmente o social aparece, é o ambiente correto para a criança se aventurar no processo de socialização. Lá ficará em contato com outras crianças da sua idade e apreenderá conquistar as suas relações e construir seus vínculos. Inicia o processo de identificação com alguns colegas, percebendo semelhanças e podendo exercitar a sua capacidade de se expressar com os amiguinhos.

Os problemas emocionais aparecem quando ela precisa se expressar ou reagir a algo. A segurança emocional que a criança tem dos pais é muito importante, porque ela vai se apropriar disso para compreender o afastamento dos pais.

Crises de medo ou insegurança são comuns com essa separação. Conversar com a criança sobre a escola, mostrar que confia no ambiente e nas pessoas com quem ela vai ficar, pode auxiliar e muito nessa fase.

Crises de desajustamento social são muito comuns com crianças que tem as suas vontades atendidas sempre, ela terá dificuldades de respeitar os desejos dos outros e de esperar a sua vez nas atividades. Gerando um forte sentimento de frustração e sofrimento para ela.

O controle emocional interfere em todas as relações, sendo de extrema importância o suporte emocional para que nossos pequenos se aventurem com segurança pelo mundo a fora. Uma pessoa saudável emocionalmente tem uma vida muito mais estabilizada e suas chances de vencer na vida são bem maiores.

Em meio de tantas oportunidades de aprendizado o emocional tem sido colocado um pouco de lado, o mundo esta cada vez mais exigente com todos e isso faz com que o foco seja outro. O emocional não pode ser exposto, tem que ficar guardado dentro de cada um de nós. Como se isso fosse possível.

Inteligência e controle emocional é o que faz o ser humano ser um vencedor feliz e auto – realizado. Do que adianta falar várias línguas, ter vários títulos, altos cargos, altíssimos salários e não ter alegria, não saber qual é o sentido da vida?

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Quando a realidade e a fantasia se misturam :Nariz de Pinóquio

8 junho, 2016 às 07:23  |  por Caroline Neves Garib Carollo

Caroline Neves Garib Carollo

“Meu filho tem 2 anos e 7 meses e começou a contar fatos irreais “mentirinhas “o que devo fazer?

Nesta fase a realidade e fantasia estão bem misturadas, a fantasia é algo muito presente na vida da criança. Quando elas estão brincando, o simples fato de inventar histórias, criando personagens objetos e situações que não existem é tudo de mentira!!! E assim nascem os nossos narizes de Pinóquio. A mentira precisa ser avaliada, se estiver apenas no mundo da imaginação ou falando sobre fatos ocorridos ou ouvidos na família com trocas de papéis, ela é uma história, se apresentar pensamentos para fugir de suas responsabilidades, a mentira precisa ser entendida. O porque? Da onde? É muito importante parar e ver o que esta acontecendo com a criança que ela não esta conseguindo falar ou expressar.

 

Então devemos cortar esse mundo mágico e imaginário de nossos filhos?

A imaginação é de extrema importância para o desenvolvimento do pensamento lógico, pois através dela a criança coloca em prática o seu conhecimento e aprender a raciocinar. O imaginário faz com que a criança experimente vários papéis e sinta as responsabilidades de cada um deles. Mesmo que sejam poucas responsabilidades. As meninas adoram brincar de trocar de papéis com as mães. Essa experiência é fantástica porque você consegue perceber a importância dos exemplos que eles têm em casa. Tudo se constrói nas relações e até as mentiras. Sempre que percebemos que a criança não esta falando a verdade no discurso com os outros, precisamos falar que não é assim que funciona e explicar o porque, se não elas passaram a achar que mentiras são aceitas sim. E que isto é normal. Pais que contam pequenas mentirinhas sem perceber, os filhos percebem.

Como devemos agir quando percebemos as mentiras e o que fazer? Meu filho de 6 anos trouxe um objeto de outra criança.

Crianças que já sabem o que certo e o que é errado, podem mentir para tentar evitar que sejam reprimidas, castigadas e acreditarem que a mentira é a melhor saída naquele momento. Broncas e castigos não ajudam, pelo contrário pode fazer a criança mentir por medo. Precisamos deixar claro que a mentira não pode ser aceita nunca. Como forma negativa. Quando as verdades são ditas devemos valorizá-las. A criança que pegou o objeto deve ser orientada sobre o que fez, pontuando que atitude não está correta e tentar revolver a situação com a participação dela.  Devolver o objeto ao amigo e explicar racionalmente o porque de ela não poder mais fazer esse tipo de coisa. Nunca fingir que nada aconteceu.

