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Carta aberta ao pai do meu filho

4 novembro, 2017 às 10:10  |  por Lilian Alves

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O Lucca me pediu pra faltar na escola na próxima segunda-feira e o motivo é você. Você nem sabe disso, claro, assim como você não sabe de tanta coisa, e eu também nunca fiz questão nenhuma de te procurar e te contar pois acredito que amor e atenção a gente não implora. Mas ver meu filho constrangido e sofrendo por causa de você me fez querer te contar um pouco do que você fingiu não existir nos últimos 5 anos.

Vou começar pela última tarefa de casa do Lucca. Era pra ele desenhar de um lado a profissão da mamãe, e do outro a profissão do papai. Parece bobo né? Sim, talvez seja bobo pra você que sempre teve seu pai do seu lado, e ainda tem. Mas pra uma criança de 5 anos que vê todos os seus amigos próximos falando sobre um pai, e não consegue identificar ninguém que preencha essa palavra em sua vida, não é, acredite em mim. Pra uma criança de 5 anos que ama fazer lição de casa dizer pra sua mãe: por favor, eu não quero fazer essa lição porque eu estou com vergonha. É porque isso realmente a deixa constrangida.

Como explicar pra uma criança isso? O Lucca já chamou de pai meu tio, depois os pais de alguns amiguinhos, e algumas vezes até mesmo eu escutei ele dizendo que o nome do pai dele era Lilian. Acho que só agora ele começou a entender que esse espaço é vago na vida dele. E ele simplesmente não quer falar sobre essa palavra. Eu só queria poder fazer ele entender que ele não tem que ter vergonha nenhuma de não ter um pai. Porque ele é um filho maravilhoso e essa culpa nunca será dele. Eu queria poder riscar aquela palavra pai da lição e substituir por família… porque isso ele sabe o que é, ele sabe que tem. Eu queria poder controlar cada pessoa que passasse pela vida dele, pra que ninguém nunca mais perguntasse pra ele o que o pai dele faz, ou quem é o pai dele. Pra não ter que ver aquele rostinho lindo que eu amo tanto constrangido por algo que nem de longe é culpa dele. Eu sei que um dia ele vai entender tudo isso por si só, mas e até lá? O que eu faço?

Meu filho já carrega tantos desafios nessa vida, que eu faria de tudo pra ele não carregar mais esse. Mas apesar de tudo – se você quer saber – ele está muito bem. Dá risada e é feliz o dia todo, todos os dias. Enquanto eu escrevo ele está ali dormindo feito um anjinho na cama. Ele é a criança mais carinhosa que eu já conheci na vida, sabia? Faz questão de me acordar todos os dias dizendo: bom dia mamãe, eu te amo tanto. E quando ele sente que eu estou triste, então? Ele senta do meu lado, faz carinho, e diz pra eu não ficar assim, que ele estará sempre comigo (!!!)

Nem que eu quisesse eu conseguiria descrever tudo que você perdeu nesses 5 anos, os primeiros passos, as primeiras palavras, o primeiro sorriso, as primeiras curiosidades, os primeiros medos e milhares de abraços e beijos… você não imagina quantas noites eu já virei no hospital, quantas oportunidades de emprego eu já tive que descartar – enquanto você está focado em construir sua carreira – quantas terapias participamos, quantas cirurgias enfrentamos, quantas noites eu já passei chorando por não saber de onde tirar dinheiro pra dar tudo que ele precisa, por não achar justo ver minha mãe trabalhar tanto pra poder ajudar a gente, ou por medo de não dar conta de tudo. Mesmo eu não estando sozinha, mesmo eu tendo família e amigos sempre por perto a me apoiar, a responsabilidade final sempre foi minha. SÓ MINHA. Se há cinco anos atrás alguém me contasse tudo que eu iria enfrentar eu certamente diria que não seria capaz. Mas – pasmem- tenho sido. E o mérito sem duvidas, é todo do Lucca, minha força maior. Quando eu olho pra ele e vejo tudo que ele já superou desde que nasceu eu penso: não posso fraquejar, preciso merecer ser a Lilian mãe do Lucca. Não sou heroína e nem quero aplausos por nada disso, sou apenas mais uma no meio de tantas outras mães que têm uma realidade muito parecida com a minha.

Eu queria que você fosse exceção, mas infelizmente você é mais comum do que se imagina. A quantidade de filhos órfãos de pais vivos é crescente e assustadora. Um dia – certamente – a vida te ensinará que ela é curta e que o tempo não volta não. E que vencer ao chegar no final dela, só é vencer mesmo quando a gente deixa algo bom pra ser lembrado. E assim a gente vai virando mais uma das tantas páginas que você optou deixar em branco na vida dele, e eu precisei preencher com algo meu.