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Quais são os tipos de mentiras que podemos aceitar de nossos filhos?

Nenhuma. O problema é que na vida adulta nem sempre tudo é a mais pura verdade. A mentira social, que muitas vezes é usada para não ferir os sentimentos dos outros, é uma situação difícil para ser dita as crianças. Por exemplo quando a criança ganha algo de alguém e não gostou, ela não precisa dizer que adorou o presente, mas que ela deve sempre agradecer, porque a pessoa pensou nela com carinho quando comprou o presente. Esse tipo de situação pode ajudar a criança a desenvolver argumentos. É preciso conversar e explicar que não precisa dizer tudo aquilo que passa pela cabeça e que muitas coisas podem deixar as outras pessoas tristes. Esta é uma maneira de ensinar o que é ter compaixão por alguém.

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Meu filho sempre se queixa de dores quando não quer ficar na escola, o que faço?

Mentiras frequentes como esta, precisam ser observadas com muita atenção. Pode estar acontecendo algo na escola que ela não esta conseguindo resolver, pode estar passando por um momento difícil e usa a mentira para esconder o que não esta indo tão bem. Situações que estão deixando a criança angustiada, ansiosa ou com medo, podem desenvolver sintomas psicológicos e acabar desenvolvendo um problema psicológico. Neste caso procure um profissional.

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Meu filho não é uma causa, mas minha maternidade é política

1 junho, 2016 às 10:27  |  por Rosiane Correia de Freitas
Na minha infância, o ballet tinha a cara do Mikhail Baryshnikov, mas agora ele é "coisa de menina"

Na minha infância, o ballet tinha a cara do Mikhail Baryshnikov, mas agora ele é “coisa de menina”

Esta semana vivi uma situação constrangedora. Fui buscar na loja a roupa que encomendei pro meu filho. Era uma roupa para a aula de ballet da escola. Calça justa, sapatilha preta. A dona me recebeu na porta, sorridente e soltou mil elogios. “Você é uma mãe incrível” e por aí foi. Quem me conhece sabe que não sou lá muito boa em receber elogios quando acho que os mereço. Imagina quando não é o caso…

O motivo da empolgação era o fato de eu estar comprando roupa de ballet para um menino.

Meu filho gosta de música desde que nasceu. E, imagino que como consequência, gosta de dançar (daquele jeito fofo e desajeitado dos bebês dançarem). E ele frequenta a creche desde seus 10 meses, porque a mamãe e o papai trabalham em tempo integral.

A creche é um gasto significativo no nosso orçamento doméstico. Atualmente custa mais caro que a mensalidade do curso de graduação no qual sou professora. A maioria das creches particulares hoje oferece uma lista grande atividades, talvez numa tentativa de justificar o custo alto e também para os pais ficarem felizes com o fato das crianças não ficarem na escola o dia todo “sem fazer nada”. Não, elas têm aula de inglês, artes, música, física quântica, práticas esportivas. Um currículo completo, nos dizem.

A escola antiga do meu filho tinha ballet. Era parte do currículo. Tinha também futebol, no mesmo horário. Eu, sinceramente, acho que tanto fazia uma coisa ou outra. Mas futebol ele joga comigo e com o pai. Ballet, não. Nos falta a coordenação motora e a graça necessárias.

Eu sempre achei que a vida do meu filho ia ser mais fácil porque ele é homem. Ele não ia ouvir que não pode fazer algo porque é menino. Eu estava enganada. Ballet não é coisa de menino. Usar sapatilha não é coisa de menino. Por isso a empolgação da dona do loja comigo.

No entanto estamos em 2016 e ainda temos “coisas de menina” (que são “delicadas”, “princesas”) e “de meninos”. E isso é tão forte que o simples fato de um bebê de dois anos estar numa aulinha de ballet causa um celeuma. Na escola antiga tivemos que nos contentar com a tal aula de futebol porque a coordenadora pedagógica achou que um menino ficaria “entediado” no ballet. (Confesso que entendo isso. Passei minha infância inteira ficando entediada em atividades “pra menina”).

Na escola nova a chegada do meu bebê na aula de ballet foi todo um acontecimento. Porque ele é, claro, o único menino por ali. Teve outro, mas a mãe me contou que eventualmente o piá decidiu sair “por causa dos amiguinhos”. Entendi o que ela queria dizer na segunda semana de aula de ballet do meu filho, quando ele chegou em casa dizendo que as meninas disseram que ballet é “de menina”.

Eu poderia reclamar disso tudo. Mas para mim, a aula de ballet é algo que meu filho curte. É por isso que ele está lá. Quando deixar de ser legal ele vai fazer outra coisa. Ele não está lá para provar nada para ninguém (por isso meu incômodo com a empolgação toda da simpática lojista).

Mas apesar do constrangimento, percebo que há um componente político na vida de mãe. Na realidade, política é algo inerente a vida em sociedade. Mesmo que a gente não goste de usar o termo política, nossas escolhas, nossa ação tem significado político.

Na maternidade nossa vida política ganha mais força. Pelo menos pra mim, senti mais a necessidade de ser assertiva na defesa daquilo que julgo importante. Na prática, significa me impor quando não quero que outras pessoas interfiram em determinadas rotinas e hábitos do meu filho.

Quer um exemplo: não dei açúcar para o filhote até ele fazer 2 anos. A escola, no entanto, previa a oferta de Nescau para as crianças. Então conversei com a coordenação e as professoras e manifestei por escrito minha orientação para que ele não consumisse produtos com açúcar. E registrei minhas queixas todas as vezes que esse desejo foi desrespeitado.

Claro que esse comportamento me transforma na mãe-chata-que-reclama-de-tudo. No caso do ballet eu sou a mãe-louca-que-vai-causar-confusão-de-gênero-na-criança. Não me importo. O importe é, em primeiro lugar, o bem estar do meu filho. E em segundo lugar, que a gente pare de aceitar aquilo que é hábito (do tipo dar Nescau para bebês), mas que novas informações científicas nos mostram que podem ser ruim para as crianças.

Nós vivemos numa sociedade democrática. No entanto, a democracia não é presente. É luta. Ela só existe e se aprimora se a gente participar dela. Se reclamar o nosso direito de ser parte da educação de nossos filhos. Se a gente impor o nosso direito de ter nossas opiniões consideradas nas decisões de saúde das nossas crianças.

O importante de perceber essa dimensão política da maternidade é que a gente passa a discutir o que é realmente importante. Eu, por exemplo, fui aprender que escolher uma escola para o pitoco é mais do que garantir que os espaços são limpos, que o material usado é adequado e que o número de professoras é suficiente. É importante também ver o quanto a escola está disposta, ou não, a dialogar com os pais.

Sobre isso eu poderia escrever mais um bocado, mas deixo vocês com as palavras da Rosely Sayão:

Notem que é como a Sayão fala: queremos diálogo. Porque há sempre uma relação dos pais com a escola. Mas muitas vezes ela é a de consumidor e empresa. No entanto, apesar de ser um negócio, de ter que dar lucro, a educação não é como vender peixe. Há algo de muito mais fundamental em se trabalhar com isso. É lidar com um direito, com a dignidade humana.

E por que dialogar com a escola? Vamos pegar o exemplo do ballet? A princípio não é papel da escola ensinar valores. Esses viriam de casa (apesar de muita campanha publicitária por aí vender a ideias de que forma ‘cidadãos’). No entanto, o sexo e o gênero não são assuntos marginais na escola. Eles entraram pela porta da frente, quando na década de 1980 a epidemia de AIDS e os índices de gravidez na adolescência tornaram urgente a necessidade de informar crianças e jovens sobre o assunto.

Claro que não é só na educação sexual que o trabalho da escola visita esses temas. O currículo é cheio de decisões político/ideológicas que esbarram em questões culturais e sociais, entre elas a de construção da identidade de gênero. Só que quando a escola faz essa opção ela precisa dialogar com a comunidade, seja a dos pais, seja a comunidade em geral. A escola presta contas à sociedade, que já não é a mesma dos anos 1980. Hoje o Estado brasileiro reconhece que há diferentes orientações sexuais e que não é aceitável discriminar gênero. Então por que é que a escola pode decidir que uma atividade é “pra meninas”?