 

 

 

 

Bem-vindo à Holanda

29 outubro, 2017 às 13:34  |  por Lilian Alves

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Eu recebi um texto de autoria da Emily Perl Kingsley quando eu descobri que o Lucca tinha Síndrome de Down. E mesmo  que eu não tenha passado por um período de luto -como acontece com muitos pais- esse texto me ajudou muito a entender a situação que eu estava vivendo, e a respeitar cada sentimento que passou por mim.

O texto com título de “Bem-Vindo à Holanda” é muito conhecido entre os pais “especiais” (entre aspas porque acredito que todos os pais sejam especiais) e tenta explicar de uma forma muito simples como é ser mãe ou pai de uma criança com alguma deficiência.

Muitas vezes eu sou questionada por pais que acabaram de chegar na Holanda, ou até mesmo por pais que sempre estiveram na Itália (depois de assistirem o vídeo vocês vão me entender) o que eu senti e como foi pra mim essa experiência. Eu acho que esse texto responde a essas perguntas lindamente, então eu gravei um vídeo lendo ele, e vocês podem assistir clicando nesse link aqui: https://www.youtube.com/watch?v=Vkj2wugCpIk

Sejam bem-vindos à Holanda!

ONG oferece curso gratuito sobre a segurança das crianças

9 outubro, 2017 às 14:37  |  por Josianne Ritz
Divulgação

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Esta semana comemora-se o Dia das Crianças. E, para celebrar essa data, a Criança Segura anuncia uma grande novidade: o lançamento do seu novo curso on-line e gratuito para Familiares e Responsáveis. Para se inscrever, basta fazer seu cadastro em ead.criancasegura.org.br/cadastro e iniciar os estudos.

O objetivo dessa formação é sensibilizar e informar familiares e responsáveis sobre as medidas preventivas e a importância da adoção de um comportamento seguro para a promoção da cultura de prevenção de acidentes com crianças e adolescentes de zero a 14 anos de idade.

“Sabemos que pais e familiares são responsáveis diretos pela segurança das crianças e adolescentes. Por isso, é fundamental que se informem sobre os possíveis acidentes que podem acontecer com meninos e meninas e adotem comportamentos de proteção e cuidado no cotidiano”, explica a responsável pelos cursos da Criança Segura, Carla Lerner.

O curso, que existe desde 2010, foi totalmente reformulado este ano e está mais dinâmico e atrativo. O formato da aprendizagem também mudou, agora ele é autoinstrucional, ou seja, o cursista irá gerir por si mesmo o tempo para se dedicar às atividades, de acordo com seu ritmo de aprendizagem e disponibilidade, pois não há mais tempo determinado para finalizar a formação, que é organizada em cinco aulas, com 20h de carga horária.

Além disso, o conteúdo do curso – que foi atualizado – passou a dar ênfase à prevenção de acidentes na faixa etária de zero a 4 anos, pois, devido a características próprias do desenvolvimento infantil, é nessa idade que meninos e meninas precisam de mais cuidado.

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Os livrinhos gratuitos do Itaú já estão disponíveis

3 outubro, 2017 às 14:37  |  por Josianne Ritz

O Itaú Unibanco lançou a esperada sétima edição do “Leia para uma Criança”, projeto de distribuição gratuita de livros infantis realizado em parceria com a Fundação Itaú Social. Com mais de 45 milhões publicações já oferecidas, a ação traz para sua coleção 2017 os livros “O Menino Azul”, de Cecília Meireles; e “Em Cima Daquela Serra”, de Eucanaã Ferraz e disponibilizará 1,6 milhão de kits para quem fizer o pedido no site.

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Mães empreendedoras promovem evento sobre acolhimento materno-infantil

12 setembro, 2017 às 14:47  |  por Josianne Ritz

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Com o objetivo de reunir em um só lugar uma multidisciplinaridade de temas e atividades que permeiam a maternagem e paternagem, quatro mães empreendedoras decidiram criar o Acolhe-conexões maternas. Um encontro que trará para os cinco dias de programação, entre 25 e 29 de setembro, profissionais de diversas especialidades para dialogar e ministrar atividades direcionadas às gestantes, mães, pais e cuidadores. As rodas de conversas e cursos acontecerão em diferentes horários no período das 14h às 20h, na Casa Poppins.