Mesmo fora do âmbito comportamental temos visto a educação precisar rever suas práticas. Hoje a ciência reconhece que pessoas diferentes absorvem e desenvolvem informações de forma diferente, expondo o quanto metodologias que só favorecem um tipo de processo cognitivo são falhas. Então não cabe mais à escola rejeitar aquelas crianças fora do que ela considera “normal”. Ela precisa receber e acolher o diferente. E como fazer? Com diálogo, com democracia e com informação.

É aí que a política da maternidade se revela. Mães e pais têm poder de mudar ou acelerar a mudança de paradigmas falhos. Esses esforço pode até começar em prol do filho, mas se bem direcionado pode fomentar uma discussão que é benéfica para a sociedade como um todo. Mesmo que a família não encontre acolhimento nesse diálogo com os educadores, no mínimo ela ensinou aos filhos algo essencial: que a democracia somos nós.

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Como saber a hora de dizer sim e a hora de dizer não? Transpondo a Importância dos Limites.

23 maio, 2016 às 07:51  |  por Caroline Neves Garib Carollo

Caroline Neves Garib Carollo.

Antigamente não existia dúvidas sobre como educar os filhos. |O assunto não era sequer questionado. Os pais agiam com palmadas ou castigos, e estavam certos de que essa era a forma de ter filhos educados e respeitosos que saberiam como agir em sociedade quando grandes.

É visível como estes conceitos se modificaram na nossa atualidade. As crianças começaram a ser ouvidas e respeitadas, as suas vontades, gostos, escolhas e até mesmo o direito de questionar os adultos.

Os relacionamentos entre pais e filhos ganharam mais autenticidade e menos autoritarismo, tornando a relação mais democrática.  O que fez muitos pais sentirem dificuldades e dúvidas em como educar sem serem autoritários.

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Educar compreendendo a criança, entendendo suas atitudes e sentimentos, com o objetivo de esclarecer as regras, e mostrar pais que tem autoridade e não são autoritários. Deixando claro a diferença entre autoridade e autoritarismo.

O trabalho de construção de limites com os nossos pequenos deve possibilitá-los o exercício da autonomia de se expressar, sensibilidade de compreender e respeitar as opiniões dos outros.

Dar limites é fundamental, porque é assim que eles entendem o que devem ou não fazer e quando fazer, respeitando também os limites dos outros.

Contudo ninguém pode respeitar o outro se não apreender quais são seus próprios limites e isso inclui compreendermos que nem sempre se pode fazer tudo que se deseja na vida.

As crianças estão querendo saber até onde podem chegar e até onde os pais deixam-nas ir.

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Estabelecer limites não é tarefa fácil, mas muito mais complicado é mantê-los. É difícil lidar com choro, teimosia e as brigas. As vezes os pais para o comodismo preferem dizer um “sim” quando deveriam ter dito um “não”.

O estabelecimento das regras é fator organizador para as crianças, entretanto sabe-se que o que é permitido e o que não é varia muito de uma família para outra.

“Se não lhe dermos as regras, as crianças pedirão por elas!”.

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O mundo virtual também precisa de limites

16 maio, 2016 às 06:50  |  por Caroline Neves Garib Carollo

Caroline Neves Garib Carollo

A internet é uma aliada das crianças de hoje, só é preciso ter cuidados e monitoramento sobre o seu uso. A visão de mundo dos nossos pequenos voam muito longe, acabando com os limites culturais, tendo acesso a diversos assuntos. Eles entram em contato com as diversidades do mundo.

Não podemos nos esquecer de que os nossos pequenos não têm capacidade de julgar o que é bom ou ruim para eles, e que acreditam facilmente nas informações do mundo virtual, tornando-se presas fáceis de pessoas maldosas que mentem através de perfis falsos na internet.

E neste momento que os pais devem ficar de olho e cuidar das páginas de acesso das crianças.

Sabemos que um clique pode abrir um leque de informações, e possibilitar uma absorção de conhecimentos adequado pela criança, mas sempre com a participação dos pais. “O mundo virtual deve fazer parte da vida da família assim como o mundo real”.

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Como devo monitorar os meus filhos quando acessam a internet?

- O ideal é que os pais acompanhem o acesso das crianças, explicando o que é certo e que é errado, deixando sempre muito claro o porquê de não tomar certas atitudes. As crianças são curiosas por natureza, com um instrumento que não tem limites na mão delas, o cuidado é extremamente importante.

O uso da internet deve ser controlado para que as crianças não desenvolvam vícios. O que podem fazer elas deixarem de ter uma infância saudável e começar a ter comportamentos de exclusão social e negação. Como não sair mais para brincar na rua e fazer amizades através de relações pessoais, e não à distância.

 

- Como posso utilizar a internet a favor da educação e momentos de lazer dos meus filhos?

O uso correto da internet auxilia muito as nossas crianças, é um universo de possibilidades de conhecimentos. Incentive a chamá-lo quando algo diferente acontecer.

Algumas dicas sobre o uso da internet para as crianças:

  • Aplicativos educacionais;
  • Jogos de acordo com a idade e que o conteúdo não seja agressivo e de terror;
  • Canais de youbers (muitos são direcionados aos jogos que hoje eles curtem, como nimecraft e muitos outros);
  • Vídeos que são feitos por colegas;

 

Eu adoro publicar fotos dos meus filhos em minhas redes sociais. Em momentos de lazer, durante a escola…estou agindo de forma correta?

- É preciso monitorar todos os passos, evitando que elas sejam enganadas e expostas a situações constrangedoras. O uso das imagens e dados que possam levar pessoas maldosas até elas. Devemos evitar colocar fotos com as roupas de escola, ou qualquer roupa ou endereço aonde as crianças possam ser encontradas.

O meu filho completou 6 anos e já começa a demonstrar total autonomia para acessar a internet. O que devo fazer?

Quando a criança estiver na fase dos 6 anos é bom fazer com ela uma lista de regras de uso da Internet e deixar ao lado do computador.

  • Tempo de uso;
  • Sites que pode navegar;
  • Monitorar o histórico de acesso da criança;
  • Dúvidas? Perguntar sempre!!!.
  • Cuidados que os pais podem tomar:
  • Instalar ferramentas de filtragem que barram o acesso de crianças a sites proibidos;
  • Explicar para elas que existem sites que não são saudáveis, que existem pessoas que usam este meio para colocar coisas erradas e feias. Que não são boas nem para adultos e muito menos para crianças;

Dessa forma, as crianças aprenderão a usar a internet de uma forma positiva. É necessário que elas saibam que existem pessoas que usam a internet para coisas não adequadas.   Crianças bem informadas saberão ser seletivas e não se deixarão levar pelas oportunidades falsas e maldosas.

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Tempos corridos: como aproveitar a relação entre pais e filhos.

9 maio, 2016 às 08:07  |  por Caroline Neves Garib Carollo

Ser criança nos dias de hoje está ficando bem complexo. As variedades de atividades estão lotando as agendas.

Ser adulto no mercado de trabalho também não esta fácil. A concorrência aperta cada vez mais. E agora como fica essa relação?

O tempo juntos está cada vez mais raro, o que pode afetar o desenvolvimento emocional e psicológico das crianças. Precisamos aprender achar tempo nas nossas vidas, começando pela rotina da casa, garantindo que os pais tenham uma convivência de qualidade com seus filhos.

Precisa ficar claro que o mais importante é a qualidade do tempo e dedicação que os pais têm com os filhos, e não a quantidade de tempo sem comprometimento com a atividade que a criança esta desenvolvendo. Como fazer com que o tempo junto das crianças sejam valiosos? Estar presente não significa estar junto. Assistir televisão ou estar no tablet não significa qualidade de tempo.

No dia-a-dia das famílias, percebe-se que com algumas simples mudanças poderiam ajudar a ter mais quantidade e qualidade de tempo, seguem algumas sugestões.

Dirigindo: Converse com seu filho, pergunte sobre o dia na escolinha, qual é o melhor amiguinho dele, conte uma história, mostre as coisas interessantes que você vê no caminho, fale o sinal está verde, o que significa isto? Ou você viu como as árvores estão floridas, é porque é primavera;

Em casa: aproveite os trabalhos de casa para ensinar seus filhos. Enquanto prepara os alimentos, que tal explicar para o seu filho sobre como é importante ter um prato bem colorido para ficar forte? Deixá-lo ajudar a lavar os vegetais ou colocar os pratos na mesa para o jantar? Quando for dar banho em seu filho, aproveite para abraçá-lo, dizer o quanto ele é lindo, fazer um pouco de cócegas, dar uns beijinhos. Na hora de ir para cama, uma ótima hora de incutir hábitos de leitura, conte uma história ou peça para ele contar para você. E nunca esqueça de dizer a eles o quanto são amados.