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Me desculpem os pais, mas eu mando um feliz dia para as “pães”

8 agosto, 2017 às 23:29  |  por Josianne Ritz

Me perdoem os pais, mas a minha homenagem no Dia dos Pais vai para as “pães”. Sim, as mães que são também pais e durante 24 horas, não uma horinha ou outra.

As “pães” se desdobram para sustentar e cuidar dos filhos sozinhas ou praticamente sozinhas. A maioria é separada ou nem chegou a ter um companheiro, mas há algumas que mesmo casadas são sós na missão de criar os filhos. São elas que ficam madrugadas acordadas para cuidar, dar remédio, correr para o hospital, costurar o uniforme, pagar todas as contas, comprar roupas, ir ao mercado.  São elas também que fazem a lição de casa com seus pequenos ou grandes, correm para comprar aquela cartolina de última hora, estão sempre com os ouvidos abertos para os dramas juvenis com atenção e sempre tiram da cartola mágica as palavras certas para acalmar os filhos.

As “pães” são mestras em logísticas: conseguem, por exemplo, trabalhar oito horas e mesmo assim levam os filhos ao médico, nas festas, na dança, na fonoaudióloga, tudo ao mesmo tempo. Também conseguem fazer um almoço delicioso à meia-noite com olhos já cansados e montar uma festa inteira de aniversário em uma madrugada.

Essas mulheres precisam ter o pulso mais firme que todas as mães e pais, porque se algo der errado ainda são apontadas por uns e outros como irresponsáveis. Estão sempre sob a vigilância de alguém.

As “pães” muitas vezes dormem chorando escondido por acreditarem que não vão dar conta de mais uma semana, um mês, um ano, das vidas de seus filhos, mas como num milagre acordam mais fortes.

Não é fácil ser uma “pãe”. Exige energia, requer força, organização, otimismo. Mas elas são movidas pelo amor mais intenso que alguém pode sentir, um amor que vale por dois, cem, mil.

Escrevo tudo isso com a experiência de ser a terceira geração de “pães” da minha família e com um orgulho danado destas mulheres lindas e fortes que me trouxeram até aqui.

 

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20 livros infantis para ler durante as férias de julho

20 julho, 2017 às 18:40  |  por Josianne Ritz

As férias de julho estão a todo o vapor e os pais também. Mas o descanso da sala de aula não significa que o aprendizado e conhecimento devam parar! E ler junto com a criança pode se tornar um momento de cumplicidade incrível.

Para ajudar as famílias com crianças de 1 a 10 anos de idade, a Leiturinha, maior clube de assinatura de livros infantis do Brasil, indica agora os livros mais divertidos e educativos para cada faixa-etária.

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Você troca? – Editora Roda & Cia
Com ilustrações que saltam aos olhos dos pequenos e texto em rimas bem-humoradas, este livro apresenta os animais e algumas coisinhas simples do dia a dia aos pequenos.

Hum, que gostoso! – Editora Autêntica
Com narrativa em primeira pessoa, esta obra fala sobre a evolução da alimentação, desde o mamar, até quando a criança já tem dentinhos e passa a comer coisas sólidas. Ideal para falar sobre os alimentos com seu pequeno.

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Livro ajuda na tarefa de falar sobre a morte para crianças

16 junho, 2017 às 12:47  |  por Josianne Ritz

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Se para adultos já é difícil lidar e entender a morte, para uma criança é mais difícil ainda. Quanto mais nova a criança e maior a ligação dela com a pessoa que morreu mais difícil a tarefa é para os pais. Passei por isso isso quando o avô dos minhas filhas morreu repentinamente de infarto quando elas tinham 6 e 1 ano.

 Hoje, recebi um livro infantil chamado “O dia em que a Vovó do Banzé morreu”, de Mylena Brunor Cooper. A proposta do livro é ajudar as crianças em luto. Não é o primeiro livro sobre o assunto e nem será o último para uma tarefa bem árdua, mas aborda o tema de uma maneira leve e direta.

“O livro traz sugestões para ajudar a explicar alguns aspectos práticos da morte, sem entrar no mérito religioso ou no pós-morte. É uma forma de abrir diálogo com a criança, já que evitar o assunto pode torná-la um adulto mais frágil e com bloqueios”, diz Mylena.  Empresária do ramo funerário, Mylena já vivenciou inúmeras ocasiões de velórios e reforça que falar a verdade para os pequenos é sempre a melhor opção.  “Falar que a pessoa falecida foi viajar, por exemplo, cria a expectativa da volta e faz a criança pensar que a pessoa se esqueceu dela”. Comparar a morte com um sono profundo, ou com dormir, também pode causar transtornos. “Fantasias, como ‘virou uma estrela’ ou ‘agora tem asas’, é sempre melhor deixar para a própria criança desenvolver da forma que for mais reconfortante para ela”, aconselha.