Na rua: Faça planos de ir em lugares que nunca foram juntos, desenvolver projetos juntos é muito importante, fortifica muito o laço emocional com uma parceria.

  • Cuidados com as coisas sem valores que roubam muito o nosso tempo. Exemplo: limitar o acesso a redes sociais

A partir da próxima semana responderemos perguntas sobre comportamento infantil!

Créditos: divulgação

Créditos: divulgação

 

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Contra móveis planejados

29 março, 2016 às 15:03  |  por Rosiane Correia de Freitas

Volta e meia chega na minha caixa de entrada de emails uma mensagem. Invariavelmente o interlocutor quer saber como fazer algo novo, testar uma ideia, arriscar. Papo vai, papo vem, chegamos ao ponto central: e se não der certo? E se as pessoas não gostarem?

Em geral respondo que arriscar é se abrir pra possibilidade de erro e da rejeição. O ser humano gosta de rotina, das coisas previsíveis. Mexer com isso é jogar com a sorte.

O problema é que tenho preguiça de emails longos. Mas o tema merece uma conversa mais elaborada.

Nós crescemos num mundo plastificado. Tal como parque da Disney, onde as coisas, como mágica, acontecem sempre direitinho, o susto na hora certa, a fila que anda organizada, o piso perfeito que leva aos lugares certos. Vivemos em casas planejadas, guiadas pelo dogma da organização. Camisas e roupas íntimas organizadas por cor dentro do armário feito sob medida.

Quão inadequados nós já nos sentimos por causa da mesa que não combina com as cadeiras. Porque o suco de laranja manchou o estofado branco. Ou o dinheiro só deu para parte do projeto. E a casa ficou pela metade. Uma promessa de um futuro idealizado.

Mas quem é feliz num ambiente tão previsível? O homem não nasceu para ser prisioneiro de um cenário feito a mdf e vidro colorido. A mente dele é rebelde. Quer testar como fica a sala com a poltrona roxa e as almofadas jogadas sobre o sofá.

É daí que vem esse comichão de querer inventar moda. Quando você menos espera está inventando de fazer pão em formato de arco íris e sai na rua se chamando de poeta.

Tudo isso porque mora um inconformado no coração de cada um. Esse mundo aí pode ser lindo, mas ele poderia ser melhor. É isso que nos provoca, nos empurra em direção ao perigo.

De repente nos dá na telha de querer fazer algo nosso. Mãos na massa, vem a decepção. Parece que nada que produzimos é digno do Instagram. Dá vontade de desistir, voltar pra vida de consumidor.

Mas se você insiste, uma hora vai sentir a alegria de dizer: fui eu que fiz. Uma ideia que tive tomou corpo e me fez feliz.

Uma ideia é como um filho. Tem seus defeitos, suas particularidades. Segue caminhos que nem sempre pudemos prever. Mas dá um orgulho danado vê-los andando com as próprias pernas.

Vai existir quem diga que não é assim. Vai insistir que é desperdício de tempo. E que tá bom do jeito que sempre fizemos.

Mas não desanime, não. Quem parece feliz no paraíso plastificado é porque tem medo de entrar naquele cômodo bagunçado, sabe? Não é problema seu.

O negócio é saber o que é importante. A vontade de mudar o mundo. Ou só mesmo o desejo de fazer que nos desafie. O resto a gente tira de letra. Confie.

Porque numa vida cheia de móveis planejados tudo é muito quadrado. Não é um ambiente feito para a vida, que tem que acontecer longe dali.

Então vão em frente, meus queridos. Não é preciso licença de ninguém para criar o seu caminho. Vai ser diferente do esperado, mas que é que já salvou o mundo sem perder o rebolado?

Não é sobre gênero, é sobre cuidado

11 janeiro, 2016 às 22:34  |  por Rosiane Correia de Freitas

Outro dia levei meu filho num desses parquinhos com uma piscina de bolinhas e um imenso labirinto. Era meio de semana, no meio da tarde, então o lugar estava deserto. Mas eis que uns 20 minutos depois que chegamos chegou também uma trupe que ia participar de um aniversário no local. Eram vários meninos com idades, imagino, entre 4 e 8 anos e apenas duas meninas.

O grupo da festinha entrou na piscina como um furacão. Cerca de 20 crianças correndo, gritando e percorrendo o labirinto como se não houvesse amanhã. Achei que meu filho ia se assustar, mas ele ficou curioso e resolveu tentar, em vão, seguir o grupo. É que uma das partes do labirinto exigia que ele pulasse um murinho. Coisa simples, mas que para quem não tem 3 anos ainda é um grande desafio.

Meu bebê ficou lá tentando saltar o obstáculo enquanto o grupo de meninos passou correndo por ele várias vezes. Até que uma das meninas – que tinha acabado de se juntar ao bando – parou, deu a mão pro meu filho e ajudou ele a pular.

Um gesto tão simples, né?

Vendo isso me ocorreu que a luta por direitos iguais, respeito que o feminismo e outros movimentos têm assumido é também por cuidado. Cuidar é se por no lugar do outro, é deixar de olhar só o próprio umbigo, é pensar no que o outro precisa.

É comum as pessoas pensarem que o cuidado é uma questão de gênero. Afinal é a mãe que cuida, né? É a enfermeira que dá banho e consola o doente. É a empregada doméstica que deixa a casa limpa e organizada. É a professora que cuida e educa as crianças no maternal. A dona de casa.

Logo que nasce a menina já ganha uma bonequinha pra chamar de bebê e cuidar. Como se fosse natural para o sexo feminino cuidar. Os meninos, pelo contrário (nos dizem), são “mais agitados, têm mais energia”. Como aqueles meninos que atropelaram meu filho sem parar para ajudar ele.

Porém, o menino que não foi educado para parar e ajudar a criança menor que não consegue vencer um obstáculo é o homem adulto que não cuida da mãe doente. É o marido que não sabe fazer arroz e fritar ovo. É o colega de trabalho que pisa no outro sem a menor piedade.

Cuidar não é algo que só tem a ver com o outro. Saber cuidar é saber também dar conta de si mesmo. Se eu sei fazer comida, limpar a casa, pregar um botão, fazer alguns ajustes no meu carro isso me torna uma pessoa independente. Que pode cuidar de si mesma.

E isso é imensamente importante. Mesmo que eu possa pagar alguém para fazer todas essas coisas.

Isso porque saber fazer me qualifica para entender o que cada uma dessas atividades exige. O quanto coisas simples são, na realidade, ações especializadas e que exigem dedicação.

Se eu não sei fazer, é fácil desdenhar do trabalho alheio. E não é justamente isso que acontece?

Pense nas atividades menos valorizadas do mercado de trabalho. Já parou para pensar o quanto menos ganha uma enfermeira em comparação com um médico? Quanto você paga para a diarista, a babá, a professora da escolinha infantil?

Por que essas atividades valem menos? Por que o cuidado vale menos? É menos especializado? Exige menos preparação?

Tá, então me diga rápido sem pensar: como é que tira mancha de caneta de roupa? Qual a receita mais fácil e rápida de pão caseiro? Como é que faz para identificar uma picada de aranha? Quais vacinas uma criança de um ano tem que tomar?

Claro, fica muita mais fácil querer pagar R$ 90,00 para a diarista por dia para limpar uma casa de 150 metros quadrados se a gente não parar para pensar o quanto essa atividade é complexa. É muito fácil desprezar a mãe, a dona de casa se a gente não percebe o quanto essa pessoa tem que aprender para dar conta do trabalho.

Não se trata de tentar igualar atividades essencialmente braçais com atividades intelectuais. Mas entender que elas coexistem e precisam umas das outras. O médico (ou médica) precisa da enfermeira. Mais do que isso. O médico precisa saber e valorizar o cuidar. Porque ele lida com gente.

Quando a gente despreza o cuidar abre a porta pra formação de profissionais que acham que, por serem especializados, não podem nem devem cuidar. Para pessoas que dizem que “não sabem cuidar, não nasceram para isso”. Como se isso fosse uma atividade de segunda classe. Mas nós somos humanos. Nós convivemos com humanos. E humanos precisam de cuidados.