Um bom começo, segundo a autora, é descobrir o que a criança pensa sobre a morte. “É surpreendente ver a percepção que as crianças já possuem. A morte está nos desenhos, livros e filmes infantis, nos noticiários e nas conversas dos adultos. Muitas crianças já vivenciaram a perda de um peixinho, um gato ou um cachorro. Além disso, elas só perguntam sobre aquilo cuja resposta estão prontas para ouvir”, diz.

 Levar a criança ao velório ou ao cemitério não é errado. Segundo Mylena, não se deve forçar, mas pode-se encorajar a criança a ir. “As crianças são membros da família e têm direito de participar desse momento para esclarecer suas dúvidas e fantasias. Participar das etapas faz com que elas se sintam importantes. As visitas ao cemitério ou à Sala de Memórias de cinzas são boas aberturas para elas exporem o que sentem”, afirma.

 O livro também esclarece que é normal chorar e expressar tristeza, e que a criança não tem culpa sobre a morte da pessoa querida – o que é comum ocorrer. Mas, acima de tudo, esclarece Mylena, o que as crianças mais precisam nesses momentos é se sentir amadas e seguras. “Conhecimento nenhum é mais poderoso do que o amor. É tudo de que a criança precisa: bons ouvidos e um bom colo”, resume, a autora.

 O Dia em Que a Vovó do Banzé Morreu pode ser encontrado a partir do dia 19 de junho nas Livrarias Curitiba, assim como no site da rede. O livro também estará à venda na Capela Vaticano, em Curitiba. O valor é R$19,90.


 

Caso Baleia Azul: como pais devem agir sobre a internet

20 abril, 2017 às 08:44  |  por Josianne Ritz

Resultado de imagem para baleia azul Tentativas de suicídio e casos de automutilação que estariam relacionados ao chamado “jogo da Baleia Azul” têm chamado a atenção das autoridades policiais e de saúde em várias partes do Brasil, incluindo o Paraná. Preocupado com a situação, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) faz um alerta aos pais para que redobrem os cuidados com os filhos, principalmente adolescentes, com intuito de atuar de modo preventivo e também identificar sinais que possam indicar que estejam participando dos desafios propostos pelo jogo. Além de estar mais próximos dos filhos, os pais ainda podem reforçar a atenção com algumas medidas simples para entender o que os filhos acessam na internet ou na TV. A promotora de Justiça Luciana Linero, que atua no Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça (Caop) da Criança e do Adolescente e da Educação do MPPR – Área da Criança e do Adolescente, lembra que ser pai ou mãe de adolescentes, por si, já exige mais, pois essa é uma fase em que naturalmente as pessoas tendem a apresentar um comportamento mais rebelde e vontade mais acentuada de transgredir regras. Além disso, ela comenta que os casos de depressão na adolescência, que podem deixar a pessoa mais suscetível a participar desse tipo de desafio, também têm se tornado mais comuns nos últimos anos. Veja as dicas para os pais Continuar lendo

O dia em que uma menininha escolheu cocô como tema de festa de aniversário

11 abril, 2017 às 13:27  |  por Josianne Ritz

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Desde que as festas viram temáticas, a escolha do tema é sempre uma novela familiar. Vamos ser honestos, seja uma festa simples ou uma mais sofisticada: quem escolhe mesmo  a temática é a criança.  Eu mesma já fiz festa para os meus filhos dos mais diversos temas, dos mais populares, como Hello Kitty e Disney até as mais alternativas, como videogame e Beatles.  Mas nesta semana vi um tema que chamou a atenção.

Por meses, quando sua mãe lhe perguntava qual o tema  Audrey queria para sua festa de aniversário de 3 anos, a menina respondia, sem titubear: cocô – aqueles sorridentes emojis de cocô. A garota foi insistente e a família topou.

Balões, bolo, biscoitos e até fantasias foram providenciadas. E a garotinha ficou feliz da vida, como mostram as fotos, que ganharam o mundo.

Festa com tema cocô pode? Pode sim e quem disser o contrário tem a mente pequena. A festa é livre, o mundo é livre e o sorriso da pequena Audrey diz tudo.