Todo mundo um dia vai precisar cuidar de alguém. Seja do conjugê, seja do filho, dos pais ou de si mesmo. Quanto antes a gente aprender que cuidar é essencial, antes vamos nos tornar uma sociedade melhor.

Os livros e suas histórias

12 agosto, 2015 às 15:03  |  por Taísa Binder

livro

Hoje vou deixar a modéstia de lado. Sei que ensinei muitas coisas ao meu filho. Primeiro as noções de sobrevivência: falar, andar, comer, tomar banho…Depois as necessárias para o desenvolvimento pessoal: vestir a roupa, ler e escrever, amarrar o tênis, brincar. E claro, as que vão ajudar a formar seu caráter: respeitar os outros, ser educado, ser tolerante, ser honesto e por aí vai. Claro que mãe é aquela coisa, sempre achamos que poderíamos ter feito melhor aqui ou ali. Somos de uma categoria muito exigente!

Mas tem um hábito que ensinei ao meu filho do qual me orgulho e muito: ler. Desde que ele era bebê leio para ele. Lia para ele antes de dormir, lia para acalmá-lo em viagens longas, lia para que ele estimulasse a imaginação.

Quando as crianças começam a perceber o mundo a sua volta é bacana apresentá-las aos livros. E tem uma infinidade de opções. Livros que ensinam as cores, outros que ensinam a contar, livros para encontrar bichos escondidos, livros para se divertir no banho. Depois a gente vai buscando aqueles com histórias simples, mas sempre com algo que os pequenos possam trazer para o mundinho deles. E é interessante como as crianças têm essa percepção e fazem a ligação rapidinho.

Aos dez anos meu filho é um leitor assíduo. Vamos ao shopping e ele sempre pede para visitar livrarias. Vamos ao supermercado e ele nunca deixar de comprar um gibi. Sempre lê ao menos a capa das revistas semanais. Indo para a escola pega os jornais nos semáforos e lê as manchetes. Antes de dormir separa um tempinho para a leitura. Claro que não são livros complexos. São histórias que se lê aos dez anos. E acho ótimo, afinal não queria que ele lesse Crime e Castigo ou Ulisses nessa idade.

Na escola, a cada trimestre é enviada uma lista com três livros. Os alunos devem escolher dois que serão trabalhados em sala de aula. Ele sempre quer os três. Uma vez por semana, os estudantes vão à biblioteca emprestar um livro. Ele empresta dois (confesso que nem sempre lê os dois). Aí sim fico orgulhosa e percebo que fiz um bom trabalho.

Sim, eu acredito que ler é um hábito que deve ser adquirido na infância. Ler estimula a criatividade, enriquece o vocabulário, distrai, faz bem para a memória e é um prazer. No colégio ele com frequência é elogiado pelos textos bem escritos, pelo poder de argumentação, pelas histórias contadas em detalhes. E isso acontece desde que ele era bem pequeno. Atribuo grande parte à personalidade do meu filho. Ele é extrovertido, inteligente, gosta de uma boa conversa. Mas não desmereço o papel dos livros, literalmente. Ele lê e depois quer contar tudo que descobriu naquelas páginas. Os olhos brilham. Quando era menor, muitas vezes ao final da leitura ele suspirava e dizia “que história legal!”. E isso que é fantástico: a criança entrar no mundo de fantasia, imaginar, criar na sua cabecinha todos os personagens.

Lembro que quando eu era pequena na minha casa havia coleções de livros infantis. Ninguém nunca me mandou ler. Eu li porque senti curiosidade, porque quis.  E amava aqueles momentos. Leio muito até hoje.

Sim, sou daquelas pessoas que dão de ombros quando alguém fala que os livros vão acabar. Não acredito que folhear as páginas seja o mesmo que deslizar os dedos pela tela de um computador, tablet, celular ou o que quer que seja. O cheiro de um livro novo, a vontade de sondar a última frase lá no finalzinho para saber como acaba é muito mais bacana. Nada se compara a isso.

Sendo assim, repito, vou deixar a modéstia de lado. Quando o meu menino fixa os olhos em um livro, tenho certeza que fiz um belo trabalho. Ele é um pequeno leitor e, possivelmente, não vai largar esse “vício”. Ler é mais que conhecimento. Que tal incentivar esse hábito em sua casa? Garanto que vale a pena!